Saldo das manifestações: 52 jornalistas agredidos e 13 veículos de reportagem danificados

Saldo das manifestações: 52 jornalistas agredidos e 13 veículos de reportagem danificados

Até o momento, a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) contabilizou violações contra 52 jornalistas, que trabalhavam durante a cobertura dos protestos em 11 cidades brasileiras. Do total, 34 partiram da polícia, 12 dos manifestantes. Houve ainda 6 prisões. A entidade ainda apurou 14 ataques a veículos e empresas jornalísticas. Clique aqui para fazer o download da tabela com as informações e leia abaixo a íntegra da nota veiculada pela Abraji.

 

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Abraji repudia violações contra 52 jornalistas durante cobertura dos protestos

 

Levantamento revela 34 agressões e ameaças pela polícia, 12 por manifestantes e 6 prisões – em 11 cidades brasileiras

 

Desde o início dos protestos contra o aumento do preço das passagens de ônibus, mais de 50 profissionais da imprensa foram agredidos, hostilizados ou presos no Brasil. Levantamento realizado pela Abraji com informações de sindicatos, redações e da ONG Repórteres Sem Fronteiras indica pelo menos 53 casos de violação contra 52 jornalistas (o repórter Leandro Machado, da Folha de S.Paulo, foi preso num dia e agredido em outro).

 

Das 53 ocorrências levantadas, 34 se referem a agressão, hostilidade ou ameaça por parte da polícia. Outros seis casos são de prisão (por períodos que variam de poucos minutos até três dias – caso do repórter do portal Aprendiz Pedro Ribeiro Nogueira, indiciado por formação de quadrilha). Outras 12 ocorrências foram protagonizadas por manifestantes, e em um dos casos não foi possível identificar o que causou o ferimento a um profissional.

 

O levantamento realizado pela Abraji é parcial: há casos que podem não ter sido computados por diversas razões, inclusive quando veículos ou jornalistas preferem não ter suas estatísticas divulgadas.

 

Foram registrados episódios de agressão em 11 cidades brasileiras. São Paulo foi o local onde houve mais casos — 25, quase a metade do total. Fortaleza vem logo em seguida, com seis casos. O Rio de Janeiro teve cinco. O jornal Folha de S.Paulo foi o veículo com mais vítimas: 7 profissionais, entre repórteres e fotógrafos.

 

O trabalho dos repórteres de todos os meios que estão nas ruas cumprindo com o dever de manter a sociedade bem informada deve ser respeitado, independentemente de suas preferências políticas e dos meios em que informam. Repórteres cobrem hoje as manifestações com o mesmo profissionalismo e destemor com que cobriram as grandes passeatas contra a ditadura, a campanha das Diretas Já, a campanha pelo impeachment de Fernando Collor.

 

A Abraji repudia a violência da polícia contra manifestantes pacíficos e jornalistas e repudia igualmente a hostilidade de alguns manifestantes contra os trabalhadores dos meios de comunicação, como repórteres, fotógrafos, cinegrafistas e motoristas. Impedir ou dificultar o trabalho da imprensa é agir contra a democracia.

 

 

Manifestantes danificam pelo menos 13 veículos de reportagem no Brasil 

 

A Abraji contabilizou 14 ataques a veículos e edifícios de empresas jornalísticas em nove cidades brasileiras desde o início dos protestos contra o aumento nas passagens do transporte urbano. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, unidades móveis de transmissão ao vivo da TV Record e do SBT foram incendiados por manifestantes nos dias 18 e 20 de junho.

 

Em Goiânia, o dia 24 de junho foi especialmente violento para as empresas de comunicação: quatro veículos foram depredados (dois da TV Anhanguera, afiliada da rede Globo, um da TV Serra Dourada, afiliada do SBT, e um do jornal O Popular). A sede da TV Serra Dourada também foi apedrejada por manifestantes.

 

No total, 13 veículos foram danificados total ou parcialmente. Manifestantes ainda tentaram atacar a sede da RBS, em Porto Alegre, em duas ocasiões.

 

A Abraji repudia a hostilidade de manifestantes contra os meios de comunicação. Impedir ou dificultar o trabalho da imprensa é agir contra a democracia.