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Um caminhão de interesses

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

 

Carreta carregada com bobinas de papel afunda com o rompimento do asfalto em frente a gráfica do Senado Federal. Foto: Lindomar Cruz

 

 

 

Enquanto todos os olhos estão voltados para a corrupção na Petrobras, outros episódios de menor ou nenhuma repercussão comprovam o quão nocivo é o financiamento privado de campanhas e como isso se reflete, depois, em tomada do Estado por interesses empresariais – naquele caso, das empreiteiras.

 

No último dia 11 de fevereiro, o Plenário da Câmara dos Deputados, já sob a administração do sinistro Eduardo Cunha,  aprovou a Lei 12.619/2012, a chamada Lei do Caminhoneiro, que altera a regulamentação dessa categoria profissional. Na prática, a proposta aprovada aumenta a carga de trabalho dos caminhoneiros para até 12 horas diárias e esvazia a “Lei do Descanso”, em vigor desde 2012, que prevê tempo maior de repouso para os motoristas (leia mais aqui).

 

A Lei do Caminhoneiro havia sido idealizada para reduzir a carga de trabalho destes profissionais, dada a ameaça à segurança pública nas estradas que representa caminhoneiros dirigindo cansados, com sono ou sob efeito de medicamentos e drogas estimulantes.

 

A Lei 12.619/2012 proíbe atualmente o trabalho do caminhoneiro por mais de quatro horas ininterruptas sem um intervalo mínimo de 30 minutos de descanso. De acordo com a nova legislação, a jornada pode ser prolongada por mais uma hora até que o motorista encontre um local para repousar. Esse dispositivo foi incluído na lei de 2012 para compensar a exclusão de outro, que obrigava as concessionárias e as operadoras de rodovias a construíram pátios de estacionamento a cada 200 quilômetros, explica o jornal eletrônico Congresso em Foco.

 

A quem interessa que caminhoneiros tenham uma carga de 12 horas diárias de trabalho enquanto todos os outros trabalhadores têm oito? Aos caminhoneiros? Duvido. Ao interesse público em geral? certamente não.

 

Adivinha quem pressionou para a alteração da lei? A bancada ruralista.

 

Esse episódio é didático sobre como funciona a política brasileira,  cada vez mais nas mãos de interesses de empresas privadas e cada vez mais distante do interesse público. É para isso que as empresas financiam políticos, para depois eles devolverem o apoio em forma de aprovação de leis de interesse das empresas que os financiaram. Simples assim.

 

 

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