Homenagem aos 45 anos da morte do escritor palestino Ghassan Kanafani

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Militante pela libertação da Palestina, o ficcionista foi morto por milícias israelenses em atentado a bomba no Líbano

Por Mariane Gennari

No último sábado, 8 de julho, completou 45 anos que Ghassan Kanafani foi assassinado por milícias israelenses junto com sua sobrinha Lamees, de 17 anos, em Beirute, no Líbano, em 1972. Uma bomba explodiu no seu carro.

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Kanafani nasceu na cidade litorânea de Akka (Acre), na Palestina sob ocupação britânica, em 1936. Aos doze anos, ele e sua família foram obrigados a exilar-se no Líbano após serem expulsos de seu país, em 1948, durante a Nakba, a catástrofe, quando mais de 800 mil palestinos tornaram-se refugiados e cerca de 500 vilarejos foram destruídos pelas milícias do recém-criado Estado de Israel.

Militante político pela liberdade da Palestina desde a adolescência, Kanafani deixou uma extensa obra literária, entre romances, poemas e peças. A sua primeira ficção, Homens ao Sol, de 1963, narra a situação de três palestinos Abu-Qays, Assaad e Marwan, vivendo em Basra, no Iraque, cerca de dez anos após a Nakba.

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Fica aqui, como forma de lembrar e homenagear esse escritor palestino, as palavras de Elias Khoury, novelista libanês e militante da causa palestina:

“Aquele que escreve as perdas também escreve os sonhos. Como é que este rapaz de Akka, este jovem de Damasco e mais tarde de Beirute, teve sucesso em transformar o desespero escuro em fermento de esperança? O segredo estava em sua intensa consciência da natureza fugaz do tempo. Ele constantemente lutou para manter a diabetes sob controle, mas foi o seu amor pela vida que moldou o escritor, o amante, e o lutador destemido. Ele transformou seu duelo com a morte em uma afirmação de vida, e ajudou a forjar uma nação por meio de suas palavras”.

Kanafani foi um homem que lutou para que o exílio não fosse um elemento de resignação em que a Palestina constituísse parte de um passado, mas sim que fosse alimento da resistência e garantia de retorno para aquela terra de todos os exilados num futuro próximo.