Hoje é Dia da Bibliodiversidade: por que ela é tão importante?

Livros livres
Livros livres

Conceito, que permite como pensar a democratização do livro e da leitura, tem sido atacado pelos governos no Brasil

Hoje é o Dia da Bibliodiversidade, e uma das ações mais consolidadas de difusão desse conceito fundamental para o mundo da cultura: a liberação de livros. Hoje é dia de escolher um livro na estante e deixar em algum canto da cidade, com um recadinho para o leitor desconhecido que encontrá-lo.

Essa é a parte lúdica do dia, mas vale a pena também entender por que razão a bibliodiversidade é tão importante para a democracia.

No Brasil, o conceito de BIBLIODIVERSIDADE foi institucionalizado em uma série de normas legais, como o Plano Nacional do Livro e Leitura e diversos planos estaduais e municipais de livro. No entanto, como acontece com outras diversidades, há um trator passando por sobre ela.

O caso mais radical é o da prefeitura de São Paulo, que acabou com o conselho do PMLLLB – Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas, instituindo novas regras e na prática pondo fim a qualquer projeto de acompanhamento e discussão com a sociedade civil sobre seu plano do livro. Além disso, engavetou um belo projeto de construção de acervo pelas diversas bibliotecas do município, construído por um grupo de trabalho altamente preparado.

AULA PÚBLICA OPERA MUNDI: Qual a importância da Bibliodiversidade para a democracia? 

Mas a BIBLIODIVERSIDADE também está sendo feito letra morta nos projetos do Ministério da Educação, por exemplo.

Aproveito esse espaço para reproduzir o conceito de Bilbiodiversidade segundo a Aliança Internacional dos Editores Independentes.

“Bibliodiversidade é a diversidade cultural aplicada ao mundo do livro. Ecoando com a biodiversidade, ela refere-se à necessária diversidade da produção editorial disponibilizada aos leitores. Se os grandes grupos participam, pela importância quantitativa da sua produção, de uma certa diversidade editorial, isto não garante a bibliodiversidade, que não é medida somente em número de títulos disponíveis.

Os editores independentes, embora estejam preocupados com o equilíbrio econômico da sua editora, estão principalmente preocupados com o conteúdo que publicam. Suas obras podem trazer uma outra visão e uma outra voz para além do discurso mais padronizado dos grandes grupos editoriais. A produção editorial dos editores independentes e seus meios preferidos de divulgação para trazê-la aos leitores (sobretudo as livrarias independentes) são, portanto, essenciais para preservar e enriquecer a pluralidade e
a disseminação de ideias.

A invenção do termo bibliodiversidade pode ser atribuída aos editores chilenos, ao criar o coletivo “Editores independientes de Chile” no final da década de 1990. A Aliança Internacional dos Editores Independentes tem contribuído para a divulgação e promoção deste termo em vários idiomas, graças às declarações de Dakar (2003), Guadalajara (2005), Paris (2007) e Cidade do Cabo (2014). Desde 2010, o dia internacional da Bibliodiversidade é comemorado todos os anos em 21 de setembro (chegada da Primavera no hemisfério sul).”

Defender a Bilbiodiversidade é defender a DEMOCRACIA.