Sustentabilidade

De dia falta água, de noite falta luz

terça-feira, 27 de junho de 2017

Jornal GGN

 

 

Circulou nas redes sociais um desabafo do respeitado economista Luiz Carlos Bresser-Pereira sobre o “apagão” de energia elétrica que afetou São Paulo. Em sua conta no Twitter, Bresser-Pereira disse: “Estou em São Paulo, mais uma vez na escuridão. Esse é o resultado da privatização da Eletropaulo”.

 

Seria só mais um cidadão queixoso, não fosse Bresser-Pereira um ex-ministro do governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2003), durante o qual a distribuição de energia foi privatizada.

 

Para quem, como eu, duvida que empresas privadas sejam capazes de colocar o interesse público em primeiro lugar, principalmente quando se trata de prestação de serviço em áreas de grande demanda social, como água e esgoto, é forte a tentação de culpar a privatização pelo fracasso na gestão desses serviços.

 

Praticamente todas as concessionárias de distribuição de eletricidade são empresas privadas, mas o responsável pelo apagão de segunda-feira (19/1) foi o governo federal. O ONS, autoridade gestora do setor elétrico, mandou as concessionárias reduzirem o fornecimento para evitar um colapso iminente.

 

São Paulo também tem sido o estado mais afetado pela falta de água. A Sabesp, a empresa de água e saneamento paulista é privatizada.

 

E de fato, a Sabesp deixou a desejar em termos de planejamento e cuidado com os recursos que foram colocados sob sua gestão. Não se encontra muita informação sobre a responsabilidade da Sabesp e do governo estadual, controlador da empresa, na grande imprensa. Mas na imprensa alternativa há boas matérias críticas, por exemplo esse artigo do Correio da Cidadania e a cobertura do Diário do Centro do Mundo.

 

Porém é preciso cuidado com conclusões apressadas. A Cedae, a empresa de água e saneamento do estado do Rio de Janeiro, é estatal. Como tem sido amplamente divulgado, está faltando água nos subúrbios cariocas das zonas Norte e Oeste e na Baixada Fluminense.

 

A forma como serviços essenciais à vida da população – água, luz e transportes – tem sido tratada no Brasil varia de estado para estado, mas o resultado tem sido muito parecido, principalmente nas capitais: péssima qualidade e escassez.

 

Não faz muito tempo, o Brasil era elogiado pela sua matriz energética limpa, concentrada em energia hidráulica que poderia ser obtida a baixo custo de uma reserva de água que parecia interminável. Os governos Lula e Dilma colocaram bilhões de reais na construção de várias hidrelétricas, o que hoje pode ser altamente questionável, dado o efeito devastador dessas obras na vida dos índios e populações ribeirinhas.

 

 

Greenpeace: Linhas Minissérie

 

E nem começamos a falar ainda em desvio de dinheiro: as empreiteiras que tocam as hidrelétricas são as mesmas da operação Lava-Jato, como lembra a ativista socioambiental Telma Monteiro nesse esclarecedor artigo, também no Correio da Cidadania.

 

Hoje, com o aquecimento global, a água evaporou, paralisando as usinas hidrelétricas. Todos sabiam que isso poderia acontecer algum dia, mas qual foi o plano B? A construção de usinas térmicas, movidas a combustíveis fósseis, que geram uma energia cara e poluente. Por causa do alto custo de acionamento das térmicas em 2014, os consumidores brasileiros vão pagar 40% mais na conta de energia em 2015.

 

Sobre essa questão, a ONG ambiental Greenpeace realizou uma série de documentários que, em resumo, defende que o Brasil deveria dar mais peso a fontes renováveis (solar, eólica) em sua matriz energética, ao invés das térmicas.

 

 

 

 

O que realmente está escasso no Brasil é algum poder público ou privado que se interesse em priorizar as necessidades da população.

 

Pintado de verde

terça-feira, 27 de junho de 2017

 

A tese da economia verde, defendida por governos e empresas, pode ser um tiro pela culatra. O conceito é de mudança na forma de produção, com o uso de novas tecnologias que permitam diminuir o consumo de eletricidade e substituir o uso de materiais poluentes e escassos. Mas não mexe na questão principal: o consumismo exagerado que está rapidamente esgotando recursos naturais do planeta.

 

O alerta é dos economistas do Centro de Estudos em Economia, Meio Ambiente e Agricultura (Ceema) da Universidade de Brasília (UnB) e está detalhado em uma matéria publicada pela revista eletrônica Darcy, editada pela UnB.

 

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A matéria da Darcy, intitulada “Não basta pintar de verde”, faz parte do dossiê Tempos Modernos. É uma compilação de reportagens e artigos sobre sustentabilidade e meio ambiente que parte do princípio de que os padrões de desenvolvimento econômico impostos desde a Revolução Industrial precisam ser revisados.

 

Os pesquisadores do Ceema-UnB vão direto ao assunto: sem alterações nos hábitos de vida e de consumo, a economia verde não vai muito longe. Ao apenas baratear o consumo de energia em um equipamento de ar condicionado, por exemplo, a tecnologia vai impulsionar a venda de mais e mais equipamentos.  Seria só mais produto “pintado de verde”. Quando se trata de sustentabilidade real, o foco deveria ser o estímulo ao aproveitamento da sabedoria da natureza em recursos e materiais que refresquem.

 

Uma pesquisa realizada recentemente pela consultoria britânica Verdantix mostrou como o discurso das empresas (e do marketing) sobre sustentabilidade é realmente superficial.

 

Ao invés de entrevistar altos executivos – que têm frases feitas prontinhas, guardadas no bolso para falar em público sobre o tema – a Verdantix buscou a informação dentro das empresas e o que descobriu foi bem diferente do discurso oficial. Foram entrevistados 250 líderes de sustentabilidade em empresas globais de 13 países.

 

Quase metade das empresas participantes da pesquisa revelou que investe apenas 1% das receitas em iniciativas de sustentabilidade; 28% investem entre 1 e 2%; e 26% investem mais de 2% das receitas. Os percentuais são baixos e o dinheiro acaba sendo destinado principalmente para a elaboração de relatórios de sustentabilidade e para ações de certificação.

 

Metade dos entrevistados pela equipe da Verdantix afirmou que o comandante da empresa (o CEO) “empurra” o assunto para um futuro distante, sob a justificativa de que se trata de investimento de longo prazo ou de que ainda é algo muito novo na empresa. Ou seja, sustentabilidade é importante, mas não agora.

 

Um relato sobre esse trabalho, e outras pesquisas não tão contundentes, pode ser lido no site do Instituto Ethos.

 

 

Os paraísos da violência urbana

terça-feira, 27 de junho de 2017

 

Quem vê essa foto acima, uma panorâmica da cidade de Maceió (AL), só pode pensar em coisas boas: férias, passeios, diversão.

 

Difícil imaginar que essa é uma das 20 cidades mais violentas do mundo.

 

É o que mostrou um estudo da organização mexicana Consejo Ciudadano para La Seguridad Pública y La Justicia Penal A.C. divulgado ontem no site Observatório das Metrópoles.

 

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O estudo da instituição mexicana classifica as 50 cidades mais violentas do mundo em 2012, baseado na taxa de homicídios per capita. Por esse conceito, a cidade hondurenha de San Pedro Sula é a mais violenta, com uma taxa de 169 homicídios por 100 mil habitantes.

 

Essa é San Pedro Sula, em Honduras:

 

 

 

Dando um “google images” no nome de San Pedro Sula, o que aparece é o mesmo que para Maceió: imagens de um lugar paradisíaco, que chama turistas apelando ao seu aparente bem estar. O mesmo pode ser dito das demais cidades brasileiras que aparecem no ranking mexicano das 20 mais violentas: João Pessoa, Manaus, Fortaleza, Salvador e Vitória.

 

Essa gracinha de cidade hondurenha, indicada por sites de turismo como Lonely Planet e Trip Advisor, registrou 1.218 homicídios em 2012. Maceió (AL) registrou 801 execuções e taxa de 85,88% o que a coloca em sexto lugar. Leia aqui o estudo completo, no original em espanhol.

 

Uma manifestação realizada nas praias do Rio de Janeiro em dezembro denunciava: nos últimos dez anos morreram assassinadas meio milhão de pessoas no Brasil.

 

Mal entrou 2013 e outro paraíso turístico brasileiro, o estado de Santa Catarina (e a bela capital Florianópolis), entrou para o “circuito” tráfico-presídios com uma série de ataques. O Rio de Janeiro, que adotou uma política de ocupação policial de áreas violentas e conseguiu de fato reduzir barbaramente o número de homicídios, já vê o projeto fazendo água em algumas comunidades.

 

Tema complexo para tirar conclusões. Mas talvez seja melhor, nas próximas férias, olhar por trás dos nossos cartões postais.

 

A primeira foto, de Maceió, foi emprestada do site do Holiday Inn Express. A de San Pedro Sula é do site Bootsnall, atribuída a Martin Munneke, e mostra a fachada da principal igreja no centro do município.

Okonomia

terça-feira, 27 de junho de 2017

 

Em meio à maior crise da história de seu país, um grupo de espanhóis, profissionais e acadêmicos, decidiu criar uma nova escola de Economia, a Okonomia.

 

Inspirado no educador brasileiro Paulo Freire, o projeto promete abrir caminho para um novo pensamento econômico, mais focado na economia solidária, no cooperativismo e no consumo consciente.

 

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A primeira sede da Okonomia será no bairro de Benimaclet, na cidade de Valencia, e já começa de um jeito diferente, levantando recursos para construção e instalação através do sistema de financiamento coletivo (“crowdfunding”, detalhes aqui).

 

As aulas serão presenciais, a cada 15 dias e duram seis meses, como informa matéria publicada no site Inter Press Service (IPS) em parceria com o Envolverde. Os idealizadores do projeto, os economistas Raúl Contreras e Arcadi Oliveres, explicam que a ideia é levar o conhecimento da economia para que as pessoas tenham maior capacidade de decisão.

 

Contreras é dono de uma empresa de inovação social e se dedica desde 1998 ao desenvolvimento de empresas de inserção, formação e intermediação sociolaboral de pessoas em risco de exclusão. Oliveres é professor titular do Departamento de Economia Aplicada da Universidade Autônoma de Barcelona.

 

Em uma longa entrevista publicada no site de sua empresa a Nittúa, Contreras explica com detalhes o projeto (leia aqui o original em espanhol).

 

O método de ensino da Okonomia é o de Paulo Freire, cujo mote é criar nos estudantes as condições para que produzam conhecimento e não simplesmente despejar informações sobre eles. “Temos de começar a nos perguntar o que ocorre com nosso dinheiro e aprender a ter o controle de nossas economias, o que faço com minha poupança, onde deposito e por quê”, explicou Contreras.

 

Há várias experiências bem sucedidas de economia solidária pelo mundo e também no Brasil, como mostra a reportagem da Revista Brasileiros sobre o mercado de “Sampaios”, uma moeda comunitária.

 

A ilustração acima foi tomada emprestada do site Coletivo Verde.

 

Educação sem fronteiras é o tema de capa do nº 7 da Revista Samuel. Não perca. Já nas bancas.

Mais carne, menos florestas

terça-feira, 27 de junho de 2017

 

 

Eles “pipocam” pela região amazônica. A cada dia surgem novos projetos para transformar a pecuária em uma atividade sustentável, que preserve o ecossistema. Algumas experiências são bem sucedidas, como a do  município de Alta Floresta, no Norte de Mato Grosso.

 

Reportagem da revista Carta Capital conta sobre este projeto que mudou a vida do município que em 2008 entrou para a “lista suja” dos mais devastadores de florestas do país. Desde sua fundação nos anos 70, Alta Floresta já tinha perdido mais de 50% dos seus 9 mil km² de floresta nativa, principalmente para a pecuária.

 

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Com o envolvimento da comunidade e apoio da Embrapa, organizações empresariais e não governamentais, Alta Floresta  implementou o projeto ABC (Agricultura de Baixo Carbono) que mudou a lógica de produção, recuperando 15 milhões de hectares de área de pastagem degradada.

 

Em outro município amazonense, Apuí, pecuaristas aprenderam uma técnica que promove a divisão das terras para que, enquanto o gado pasta em 1/7 do terreno, o restante ganha tempo para se regenerar, como relata esta reportagem do The Epoch Times.

 

Mas para muitos, isso é apenas um paliativo aos nefastos efeitos da pecuária, atividade apontada pelas Nações Unidas como responsável por 18% dos gases de efeito estufa emitidos no planeta.

 

O grupo dos céticos ganhou um apoiador público de peso, o ex-Beatle Paul McCartney. Vegetariano convicto há 30 anos, McCartney é pragmático e sabe que não dá para pedir que as pessoas parem de comer carne, então tem sugerido que elas repensem seu consumo.

 

Abraçado à bandeira do movimento Meat Free Mondays (Segunda-Feira Sem Carne), “Sir” Paul gravou em video um apelo para que as pessoas apenas diminuam o consumo e considerem alternativas de legumes, verduras e grãos muito saborosos, mais saudáveis e menos destruidores do meio ambiente.

 

Veja o vídeo abaixo (legendado em português):

 

A foto acima é da Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Pará.

O Código Florestal dos vizinhos

terça-feira, 27 de junho de 2017

 

 

O Brasil não está sozinho na discussão sobre aproveitamento e conservação de florestas. Pelo menos em dois países da América Latina – Chile e Bolívia – os governos também enviaram projetos aos parlamentos para regulamentar a exploração florestal.

 

E apesar de terem sido elaborados por governantes de linhagens políticas completamente diferentes, os Códigos Florestais de ambos os países estão sendo igualmente criticados por estimular o desmatamento e retroceder em avanços já feitos, que puniam exploradores que desrespeitaram a legislação vigente já bastante frouxa.

 

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Segundo reportagem da revista Punto Final (leia aqui o original em espanhol), em setembro passado, o presidente do Chile, Sebastián Piñera, enviou ao Congresso um projeto de lei que modifica e estende por mais 20 anos um decreto de 1974 (do começo da ditadura militar) que estimulava, via subsídios de até 90%, as empresas privadas, favorecendo o desmatamento de florestas nativas e sua substituição por matas mais “rentáveis” em curto prazo como pinus e eucaliptos.

 

Segundo os críticos, o projeto, tramitado em regime de urgência, continua beneficiando as poucas corporações florestais gigantescas, tenta incluir os pequenos e médios no negócio, mas não garante a entrada deles e segue beneficiando bilionários donos daquelas corporações com dinheiro público.

 

A urgência dada ao projeto  (aprovado em apenas 15 dias) atropelou um movimento que começava entre cidadãos, engenheiros florestais e organizações mapuches e de defesa do meio ambiente que pretendiam discutir o assunto.

 

Na Bolívia, um novo código florestal está causando polêmica por ter sido aplaudido pelos ruralistas. Relata o site Bolpress (matéria na íntegra aqui) que o presidente Evo Morales promulgou uma lei que torna legal o desmatamento de florestas e suspende a reversão de milhões de hectares desmontados ilegalmente nos últimos 15 anos.

 

O discurso oficial é estimular a agricultura para inserir a Bolívia nas oportunidades de comércio que estão surgindo com a crise na produção de alimentos. Morales já havia aborrecido as organizações de defesa do meio ambiente em 2011, ao autorizar a produção e distribuição de transgênicos, ampliando o apoio financeiro ao setor agropecuário. Matéria em tom crítico, diz que Morales atendeu a diversas demandas da oligarquia rural do país.

 

 

Dez a zero contra o planeta

terça-feira, 27 de junho de 2017

 

“A indústria dos combustíveis fósseis venceu”, sentenciou Alden Meyer, diretor de estratégia e política da Union of Concerned Scientists (União dos Cientistas Preocupados, em tradução livre) em uma entrevista à agência internacional Inter Press Service (IPS). durante a 18ª Conferência das Partes (COP 18) da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática, que terminou dia 8 de dezembro em Doha, no Catar.

Quase dá para sentir o tom de derrota e desânimo que tomou conta das delegações que participaram do encontro diante do total fracasso das negociações para se chegar a um acordo em torno da redução das emissões de gases poluentes de forma a reverter o aquecimento global e os efeitos das mudanças climáticas (Leia aqui a cobertura completa da IPS sobre a COP18).

Enquanto o mundo ainda tenta digerir o resultado da reunião de Doha, um relatório da Agência Internacional de Energia (AIE) saiu ontem com dados que mostram a inutilidade destas reuniões e o total descaso do mundo com os efeitos do aquecimento global por conta do uso de combustíveis fósseis.

Segundo a agência EcoD, o relatório da AIE revela que a demanda de carvão continua crescendo em todas as regiões do mundo, exceto nos Estados Unidos, onde o gás natural têm predominado. “O mundo vai queimar cerca de 1,2 bilhões de toneladas de carvão a mais por ano, o equivalente ao atual consumo de carvão da Rússia e dos Estados Unidos juntos”, afirmou a diretora-executiva da organização, Maria van der Hoeven. A China e a Índia vão liderar o consumo desta fonte energética nos próximos cinco anos.

Em uma matéria feita pouco antes da Conferência pela IPS (“Negociações climáticas com os dias contados”), Cliff Polycarp, representante do World Resources Institute (WRI), uma das mais de 700 organizações da sociedade civil que participaram do evento em Doha, disse que a única forma de conter a desabalada carreira do uso de combustíveis fósseis é acabar com os subsídios à exploração desta fonte de energia.

Este ano serão gastos mais de US$ 600 bilhões em prospecções de gás e petróleo e em produção, segundo o estudo “Oil: The Next Revoution” (Petróleo: A Próxima Revolução), da Universidade de Harvard, citado pela IPS (leia aqui o original do estudo em inglês). Esse dinheiro  gasto com subsídios à exploração de petróleo e carvão, sugere Polycarp, poderia ser redirecionado para a produção de energias com baixas emissões de dióxido de carbono. Isso requer a intervenção dos governos que poderiam arrumar dinheiro taxando os combustíveis fósseis.

O executivo da WRI, que vem participando há anos das negociações multilaterais sobre as mudanças climáticas e estava em Doha este mês, acha que quatro quintos das reservas conhecidas de combustíveis fósseis deveriam permanecer debaixo da terra. “Mas continuamos queimando-os como se não houvesse um amanhã”, acrescentou.

A foto acima é do site Cultura Mix.

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