Consumo

A volta do escambo

terça-feira, 27 de junho de 2017

 

Se tudo o que você quer é fazer fotos, para quê comprar um novo “gadget”? Arrume um usado em bom estado e troque por algo que você não usa mais. Isso se chama consumo colaborativo que a cada dia ganha mais adeptos e investidores pelo mundo.

 

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A tecnologia é o novo motor dessa forma de “comércio” que vem dos primórdios da humanidade. Sites especializados estão aparecendo na internet para colocar em contato as pessoas e seus objetos de troca ou compra e venda. É o que conta uma matéria da revista eletrônica Periodismo Humano, leia aqui o original em espanhol.

 

Livros, CDs, video games, móveis, tudo se pode trocar e plataformas como DescolAí e Buscalá formam redes que hoje já têm centenas de milhares de pessoas conectadas por todo o país.

 

Serviços sem fins de lucro e baseados na solidariedade também têm crescido exponencialmente. Nessa matéria do site Grist, um americano conta sua experiência com os sites Airbnb e Couchsurfing que trazem ofertas de vagas para hospedagem. Também se pode “alugar um amigo” (no bom sentido) para conhecer outra cidade no Rent a Local Friend.

 

Algumas experiências são até mais radicais, como uma feira na França em que você simplesmente pega o que quer, como contou a editora da Samuel, Lamia Oualalou, neste post do blog Dolce Vita.

 

A Grist vem publicando várias matérias sobre economia colaborativa e no dia 29 de Janeiro publicou uma entrevista com o empresário Neal Gorenflo, que largou um belo emprego num banco de investimentos para tocar um negócio com esse perfil. Gorenflo criou e mantém o site Shareable.net que promove todas as formas de economia colaborativa, ensinando como encontrar redes dos mais diversos produtos e serviços, de automóveis a recicladores de resíduos, em toda parte. Leia aqui a entrevista no original em inglês.

 

Também a Yes Magazine produziu um bom retrato do tema (leia aqui). O curioso é que ela floresce na pátria do capitalismo, do consumismo sem freios e o lucro máximo. É que muita coisa mudou depois da crise financeira internacional.

 

Tomar emprestado também é uma forma de consumir sem ter que gastar rios de dinheiro com coisas que se usa apenas uma ou duas vezes, ou que exige despesas de manutenção. O melhor exemplo são os carros e bicicletas. O sistema de compartilhamento de bicicletas é um sucesso no Rio de Janeiro e o de carros começa a se expandir em São Paulo.

 

A foto acima é da galeria Dorena-WM.

 

No princípio era a lâmpada

terça-feira, 27 de junho de 2017

O documentário “Trashed – Para onde vai nosso lixo”, exibido dentro da programação do Festival de Cinema do Rio é sensacional. Bem feito, traz informações novas (pelo menos para os leigos como eu) sobre o destino do lixo no mundo todo. Destaque para o grande Jeremy Irons que, longe do conforto dos estúdios, vestiu-se de carroceiro e se meteu no meio do lixão, de verdade!

No lixão do Líbano, da Indonésia, do interior da França e de seu país natal, a Inglaterra.

Veja aqui o trailer:

Mas na minha humilde opinião, Trashed deixou alguma coisa no ar. Faltou entrar mais fundo no motivo para tanto lixo: o consumismo desenfreado. Essa semana, vasculhando matérias na imprensa alternativa para as próximas edições da Revista Samuel, encontrei uma bem legal na Revista Trip, que esclarece melhor a questão.

Intitulada “Uma questão de Vida Útil”, a matéria conta, entre outras coisas interessantes, sobre um documentário espanhol chamado “Comprar, Tirar, Comprar” (comprar, jogar fora, comprar, em tradução livre).

Dirigido pela norueguesa Cosima Dannoritzer, o documentário tem como ponto de partida a história de um cidadão – Marcos, de Barcelona – que tem uma impressora quebrada e tenta consertar. Ao passar em várias lojas de assistência técnica é orientado a comprar outra porque o conserto custa mais caro que comprar uma nova, então não valeria a pena consertar.

Quem nunca teve a mesma experiência?

Inconformado, Marcos decide encontrar algum jeito de consertar a impressora. Depois de muito pesquisar ele descobre que o equipamento está programado para quebrar depois de 18 mil páginas impressas.

Por quê? “para proteger o usuário” responde o fabricante. Mas o que acontece se a impressora imprimir 18.001 páginas?

Ninguém responde.

“Comprar, Tirar, Comprar” mostra que a obsolescência programada de produtos como a impressora de Marcos é coisa velha, vem dos anos 20 quando os fabricantes de lâmpadas armaram um cartel para combinar um prazo de vigência dos seus produtos.

Juntas, a holandesa Philips, a alemã Osram e espanhola Teta, donas da tecnologia e das marcas, “baixaram” uma norma para os fabricantes determinando que dali em diante o tempo de duração das lâmpadas deveria baixar de 2,5 mil horas para apenas 1 mil horas. O objetivo era vender mais. Veja o documentário:

Não jogue comida fora

terça-feira, 27 de junho de 2017

Você olha a data de validade dos produtos que compra no supermercado?

Recentemente saiu por aqui a campanha De Olho na Validade, promovida pelos órgãos de defesa do consumidor e supermercados, por maior atenção a esta minúscula informação contida nas embalagens. Achei tão moderno. Mas lendo uma matéria publicada no site mexicano Gatopardo,  Nuevos Modos de Bendecir la Mesa, sobre o reaproveitamento de comida no Reino Unido, vi que estamos atrasados.

Fonte: Gatopardo (www.gatopardo.com)

Voluntário do movimento Feeding the 5000, preparando comida em Bristol.

Vítimas – como todos os europeus – da crise econômica detonada pelos bancos em 2008, os britânicos estão liderando um movimento pelo fim do desperdício de comida. Várias organizações participam, uma delas é a Best Before, que defende uma releitura da data de validade. A ideia é ignorar a data oficial de validade e se orientar mais pelos sentidos (olfato, paladar, tato) para saber se o alimento está ou não bom para o consumo. Segundo eles, exceto os mais perecíveis como leite, ovos e yogurte, nem tudo estraga no dia marcado na embalagem. A tese do Best Before está explicada aqui.

À frente da onda estão os Freegans, palavra que funde o free (grátis) com vegan (de vegetariano). Os Freegans pregam uma ética anticonsumista em relação à comida com o aproveitamento máximo do que chamam “excedente de produção”.

O movimento pelo fim do desperdício de comida no Reino Unido tem origem nas campanhas que rolam já há alguns anos para estimular a população a adotar hábitos alimentares mais saudáveis. O lado “B” dessa história é que muito mais comida tem sido desperdiçada no comércio e nos lares, de coisas como as pontas das baguetes até as cenouras tortas – tudo em bom estado, porém “feios” para apresentação nas vitrines. Um dos maiores colaboradores da campanha é o “chef” Jamie Oliver, aquele que tem programa de receitas na TV paga. Veja neste vídeo ele ensinando a fazer um churrasco de vegetais debaixo de chuva!!

PARCEIROS