Reação da direita a diálogo mostra quem está a favor da paz e do entendimento na Venezuela

Foto: Agência Efe
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Peço aos caros leitores que leiam com atenção o acordo firmado pelos delegados do Governo Nacional da Venezuela e da opositora MUD (Mesa da Unidade  Democrática), após a II Reunião Plenária do Diálogo Nacional, em 12 de novembro, com acompanhamento da Santa Sé e dos ex-presidentes Leonel Fernández (República Dominicana), José Luis Rodríguez Zapatero (Espanha) e Martín Torrijos (Panamá) e do secretário geral da Unasul, Ernesto Samper. Vejam em seguida as reações da oposição e decidam quem está a favor do diálogo de paz e entendimento em favor do povo venezuelano e quem está contra, quem sinceramente trabalha para resolver os problemas que afetam o país e quem quer simplesmente sabotar todos os esforços ara fazer prevalecer seus intentos golpistas.

“No início da reunião, o secretário geral da Unasul destacou o compromisso do Governo Nacional e da MUD com o processo de Diálogo Nacional e a contribuição que fizeram à paz, renovando o chamado para manter um tom respeitoso e pacífico no discurso e na ação política.

Por sua parte, o Monsenhor Celli [do Vaticano] (…) assinalou que durante os últimos dias se escutaram as vozes de diversos setores da sociedade e se renovaram a fé de que o caminho escolhido é o correto.

(…)

Nesse contexto destacou-se:

O Governo Nacional e a MUD assumiram o compromisso de pôr em prática uma folha de rota que permita normalizar a relação constitucional entre os poderes do Estado, o respeito recíproco entre os mesmos e explorar medidas de acompanhamento econômico no marco legal, constitucional e de respeito à soberania nacional, que contribuam para melhorar as condições de abastecimento da população.

Para tal efeito, se acordou instar os poderes públicos, em pleno respeito de suas competências constitucionais, a:

  1. No campo econômico-social o Governo e a MUD acordaram trabalhar de maneira conjunta para combater toda forma de sabotagem, boicote ou agressão à economia venezuelana. Decidiram priorizar no curto prazo a adoção de medidas orientadas ao abastecimento de medicamentos e alimentos sobre a base de contribuir a promover sua produção e importação. Promover o desenho e aplicação de políticas de cooperação entre os setores público e privado para monitorar, fiscalizar e controlar os mecanismos de aquisição e distribuição de insumos e mercadorias.
  2. No campo político, se acordou avançar na superação da situação de desacato da Assembleia Nacional ditada pelo Tribunal Supremo de Justiça. Nesse sentido, se acordou instar os poderes públicos competentes a atuar na solução da situação do caso Amazonas em termos peremptórios.

No mesmo contexto, se assumiu o acordo de trabalhar conjuntamente, e no marco do estabelecido na Constituição, para a nomeação de dois dos membros do Conselho Nacional Eleitoral, que terminam seu mandato em dezembro de 2016.

  1. Nos marcos da soberania nacional e na manutenção da integridade territorial, acordamos nossa posição unânime de defesa dos direitos legítimos e inalienáveis da Venezuela sobre a Guiana Esequiba e de defesa do Acordo de Genebra de 1966, instrumento jurídico vigente entre as partes que dirime esta controvérsia territorial.
  2. Adotou-se a Declaração Conjunta “Conviver em Paz”.
  3. Com o propósito de reforçar institucionalmente o Diálogo, se decidiu incorporar à mesa um governador de cada uma das partes; convidar os representantes dos diferentes segmentos da sociedade e estabelecer uma Comissão de Seguimento para dar continuidade ao processo que será coordenado pelo ex-presidente José Luis Rodríguez Zapatero, pelos acompanhantes Jorge Rodríguez pelo Governo Bolivariano e Luis Aquiles Moreno pela MUD.”

Tão logo se tornou público o anúncio dos resultados da segunda reunião entre governo e a MUD oposicionista – a próxima reunião está marcada para 6 de dezembro – boa parte da oposição reagiu negativamente. Não quer qualquer negociação, pretende torpedear o acordo, sua única intenção é a golpista, derrocar Maduro aplicando o golpe parlamentar.

O jornal de oposição raivosa El Nacional reproduzia as declarações dos opositores radicais de direita.

A MUD, pelo seu líder Chuo Torrealba, tentava acalmar esses setores afirmando que a “a luta pelo referendo ou por eleições gerais antecipadas não havia terminado”.

Já Henrique Capriles expressava: “o que quer toda a Venezuela ainda não se conseguiu. É fora toda esta bosta de governo”.

O partido Voluntad Popular de extrema-direita, de Leopoldo López, declarou em nota: “Só a rua e a defesa da Constituição pela Assembleia Nacional gerará as condições para conseguir uma mudança real a curto prazo”.

Maria Corina Machado do partido Vente Venezuela, também de extrema-direita, afirmou pelo Twitter: “O país exige uma data imediata [para o Referendo Revogatório]. O resto é para confundir e ganhar tempo. O tempo acabou para eles. Se hoje não há uma data para o referendo, retomemos a rota unitária prévia ao diálogo: destituição na Assembleia Nacional, Carta Democrática e rua. Ninguém tem o direito de negociar nossos direitos. É hora de derrubar a ditadura, já.”

Como expressou o governador do estado de Aragua, Tareck el Aissami; “Nada disso se discutiu [na mesa de diálogo]. Leiam o comunicado oficial da mesa de diálogo, O revogatório está morto de fraude”.