Racistas querem boicotar novo Star Wars

Fonte: Divulgação

Campanha #BoycottStarWarsVII iniciou após lançamento de trailler

Na segunda a Disney divulgou o novo trailler de “Star Wars – O despertar da força”.  Apesar de a saga ser protagonizada em todas as suas trilogias por homens brancos é importante lembrar que personagens femininas e negros importantes sempre apareceram com algum destaque nas histórias. Mance Windu, Lando, Padmé, Leia e até mesmo o Darth Vader – que mereceria um post somente sobre o embranquecimento sofrido pela personagem no decorrer da saga, para quem não sabe a voz icônica é do ator negro James Earl Jones, porém quem aparece sem máscara em “O retorno do Jedi” é o ator Sebastian Lewis Shaw e na trilogia que conta a história de Anakim Skywalker ele é interpretado por Jake Lloyd e Hayden Christensen. Todos brancos.

Pois bem, horas depois do lançamento do novo trailler de Star Wars – O despertar da força, o twitter foi inundado por um campanha sob a hashtag #BoycottStarWarsVII. O argumento principal usado pelos perfis é que o filme propagaria o ódio contra e um tipo de genocídio contra os brancos. A campanha de boicote ao filme vem também no esteio de um enraizamento conservador mundial, só lembrarmos do início do ano quando se organizou um boicote ao “Mad Max: Estrada da fúria” sob o argumento que o filme seria uma propaganda feminista.

A predominância do machismo e do racismo no mundo dos blockbusters e nerd. É um fato de que o mundo do entretenimento em geral tem ficado mais sensível aos temas específicos, um dos pontos mais expressivos sobre essa abertura é a quantidade de séries televisivas importantes com  protagonistas negras e tratando a questão LGBT de uma forma não estereotipada.

Há uma preocupação real da industria do entretenimento em agregar um setor da sociedade que por muito tempo estava relegado a papéis menores, poucas oportunidades no mundo do entretenimento e afins. Finn será um dos protagonistas da nova trilogia junto com a garota Rey, não sabemos qual a relação dos dois com os gêmeos Luke e Leia. Porém o grande incomodo é o fato de um dos protagonistas de uma das principais séries de cinema desde os anos 70 será negro e isso acontecer em um país como os EUA é uma grande afronta. Não é mais um coadjuvante, ou uma voz por trás de uma máscara.

O trailler deixa no ar quem terá maior destaque nessa nova fase da série, se Rey ou Finn, mas o fato é que Finn deverá aparecer mais nos filmes do que as personagens interpretadas por atores negros no passado. Fora que neste trailler ainda não apresentou a Maz Kanata que será interpretada por nada mais nada menos que Lupita Nyong’o. Ou seja, a irritação dos racistas e machistas deve estar nos níveis mais altos, pois não apenas teremos um negro e uma mulher protagonista em Star Wars, como teremos uma personagem importante interpretada por uma mulher negra.

A tal campanha de boicote foi proposta por dois trolls estadunidenses e apenas reflete o quanto o racismo e o machismo se enraizaram em nossa sociedade. Principalmente, quando se mexe com símbolos importantes da cultura pop, as pessoas parecem não conceber que papéis importantes no cinema não são necessariamente representando caucasianos e esse processo, como Viola Davis bem apontou em seu discurso ao ganhar o Emmy de melhor atriz esse ano, mostra que é possível sim abrir oportunidades para não-brancos interpretarem papéis no cinema e na televisão distantes dos bons e velhos esteriótipos enraizados na indústria do entretenimento. A campanha, ao que parece, tem caído no deboche assim como a campanha contra “Mad Max: Estrada da fúria”.

O fato de Star Wars – O depertar da força” hoje ser centro de um debate racial não quer dizer que o filme representará isso na sua versão final, “Mad Max: Estrada da fúria” demonstrou que apostar apenas na representatividade nas telas não significa comprar uma agenda feminista. Como este é o primeiro filme da saga que será produzido pela Disney, tenho minhas dúvidas se o compromisso mais efetivo com alguma agenda antirracista se apresente para além da presença de John Boyega em um papel de destaque no filme, mas para comprovar isso só dá para sabermos em dezembro.

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