Em três dias, seis palestinos são mortos pelas forças israelenses nos territórios ocupados

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Assim como no Brasil, a juventude palestina é vítima de uma política de genocídio

Embora as realidades políticas e sociais de Palestina/Israel e do Brasil sejam profundamente distintas, as semelhanças dos episódios de violência policial revelam um mesmo padrão que permitem conexões. Enquanto no Brasil vemos o genocídio da juventude negra favelada e periférica pelas polícias militares, em Israel e nos territórios palestinos ocupados por Israel há 50 anos assistimos ao genocídio da juventude palestina pelas forças policiais e militares israelenses, principalmente aquela oriunda dos campos de refugiados e de pequenos vilarejos.

Nas últimas décadas, desde o fortalecimento do movimento popular palestino na forma das intifadas, nós vemos a ascensão de uma política de morte de Israel sobre a população palestina, principalmente por execuções extrajudiciais de alvo determinados e também assassinatos em massa, como nos ataques à Faixa de Gaza. Em 2014, quando Israel realizou mais de 6.000 ataques durante 50 dias à Faixa de Gaza, 1.545 civis e 556 crianças foram mortas, além de 8.361 residências e 132 edifícios públicos destruídos, deixando 11.166 famílias sem teto.

Se entre 1967 e 1987, estima-se que 650 palestinos foram mortos pelas forças ocupantes — uma média de 32 por ano —, entre 1988 e 2012 foram 8.283— mais de 300 assassinatos anuais, segundo levantamento do blog a partir de diferentes fontes*. O levante popular de 2015-2016, conhecido como “Intifada das Facas” ou “Intifada de Jerusalém”, deixou um rastro de 247 palestinos mortos pelas forças de segurança israelenses entre outubro de 2015 e dezembro de 2016, além de aproximadamente 6.440 palestinos detidos e 362 residências e 420 outras edificações demolidas apenas em 2016.

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Policiais e militares israelenses durante ação no campo de refugiados de Belém

MAIS MORTES

As mortes ocorridas nesta semana mantiveram o padrão visto nos últimos anos. Elas atingiram seis jovens palestinos e ocorrem em dois campos de refugiados, locais de importante politização e resistência dos palestinos, e também na Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém, que tem sido palco de inúmeros confrontos.

Na quarta-feira (12), dois jovens palestinos, Aws Muhammad Youssif Salameh, de 17 anos, e Saad Nasser Hassan Abd al-Fattah Salah, de 20 anos, foram mortos por militares israelenses durante ação no campo de refugiados de Jenin, na região norte da Cisjordânia.

Na noite desta quinta-feira (13), uma operação no campo de refugiados de al-Duheisha, em Belém, na Cisjordânia, prendeu cinco pessoas e matou o jovem Baraa Hamamda, de 18 anos. Milhares de pessoas tomaram as ruas da cidade para o funeral do palestino nesta sexta-feira.

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O corpo de um dos jovens palestinos é cercado por
policiais israelenses 
na Esplanada das Mesquitas 

O episódio mais mortal, entretanto, ocorreu na manhã desta sexta-feira, durante as tradicionais manifestações após as cerimônias litúrgicas na mesquita de al-Aqsa, em Jerusalém. Três jovens palestinos cidadãos de Israel foram assassinados por policiais israelenses na Esplanada das Mesquitas, que foi fechada pelas autoridades israelenses após o confronto, que deixou também dois policiais palestinos cidadãos de Israel mortos.

Segundo a polícia israelense, os atiradores palestinos eram Muhammad Ahmad Muhammad Jabarin, 29; Muhammad Hamid Abd al-Latif Jabarin, 19; and Muhammad Ahmad Mufdal Jabarin, 19. Todos os três eram do município de Umm al-Fahm, de maioria palestina, na região de Haifa, em Israel. Nenhum deles tinha ficha criminal.

*Fontes: 

GORDON, Neve. Israel’s Occupation. Berkeley: University of California Press, 2008.

BTSELEM: http://www.btselem.org/