Trabalho

O preço real da roupa barata

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

 

Trabalhadores analfabetos (ou quase), sem qualificação profissional, dos países mais pobres da Ásia estão pagando o preço das péssimas condições de trabalho impostas pelas grandes indústrias ocidentais que ali produzem suas mercadorias.

 

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Um velho dito popular  é que não existe almoço grátis. Grifes famosas a preços módicos, vendidas em lojas caras, enormes, cheias de funcionários e bem localizadas nas principais capitais do mundo, pode ter certeza que alguém está pagando a diferença (os custos e os lucros).

 

A impressionante foto acima e as que seguem abaixo são do site Periodismo Humano e ilustram uma matéria sobre as vítimas do desmoronamento do Rana Plaza, um edifício sede de várias indústrias de confecções em Daca, Bangladesh, em abril. Leia aqui a matéria no original em espanhol.

 

A matéria ressalta que as mulheres são a maioria entre as vítimas. Não só no Rana Plaza, mas em várias outras fábricas de confecções instaladas no país, elas costuram, lavam e empacotam as roupas por 30 a 40 dólares mensais, com uma jornada de dez horas diárias, sete dias por semana.

 

As peças são vendidas para marcas famosas como GAP, C&A, Walmart, JC Penney, El Corte Inglés. O preço que chega ao consumidor, na verdade, nem é tão barato assim. Imagine o lucro dessas empresas.

 

 

Grandes indústrias do Ocidente e dos países asiáticos mais ricos, como Japão e Coreia do Sul, começaram a transferir seus centros de produção para países como Bangladesh, Camboja e Paquistão.

 

O motivo é que os salários em velhos polos produtivos de mão de obra baratíssima, como China e Tailandia, começaram a aumentar, conta a revista eletrônica mexicana Desinformémonos.

 

A tragédia de Bangladesh se soma a outras tantas – por exemplo, em novembro, 100 trabalhadoras morreram num incêndio na fábrica Tazreen Fashion, na mesma cidade de Daca, e em 2011 cerca de 300 pessoas foram queimadas vivas em um incêndio na fábrica Ali Enterprises, no Paquistão.

 

Especialistas que acompanham o assunto de perto alertam que a próxima tragédia pode acontecer no Camboja, outro novo polo de trabalhadores pagos a preço menor que o de banana.

 

 

País paupérrimo na fronteira com a Tailândia, ainda minado de bombas da Guerra do Vietnã, o Camboja entrou para o time dos emergentes há uns 20 anos, atraindo o “investimento” de diversas empresas atrás da fartura de trabalhadores baratos.

 

Já pressionada pelas barbaridades cometidas contra os trabalhadores chineses e indianos, a comunidade internacional através da ONU criou um programa em parceria com a iniciativa privada para melhorar as condições das fábricas no Camboja. Lançado em 2001, o programa se chama  Better Factories Camboia (BFC) e seu objetivo é monitorar e relatar as condições de trabalho nas indústrias de vestuário daquele país.

 

Segundo o site South East Asia Globe, acadêmicos da Universidade de Stanford e membros da organização de defesa dos direitos trabalhistas WRC divulgaram um relatório questionando abertamente o BFC. O  programa, informa o relatório, é bem intencionado, mas na verdade está servindo apenas para encobrir a realidade atrás de uma fachada de responsabilidade social das empresas,  já que não tem poder nenhum de fiscalização ou mesmo de relato fiel da situação. A verdade é que no Camboja há dezenas de fábricas funcionando sem condições mínimas de higiene, conforto e segurança, além da excessiva carga de trabalho.

 

 

Garimpagem de profissionais

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

 

Fonte: Innovia (http://www.innovia.com.br/blog/2012/01/27/profissoes-ultrapassadas-talvez-nao)

 

Ter jogado a educação para escanteio durante décadas custa caro ao Brasil. Não apenas em termos de desenvolvimento econômico e social de seus cidadãos.

 

A falta de educação também vem provocando uma enorme deficiência em mão de obra preparada. Hoje o país está crescendo, gerando milhares de vagas de trabalho de todo tipo e, para muitas delas, não há brasileiros capazes de assumir a tarefa. Resultado: as empresas acabam “importando” trabalhadores de outros países.

 

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O colunista Thomas Wood Jr., da revista Carta Capital, lembra que este verdadeiro “apagão” de profissionais qualificados ameaça novamente nosso crescimento, resultando em serviços públicos de baixa qualidade, gestão privada ineficiente e falta de mão de obra em todos os setores, principalmente na indústria.

 

Como a demanda por bons profissionais é grande e a oferta menor, há também uma reversão no movimento de brasileiros qualificados que saem do país em busca de salários maiores. Muitos brasileiros estão voltando para casa por causa da crise econômica que afeta os países ricos.

Porém, algumas profissões mais populares no Brasil ainda fazem sucesso lá fora.

A revista Trip trouxe uma reportagem contando sobre uma categoria de trabalhadores brasileiros que está fazendo o maior sucesso na Europa – e ganhando um bom dinheiro.

 

São os “lanterneiros” ou “funileiros” de automóveis. Com a crise, os europeus não conseguem mais trocar o carro por um modelo novo com a frequência de antes, sendo obrigados a reformar o automóvel antigo. Daí porque o chamado “martelinho de ouro” – que, em geral, é um profissional com mais prática do que teoria – passou a ser cada vez mais procurado naqueles países.

 

De acordo com a matéria da Trip, um dos funileiros brasileiros que mais investiu em sua carreira internacional, Rogerio Carmieto, postou um video no You Tube mostrando um pouco de seu trabalho. Intitulado “Talentos Martelinho de Ouro”, o video entremeia imagens de carros de luxo passando pelos seus instrumentos de lanternagem, com visões de rua da França e uma típica musiquinha ao fundo. Propaganda, como se sabe, é a alma do negócio. Veja o vídeo abaixo.

A foto acima é do blog da Innovia (http://bit.ly/WlzC0e)

 

Mulheres de negócios

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Celsina Teixeira Ladeia

Oficialmente, Celsina Teixeira Ladeia (1887-1979) era “apenas” esposa, mãe e dona de casa (como se isso fosse pouco). Na prática, ela comandava os negócios da família dona de fazendas no Sertão da Bahia.

Imagine a situação: uma moça, filha, neta e esposa de coroneis, no interior da Bahia, início do Século 20, cuidando de contabilidade, empregados e investimentos.

Na verdade, as mulheres da elite rural brasileira do fim do século 19 e início do século 20 podem ter exercido um papel muito mais ativo do que se pensava, ou que transparecia. É o que conta esta matéria divulgada pela Agência Fapesp (leia aqui), a respeito do estudo do professor Marcos Profeta Ribeiro, da Universidade do Estado da Bahia.

O estudo, realizado dentro de um programa de mestrado, resultou no livro “Mulheres e poder no Alto Sertão da Bahia”, lançado pela Editora Alameda, que você pode adquirir através deste site. O lado empresarial de Celsina foi descoberto pelo professor Marcos através da análise minuciosa de cartas e outros documentos deixados por ela.

Eufrásia Teixeira Leite

A história de Celsina lembra muito a de Eufrásia Teixeira Leite (1850-1930), belissimamente contada no livro “Mundos de Eufrásia”, de Claudia Lage (Editora Record, 2009). Nascida em Vassouras, interior de Rio de Janeiro, também pertencia à elite rural e administrou a fortuna das fazendas de café da família. Eufrásia foi a primeira mulher brasileira a investir na bolsa de valores de Londres e em títulos do tesouro. Com sua habilidade para os negócios, multiplicou várias vezes a fortuna que o pai deixou para ela e a irmã.

 

PARCEIROS