Vamos voltar a nos apaixonar pelo jornalismo?

The Falling Soldier: fotografia famosa do fotojornalista Robert Capa, tirada em 1936, durante a Guerra Civil na Espanha
Robert Capa/WikiCommons

O que você gostaria de ser quando ficar grande? A esta questão, crianças inspiradas têm muitas respostas possíveis: sonham em ser astronauta, advogados para defender os oprimidos, veterinários para cuidar dos bichinhos, ou até chef de cozinha, para explorar culinárias exóticas. Tudo bem, para outros, a realização seria ser jogador de futebol, ator de novela, ou agente de mercado financeiro… Mas já reparou que são cada vez mais raras as crianças que sonham em ser jornalistas? As que colocam na parede dos muros do quarto fotos do genial Roberto Capa, e nas prateleiras da biblioteca textos de Truman Capote, Albert Londres, entre muitos heróis da profissão? Por que será? Aposto que a imagem que a maioria de nossa criançada tem do jornalista é aquela que a turma de Porta dos Fundos retratou aqui em “Meias palavras”:

 

 

Existe, porém, outro jornalismo. Aliás, o principal objetivo da revista Samuel é mostrar a riqueza de olhares de repórteres mundo afora, que recusam o tom blasé, o trabalho mal feito, o preconceito, em fim, que acreditam num jornalismo sem amarras. No Brasil, graças à internet são cada vez mais numerosas as publicações independentes que tentam fazer este trabalho. Quero destacar aqui a Pública, uma agência independente de reportagem e jornalismo investigativo. O grupo decidiu apostar no chamado “crowdfunding”, dando a possibilidade para os leitores decidirem que reportagens promover através de um financiamento coletivo. A agência quer oferecer assim dez bolsas de R$ 6 mil reais a repórteres ou estudantes de jornalismo. Por isso, precisa arrecadar R$ 47.500 por meio de financiamento público daqui ao 20 de setembro. Os valores de financiamento vão de R$ 20 a R$ 2 mil e podem ser doados aqui.

 

A Revista Samuel nº 10 já está nas bancas.

 

A idéia é dupla: dar um espaço para jornalistas que não têm acesso a veículos de imprensa, e promover ideias novas, além do pensamento às vezes um pouco restritivo de uma redação tradicional. Os doadores não fazem caridade: além de dar uma oportunidade para novos jornalistas, eles podem participar de todo o processo de elaboração da matéria, desde as sugestões de pauta, até o acompanhamento do trabalho de apuração.

 

Não é a primeira vez que a Pública oferece um programa de bolsas. Em edições anteriores, elas permitiram o financiamento de investigações sobre grupos de extermínio que vitimam jovens negros na Bahia e sobre como as obras da Copa afetam a vida dos moradores de um conjunto habitacional em Itaquera, Zona Leste de SP.

Vamos ajudar os grandes e pequenos a continuar a acreditar no jornalismo? Se você ainda não doou, vai lá: http://catarse.me/reportagempublica.

 

Se já doou, espalhe a ideia para os amigos e ajude a financiar o jornalismo independente.

 

 

 

Abaixo, mais um vídeo interessante do Porta dos Fundos: