Trump interrompe Hillary, Hillary expõe machismo de Trump – e esse foi só o 1º debate nos EUA

Trump tentanto atropelar Hillary. Não passarão!
Trump tentanto atropelar Hillary. Não passarão!

Nesta segunda-feira (26/09), o mundo presenciou algo que muita gente – eu incluída – jamais pensou presenciar: a democrata Hillary Clinton, ex-senadora por NY, ex-secretária de Estado dos EUA, primeira mulher nomeada candidata presidencial por um dos dois grandes partidos norte-americanos, em um debate televisivo com Donald Trump, megaempresário, titular de vários megaempreendimentos – muitos deles falidos –, racista, machista, xenófobo e candidato republicano à Casa Branca.

(Um esclarecimento: eu gosto de Hillary e quero vê-la presidente dos EUA. Sei que isso não é bem visto pelas migues de esquerda. Lo siento. Concordo que Bernie Sanders teria sido melhor para os EUA e para o mundo, mas não deu. Seguimos.)

Pois ontem rolou o debate e a falta de noção de Trump foi exposta mais uma vez. Eu acompanhei a transmissão e em muitos momentos fiquei nervosa com Trump tentando interromper Hillary – enquanto ela elegantemente seguia sua fala, tentando não deixá-lo atrapalhar. Nem sempre funcionou, é verdade, e ele conseguiu desvirtuar a conversa com algumas destas interrupções que, segundo uma pessoa nesse maravilhoso mundo internético, somaram 33 momentos de angústia para nós, telespectadoras e telespectadores:

Um desses momentos se deu já no fim dos 90 minutos que durou o debate, quando o mediador questionou Trump sobre uma declaração dele de algumas semanas atrás de que Hillary não tinha “o look presidencial” necessário para ocupar o Salão Oval da Casa Branca. Trump tentou dizer que não era bem assim e negar o que ele havia dito a jornalistas no começo de setembro. Hillary aproveitou a deixa e trouxe para o debate a série de insultos machistas que o republicano já lançou publicamente contra diversas mulheres, uma delas em especial: a modelo venezuelana Alicia Machado, que foi coroada Miss Universo em 1996, ano em que o magnata comprou o concurso de beleza nos EUA (do qual ele se desfez em 2015).

Ao ser mencionada por Hillary no debate, Machado respondeu com um tuíte emocionado:

O jornal britânico The Guardian publicou hoje uma bela reportagem e entrevista com Machado, que hoje vive em Los Angeles e conseguiu a cidadania norte-americana em agosto – momento em que declarou seu voto em Hillary Clinton.

Segundo a modelo, pouco depois de vencer o concurso de Miss Universo ela engordou alguns quilos, e por causa disso Trump fez da vida dela um inferno. Além de se referir publicamente a ela como “Miss Piggy” (“Miss Porquinha”) e “Miss Housekeeping” (“Miss Faxineira”), destilando simultaneamente machismo, gordofobia e racismo, Trump expôs Machado ao convidar jornalistas e equipes de TV para registrá-la suando na academia, sem a permissão da modelo.

Ao Guardian, Machado falou sobre o que passou nas mãos do magnata e sobre os transtornos alimentares que desenvolveu na época. Ela, que vive nos EUA há 20 anos, é hoje uma atriz de telenovelas e vai votar pela primeira vez em eleições norte-americanas em novembro. “Eu sei do que ele [Trump] é capaz. Ele não pode ser presidente dos Estados Unidos”, disse ao jornal britânico.

Nesta manhã, Trump continuou sendo Trump e voltou a desqualificar Machado. Em entrevista ao programa matinal Fox and Friends, o republicano disse que a modelo “foi a pior que tivemos”. “Ela foi a vencedora [do concurso Miss Universo] e engordou muito e isso foi um problema real. E não só isso, a atitude dela também. Tivemos um problema sério com ela”, afirmou.

Já a campanha de Hillary lançou um vídeo em seguida ao debate em que Machado fala sobre suas impressões de Trump. “Ele é um homem que não se dá conta do dano que causa. É uma pessoa cheia de ressentimentos, que tem muito racismo dentro de si, que está convencida de que existem seres humanos inferiores a ele”, diz ela no vídeo. “Eu definitivamente não considero que Trump tenha nem a capacidade, nem a experiência, nem a preparação, nem a humanidade para ser presidente dos Estados Unidos.”