A libertação dos (e pelos) livros

A libertação dos (e pelos) livros

Natal está chegando, um momento tradicional de consumo histérico na Europa. Para alguns sortudos, o dilema na escolha do presente é optar entre o último modelo do iPad ou sua mais recente imitação no mercado, o tablet da Microsoft. Mas, para muitos, a crise está pegando forte, sobretudo nos países do sul, como Espanha, Itália ou Grécia. E nesse caso o objetivo, agora, é poupar. Para isso, que tal um bom livro? Como conta esta linda matéria publicada pelo diário espanhol El Pais, é “o perfeito produto cultural anti-crise. Não é caro demais, e pode ser curtido durante muito tempo: a relação euro/hora é bem rentável”. O jornalista vai mais além: ele desvenda um lugar onde os livros são totalmente gratuitos. Trata-se da livraria Libros Libres, que acabou de abrir suas portas em Madri, no bairro de Chamberí. Um pequeno espaço aconchegante, com as paredes cobertas de livros. “Aqui, não tem segurança, alarme ou arco magnético: é tudo grátis”, resume.

 

Imagem via Grupo 2013

 

A idéia, promovida pela ONG Grupo 2013 é permitir o acesso aos livros, mas também ao cinema – existe uma seção videoteca – para todos. Para ser viável economicamente, a livraria precisa apenas de 365 sócios, cada um pagando 12 euros por ano, ou seja, menos que o preço de um café por mês. Alguns, solidários, decidiram doar 50, ou até 100 euros. Outros deixam livros, ou até café, tortas. Mas para a imensa maioria, nada.

 

A boa surpresa, é que ao contrário da maioria dos lugares de “bookcrossing” – uma iniciativa que surgiu nos Estados Unidos, e que pode que definida como a prática de deixar um livro num local público, para que outros o encontrem, leiam, voltem a
libertá-lo e assim sucessivamente – a qualidade da oferta é muito boa na livraria. “As pessoas trazem livros interessantes, em boas condições, achando que os outros podem gostar mesmo, não aqueles que ninguém quer ter em casa”.

 

O projeto suscitou tanto entusiasmo que muitos agora querem trabalhar na livraria como voluntários. Com todo isso, conclui a matéria, “você não tem mais desculpas para não dar um pulo na Libros Libres, libertar alguns de seus livros e pegar outros. E logo, pode se refugiar e ler num sofá enquanto o mundo está acabando”.