Bancos

Existe vida fora dos bancos

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

O governo está prometendo melhorar a vida de quem toma crédito com o Cadastro Positivo, um novo sistema de informações sobre o histórico de pagamentos de pessoas físicas e jurídicas. Criado pela Lei 12.414 de 9/6/2011 e regulamentada pelo Decreto 7.829, sancionado semana passada, o Cadastro Positivo tem por objetivo separar os bons dos maus pagadores, evitando que aqueles paguem taxas de juros mais altas por culpa destes.

Fonte: Banco Central do Brasil

A ideia é dos próprios banqueiros, inspirados no sistema americano, e já fazia parte dos estudos do Banco Central (BC) sobre Juros e Spreads Bancários de outubro de  1999 (infelizmente este relatório não está mais disponível na página do BC, é preciso pedir por e-mail).

Os bancos justificam os  juros abusivos com três motivos: a taxa básica Selic determinada pelo próprio governo – que de fato é uma das mais altas do mundo; a inadimplência, que dizem ser muito elevada, então cobram mais de todos para compensar o calote de alguns; e a carga tributária, vilã de todas as horas e todos os males do Brasil.

Agora, com o Cadastro Positivo, resta saber se os bancos vão mesmo praticar juros mais baixos para quem tem bom histórico de crédito, e quanto mais baixo. Difícil acreditar porque a taxa Selic já caiu muito e só vimos os bancos privados reduzirem juros forçados pela competição com os bancos públicos (Caixa Federal e Banco do Brasil), que por sua vez estão sendo pressionados pelo Palácio do Planalto.

Mas quem quer pegar dinheiro emprestado tem outras alternativas mais baratas e simples do que as oferecidas pelo sistema bancário privado tradicional. O cooperativismo de crédito é uma opção que vem crescendo muito no Brasil nos últimos anos, estimulado por uma nova regulamentação criada no governo Lula.

Segundo o Sicred, um sistema que reúne 113 cooperativas de crédito no país, em 2010 estas instituições possuíam 3,4 milhões de associados. Hoje, são 5,8 milhões de associados. O próprio Sicred registrou, em apenas cinco anos, um aumento de 100% na base de associados para 2,1 milhões de pessoas, distribuídos em dez estados brasileiros.

Outra opção é o microcrédito. Criado pelo bengalês e Prêmio Nobel da Paz, Muhammad Yunnus, cresceu muito e está por toda parte, com vários programas em atividade no Brasil. É um tipo de empréstimo simplificado, criado para empreendedores muito pobres, que não têm nada, muito menos conta em banco, e menos ainda bens para dar em garantia de um empréstimo. Porém hoje há sérios questionamentos ao modelo desenvolvido por Yunnus, como relatado nesta matéria da revista The New Republic.

Com as redes sociais apareceram também sistemas virtuais de financiamento mais acessíveis, como mostra essa matéria da revista argentina Debate.

Mas todo cuidado é pouco, só faça negócio com quem está sob supervisão do BC que tem sido muito eficiente na fiscalização, tanto de bancos como de cooperativas e as instituições de microcrédito. Toda a relação de instituições registradas no BC pode ser consultada na seção Sistema Financeiro Nacional neste link.

 

 

Indignados com os bancos

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017


Nós brasileiros já passamos por crises bancárias gravíssimas e muita gente saiu no prejuízo, incluindo clientes, investidores e poupadores.  Mas talvez nunca tenhamos perdido tanto dinheiro quanto os americanos que viram esfumarem-se bilhões de dólares em bancos que quebraram por lá na crise de 2008.

Em 5 de novembro vai completar um ano desde que um grupo de americanos indignados com a crise criou o movimento Bank Transfer Day, que colocou um desafio à sociedade: tirar o dinheiro dos bancos.

O motivo é que, além da crise, os indignados perceberam que os clientes davam muito e recebiam muito pouco de volta na relação com os bancos.

No primeiro dia do protesto, 40 mil pessoas transferiram dinheiro de suas contas bancárias tradicionais. Hoje já são seis milhões, segundo a fundadora do movimento Bank Transfer Day, Kristen Christian.

A maioria destes “ex-bancarizados” foi para as cooperativas de crédito que são sociedades de pessoas, de propriedade conjunta, sem fins lucrativos. Os bancos são sociedades de capital, de propriedade dos investidores que detém o controle acionário e visam lucro. Ambos prestam serviços financeiros, porém com enfoques e métodos diferentes. Veja nestes vídeos abaixo (originais em inglês) explicações e a repercussão do movimento:

Leve um e pague dois

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

É surreal a celebração da imprensa pela queda da taxa de juros do cartão de crédito do Bradesco. Caiu de 14,9% ao mês para 6,9% ao mês !!! 6,9% mensais equivalem a mais de 122% ao ano. Ou seja, você compra uma roupa, uma geladeira, e paga duas. Total absurdo.  Mas o que assusta mesmo é que muita gente aceita o preço e toma dinheiro emprestado no cartão de crédito, o que acontece quando se decide pagar o valor mínimo da fatura e rolar o restante da dívida. Leia aqui um esclarecimento da Fundação Proteste de defesa dos direitos do consumidor sobre essa prática tão comum. É claro que os bancos têm a responsabilidade social de conscientizar seus clientes para o custo do crédito. E, dado que vivemos em um regime capitalista, a autoridade monetária, o Banco Central, tem obrigação de fomentar a competição entre os bancos, fiscalizar e garantir que exista pelo menos algum espaço no sistema bancário para que a população tome dinheiro emprestado de forma barata e segura. Mas também falta o consumidor fazer valer seu poder de cliente, de exigir condições melhores e mudar de banco se isso for necessário. Se o cliente não pressionar, dificilmente vai partir do banco a iniciativa de cobrar menos juros.

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