“Pasquim21″, uma tentativa de ressuscitar “O Pasquim” e reeditar o sucesso de “Bundas”

Pasquim21
Pasquim21

Projeto de Ziraldo circulou entre fevereiro de 2002 e junho de 2004

O texto abaixo, que posto agora com pequenas alterações, foi publicado originalmente no jornal O Estado de S. Paulo de 2/2/2002. O Pasquim 21 teve 117 edições e deixou de circular em 25/6/2004.

No dia 19/2/2002, voltou a circular o Pasquim, o mais conhecido jornal da imprensa alternativa dos anos 70 e 80, com o nome de Pasquim21, em alusão óbvia ao novo século. O responsável pelo retorno foi Ziraldo, o criador do Menino Maluquinho e integrante do grupo que criou o periódico nos anos 1970.

“Nós vamos voltar na primeira segunda-feira depois do Carnaval; por enquanto, estamos em Porto Alegre, cobrindo o Fórum Social Mundial, mas cobrindo à maneira do Pasquim”, disse Ziraldo. A essa altura, o jornal já tinha tido um número 0 e planejava uma edição semanal – “Não existe humor quinzenal ou mensal”, justifica o diretor de redação. Integram ainda o time de editores Zélio Alves Pinto, irmão de Ziraldo, e Luís Pimentel, ex-editor da revista Bundas.

Ziraldo afirma que o Pasquim21 será mais uma continuação da revista, que circulou entre 1999 e 2000, do que de O Pasquim original. Ele tenta, assim, superar dois problemas da revista, que chegou a ter tiragem de 180 mil exemplares, mas que viu sua circulação cair progressivamente até os 24 mil na edição de despedida.

O primeiro problema, segundo Ziraldo, é que o título não acompanhava o conteúdo: pelo nome, esperava-se uma crítica de costumes, mas a publicação tendeu progressivamente a fazer crítica política. O segundo, é que o nome afastava os anunciantes, preocupados com possíveis associações entre seus produtos e o nome da publicação.

“Acho que vou ter muito anunciante; nem todo mundo quer anunciar para o público do Big Brother”, argumenta.

A pretensão do novo Pasquim é, por meio de um jornal de humor, “apresentar uma visão diferente da do pensamento único”. “Hoje, pasquim é sinônimo de jornal de resistência; quando o Jaguar teve a ideia de assumir o nome nos anos 1970, significava jornal vagabundo, mal feito.”

Ainda segundo Ziraldo, a publicação abriria espaço para uma nova geração. “Quando o velho Pasquim surgiu, ninguém conhecia Ivan Lessa, Sérgio Augusto; quero abrir espaço para gente nova e boa”, afirma ele, citando os cartunistas Rossi, Dálcio e Jean.