O que a cientista política Eleanor H. Porter achou do resultado do segundo turno?

pollyana2
pollyana2

Autora do clássico Pollyana, Porter dá aulas na University of Content, em Happiness-Masschusetts

Na manhã desta segunda-feira, ouvimos a cientista política Pollyanna H. Porter, da University of Content, de Happiness-Massachusetts (porra, como tem universidade em Massachusetts), e ela fez a seguinte avaliação do segundo turno das eleições municipais:

Capas dos livros 'Pollyana', de Eleanor H. Porter
1. A gente tem dois movimentos regressivos: um aponta para a reacionários dos anos 1980, um para os anos 1920. O que aponta para os progressistas dos anos 1920. Esses projetos vão entrar em choque. E a reconstrução são começou. O que esfacelou, ou pelo menos saiu muito machucada, foi a identidade de trabalhador. Nem ultra-esquerda, nem esquerda, nem terceira via, ninguém mais valoriza o conceito, a organização, a classe. O próprio Partido dos Trabalhadores tinha trocado o “trabalhador” pelo “pobre”.  Todos os ataques foram contra o trabalhismo, o sindicalismo, a organização: mesmo os black blocs, que são anarquistas por essência, são acusados de se submeterem à CUT.

2. Quem faz revolução são os trabalhadores, e isso significa uma aliança dos pobres com a pequena burguesia (parte dela cabe bem na classe média): estamos falando de 1917, que, aliás, completa cem anos em breve. O governo Lula fez reforma, que é uma aliança das classes altas progressistas com o mais pobres: foi o caso do incrível Roosevelt.

3. Os resultados eleitorais do Freixo e do Haddad mostram a esquerda começou a reconquistar a classe que ela tinha abandonado, a dos trabalhadores mais bem formados que se identificam como classe média, e a pequena burguesia, que vive sempre entre a cruz e a espada. A esquerda já foi só isso, e hoje, com todos os percalços, é maior que isso. Então, o mundo não se acabou.