Ban Ki-moon, secretário-geral das Nações Unidas: ‘É hora de uma mulher liderar a ONU’

Candidatas e candidatos durante debate de postulantes ao cargo de secretário-[ou secretária-]geral da ONU, em julho. (Agência Efe)
Candidatas e candidatos durante debate de postulantes ao cargo de secretário-[ou secretária-]geral da ONU, em julho. (Agência Efe)

Ban Ki-moon, secretário-geral da Organização das Nações Unidas, disse nesta terça-feira (16/08) o que muitas de nós pensamos há décadas: “está na hora de uma mulher liderar a ONU”.

Em entrevista à agência de notícias Associated Press, Ban, que finaliza seu segundo mandato – completando dez anos à frente da ONU – no dia 31 de dezembro, deu seu palpite sobre quem deveria sucedê-lo no cargo. “Temos tantas líderes de destaque em governos e outras organizações, assim como nas empresas, na política, na cultura e em todos os aspectos de nossas vidas”, disse ele. “Não há razão para que não haja uma nas Nações Unidas”.


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E não faltam candidatas: o grupo de postulantes ao mais alto cargo da ONU se divide quase igualmente entre homens e mulheres. Das 11 pessoas que almejam oficialmente à cadeira ocupada por Ban, cinco são mulheres: Helen Clark, ex-primeira-ministra da Nova Zelândia; Christiana Figueres, da Costa Rica, ex-secretária-executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas; Susana Malcorra, atual chanceler argentina e ex-chefe de gabinete de Ban Ki-moon; Natalia Gherman, ex-vice-primeira-ministra da Moldávia; e Irina Bokova, da Bulgária, diretora-geral da Unesco.

Ban não nomeou diretamente sua preferida, mas disse que “há muitas líderes mulheres que podem de fato mudar o mundo, que podem se engajar ativamente com outros líderes mundiais.” “Essa é a minha humilde sugestão, mas a decisão é dos Estados-membros” da organização, disse o secretário-geral.

A Organização das Nações Unidas, criada em 1945, foi liderada por oito homens nos últimos 71 anos. Tradicionalmente, os Estados-membros promovem uma “rotação” por regiões do mundo na escolha do secretário-geral, que já contemplou a Ásia, a África, a América Latina e a Europa Ocidental. Representantes do Leste Europeu têm reclamado sua vez, mas um grupo de 56 países-membros da ONU faz campanha, como Ban Ki-moon, para que a partir de 2017 a organização tenha uma secretária-geral.

A escolha, porém, compete aos 15 países do Conselho de Segurança, que repassam sua recomendação para ser aprovada – de maneira praticamente decorativa – pela Assembleia Geral formada pelos 193 Estados-membros da ONU.

António Guterres, de Portugal, ex-alto comissário da ONU para os Refugiados, é o candidato mais forte no páreo, tendo ficado em primeiro lugar em duas pesquisas informais sobre a preferência dos membros do Conselho de Segurança. Entre as mulheres, as mais cotadas até agora são a búlgara Irina Bokova e a argentina Susana Malcorra, embora as duas tenham aparecido em terceiro lugar em cada uma das pesquisas.

Mais duas pesquisas informais devem ser realizadas antes da indicação final do Conselho de Segurança à Assembleia Geral, o que deve acontecer em setembro.