“Mujica admira Lula profundamente”, dizem autores de livro sobre presidente uruguaio

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Segue, abaixo da foto, trecho do livro que, segundo o jornal O Globo, dizia que Lula “confessou” a Mujica saber do mensalão. A leitura foi rejeitada tanto pelo ex-presidente uruguaio quanto pelos autores do livro Una oveja negra en el poder – Confesiones e intimidades de Pepe Mujica, de Andrés Danza e Ernesto Tulbovitz (fontes: O Estado de S.PauloG1). Para o Instituto Lula, a imprensa brasileira usou declarações de Mujica “para divulgar mentiras”.

 

A conversa entre Mujica, seu vice, Danilo Astori, e Lula teria ocorrido no início de 2010, quase cinco anos após a entrevista de Roberto Jefferson que deu origem ao caso.

 

 Lula e Mujica / Foto: Agência Brasil

E para entender como manejar essa projeção mundial e importância estratégica da América Latina, sempre recorreu a outro de seu grandes amigos na política internacional: Luiz Inácio Lula da Silva. Ele foi um modelo, um de seus faróis.

 

Mujica vê o Brasil como o país mais importante da América do Sul, com as características de um continente. Sua opinião é que o país deveria estar na vanguarda e liderar a união regional. Governar esse gigante é uma tarefa digna de ser observada com atenção.

 

O Brasil é, além disso, um país em que a corrupção está incorporada. Sempre foi desse maneira, por mais que mudem os partidos do poder. Não é possível para ninguém acabar com certos políticos e empresários que se movimentam de acordo com essas práticas. As denúncias mancharam todos os governos, inclusive os de Lula e Dilma Rousseff, que tiveram de substituir vários ministros por esses motivos. 

 

Lula teve de enfrentar um dos maiores escândalos da história recente do Brasil: o mensalão, uma prestação cobrada por alguns parlamentares para aprovar os projetos mais importantes do Poder Executivo. Compra de votos, um dos mecanismos mais velhos da política. Mesmo José Dirceu, um dos principais assessores de Lula, acabou processado por esse caso. 

 

“Lula não é um corrupto como o foi Collor de Mello e outros presidentes brasileiros”, nos disse Mujica ao referir-se ao caso. Contou, além disso, que Lula viveu todos esses episódios com angústia e um pouco de culpa. “Neste mundo, tive de lidar com muitas coisas imorais, chantagens”, disse-lhe Lula, pesaroso, a Mujica e Astori, algumas semanas antes de que assumirem o governo do Uruguai. “Essa era a única forma de gobernar Brasil”, se justificou. Mujica havia ido visitar Lula em Brasília e sentiu a necessidade de aclarar a situação. “O mensalão é como este país, tudo é grande”, refletiu.

 

“O mensalão é mais velho que bomba de mate”, opina Mujica. Grandes políticos da história tiveram de recorrer a mecanismos similares. “Às vezes, esse é o preço infame das grandes obras”, argumentou, enquanto recordava o nome de Abraham Lincoln, justamente nos dias em que havia estreado o filme de Steven Spielberg sobre a vida do presidente norte-americano, em que se mostrava como ele teve de entregar ao deputados algo em troca de que votassem seus projetos. 

 

Lula é uma figura recorrente nas conversas com Mujica. Ele o admira profundamente. “Um baixinho incrível” é sua definição para o primeiro presidente brasileiro do Partido dos Trabalhadores. Os cinco anos em que Mujica foi o chefe de Estado do Uruguai, Lula sempre esteve pronto para oferecer um conselho ou para pedi-lo.

 

Assim foi que Mujica soube que Dilma Rousseff seria a candidata de Lula muito antes de que isso se tornasse público. Também, que depois apoiaria sua reeleição. Entendeu perfeitamente essa jogada. Lula preferia ser o poder nas sombras e, depois do mensalão, não ficar demasiadamente exposto.

 

Em espanhol, no original:

 

“Y para entender cómo manejar esa proyección mundial e importancia estratégica de América Latina, siempre recurrió a otro de sus grandes amigos en la política internacional: Luiz Inácio Lula da Silva. Él fue un modelo, uno de sus faros.

 

Mujica ve a Brasil como el país más importante de América del Sur, con las características de un continente. Su opinión es que debería estar a la vanguardia y liderar la unión regional. Gobernar ese gigante es una tarea digna de ser observada con atención.

 

Brasil es, además, un país en el que la corrupción está incorporada. Siempre fue de esa manera, por más que cambien los partidos en el poder. Ninguno pudo terminar con ciertos políticos y empresarios que se mueven con base en esas prácticas. Las denuncias ocasionaron manchas a todos los Gobiernos, incluidos los de Lula y Dilma Rousseff, que tuvieron que sustituir a varios ministros por esos motivos.

 

Lula tuvo que enfrentar uno de los escándalos más grandes de la historia reciente de Brasil: el mensalão, una mensualidad que cobraban algunos parlamentarios para aprobar los proyectos más importantes del Poder Ejecutivo. Compra de votos, uno de los mecanismos más viejos de la política. Hasta José Dirceu, uno de los principales asesores de Lula, terminó procesado por ese caso.

 

“Lula no es un corrupto como sí lo era Collor de Mello y otros expresidentes brasileños”, nos dijo Mujica al referirse al caso. Contó, además, que Lula vivió todo ese episodio con angustia y con un poco de culpa. “En este mundo he tenido que lidiar con muchas cosas inmorales, chantajes”, les dijo Lula apesadumbrado a Mujica y a Astori, unas semanas antes de que asumieran el Gobierno de Uruguay. “Esa era la única forma de gobernar Brasil”, se justificó. Habían ido a visitarlo a Brasilia y Lula sintió la necesidad de aclarar la situación. “El mensalão también es este país, todo es a lo grande”, reflexionó.

 

“El mensalão es más viejo que el agujero del mate”, opina Mujica. Grandes políticos de la Historia debieron recurrir a mecanismos similares. “A veces, ese es el precio infame de las grandes obras”, argumentó mientras recordaba a Abraham Lincoln, justo en los días en que se había estrenado la película de Steven Spielberg sobre la vida del presidente norteamericano, en la que se mostraba cómo tenía que entregar a los diputados algo a cambio para que votaran sus proyectos.

 

Lula es una figura recurrente en las conversaciones con Mujica. Lo admira profundamente. “Un petiso bárbaro”, es su definición del primer presidente brasileño del Partido de los Trabajadores. Los cinco años en los que Mujica se desempeñó como jefe de Estado siempre estuvo Lula pronto para ofrecer un consejo o pedirlo.

 

Así fue cómo Mujica supo que Dilma Rousseff sería la candidata de Lula mucho antes de que se hiciera público. También, que después apoyaría su reelección. Entendió perfectamente esa jugada. Lula prefería ser el poder en las sombras y, después del mensalão, no quedar demasiado expuesto.”