Vamos homenagear a mulher indígena neste 8 de março

Para comemorar o Dia Internacional da Mulher neste 8 de Março, a ONG Survival dedicou uma galeria de fotos a figuras indígenas, do passado ao presente. “Todas essas mulheres pertencem a sociedades complexas, cheias de experiências, e em constante evolução. Elas conseguem prosperar quando elas têm a oportunidade de manter suas estruturas sociais e os modos de vida autônomos desenvolvidos ao longo dos séculos”, explica Sophie Grig, que organiza a campanha. “Essa galeria coloca em destaque algumas destas mulheres corajosas que lutam por suas terras e seus direitos fundamentais”, continua. Podem conhecer o perfil de Pocahontas, uma índia Powhatan que se casou com um inglês e foi apresentada ao rei James 1° em Londres no século XVII, mas também Xlarema Phuti, a curadora Bushman, que foi despejada à força da Reserva do Kalahari pelo governo do Botswana. Elas como a maioria das outras sofreram violência, deportação, estupro e assassinato, bem como a perdas de suas terras ancestrais.

 

Das quinze fotos de Survival escolhi duas do Brasil. Uma de Damiana Cavanha, uma índia Guarani, um dos primeiros povos cujas vidas foram afetadas pelo desembarque dos Europeus no subcontinente.

 

 

Eles foram gradualmente espoliados de suas terras por grandes proprietários que transformaram as florestas em fazendas dedicadas ao gado ou às plantações de soja e cana-de-açúcar. Depois de perder o marido e três de seus filhos, Damiana tem liderado, dede setembro de 2013, um processo corajoso de retomada do território ancestral corajoso, contra os produtores de cana.

 

Mas há também a “Pequena Borboleta”. É o apelido que ganhou esta linda menina da tribo Awá. Survival considera que os Awá são a tribo mais ameaçada do mundo. Durante séculos, seu estilo de vida está em perfeita harmonia com a floresta. Seu primeiro contato foi feito pela Funai, o Departamento de Assuntos Indígenas do Brasil, em 1973. Os Awá são uma das últimas tribos de caçadores-coletores nômades no Brasil, e dependem da floresta e sua caça para sobreviver. Mas eles têm vivido com medo, já que madeireiros ilegais estão se aproximando.

 

 

Hoje, os 450 membros da tribo estão cercados por fazendeiros e madeireiros que invadiram suas terras assassinando muitos Awá em toda impunidade. Depois de anos de inação, cedendo à pressão internacional, o governo finalmente organizou em fevereiro de 2014 a expulsão dos madeireiros e fazendeiros que se estabeleceram em suas terras. Mais de um terço da floresta em um dos territórios dos Awá já foi destruído e a tribo está preocupada com a segurança de seus membros isolados que são forçados a viver constantemente fugindo de madeireiros fortemente armados. O futuro da Pequena Borboleta depende de uma solução de longo prazo para impedir a volta dos invasores.

 

Veja a galeria completa no site da ONG Survival (infelizmente, não há por enquanto versão em português).