Chile definirá em segundo turno o caminho que vai seguir

pineraguillier
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Antes favorita com Piñera, a direita perde espaço para a nova esquerda, que terá o desafio da unidade

Os chilenos decidiram adiar para o segundo turno o caminho que o país deverá seguir a partir de 2018. Os escolhidos nas eleições deste domingo (19) foram o ex-presidente de centro-direita Sebastián Piñera, 67, e o candidato de centro-esquerda, o senador Alejandro Guillier, 64. Com 99,94% dos votos apurados, Piñera ficou com 36,64%, seguido de Guillier, com 22,70%.

A primeira surpresa desta eleição foi a votação mais baixa do ex-presidente Piñera. As pesquisas projetavam 45% dos votos e a chance de uma vitória já no primeiro turno.

A segunda surpresa foi a boa votação da terceira colocada, a candidata da coalizão esquerdista Frente Ampla, Beatriz Sánchez, de 46 anos, que é jornalista e cresceu a partir das manifestações estudantis de 2011. Os protestos, que se estenderam por dois anos, colocaram em xeque a política tradicional chilena e abriu espaço para novas lideranças e formas de fazer política. Ela teve 20,27% dos votos e quase tirou o próprio Guillier do páreo.

A baixa participação do eleitorado – apenas 43% dos eleitores foram votar – é outro dado que mostra a decepção da população com a política.

O segundo turno das eleições presidenciais no Chile vão acontecer no dia 17 de dezembro, com um resultado indefinido. Agora, o caminho está mais complicado para o antes favorito Piñera, que terá de contar com boa parte dos 7,93% de eleitores do ultra-direitista José Antonio Kast. A jogada é de risco porque terá de endurecer seu discurso à direita, sem perder o voto de eleitores conservadores mais moderados.

A decisão final do pleito pode estar nas mãos dos seguidores da candidata democrata-cristã, Carolina Goic, que beliscou 5,88% dos votos com uma campanha centrista e distante do atual governo da Nova Maioria (antiga “Concertación”), que governou o Chile desde a redemocratização em 1990, com a exceção do mandato do próprio Sebastián Piñera (2010-2014).

Guillier certamente terá ao seu lado a candidata da Frente Ampla, Beatriz Sánchez, com quem tem mais afinidades políticas do que divergências. O jornalista e senador por Antofagasta também deverá contar com boa parte dos votos dos eleitores de outro centro-esquerdista, o candidato Marco Enriquez-Ominami, que obteve 5,71%.

Este cenário de segundo turno é um alívio para a atual presidente Michelle Bachelet, que sai do governo bastante desgastada e vê na candidatura de Guillier uma forma de passar o bastão para alguém do campo progressista e uma cara nova no mundo político.

Enfim, a eleição no Chile está completamente indefinida e é preciso aguardar 17 de dezembro para saber por qual opção política a América Latina irá inaugurar o próximo ano.