Cinema

De vento em popa

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

 

Assisti nesta terça-feira o filme  ”Flores Raras”, de Bruno Barreto, que conta o romance da arquiteta brasileira Lota Macedo Soares com a escritora americana Elizabeth Bishop. Belíssimo filme, sensível, um visual incrível, interessante. Recomendo.

 

O que chama a atenção, porém, é a boa fase do cinema nacional.

 

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De acordo com um informe da Agência Nacional de Cinema (Ancine), o número de lançamentos brasileiros em salas de exibição nos últimos 12 meses até 4 de julho foi de 107 longas-metragens. No primeiro semestre de 2013, o cinema brasileiro gerou R$ 141,9 milhões em renda e atraiu 13,6 milhões de espectadores, o que corresponde a quase tudo (90%) que foi alcançado em todo o ano de 2012.  Há muitos e muitos anos (desde 1984) o cinema nacional não vivia uma fase tão boa e continuada em termos de público e renda.

 

Antes de começar o “Flores Raras” na sessão das 19 horas de ontem, no Cine São Luiz, no Largo do Machado, assistimos trailers de outros filmes nacionais que estão para sair como “O Tempo e o Vento”, de Jayme Monjardim, baseado na obra de Érico Veríssimo, e “Casa da Mãe Joana 2″, de Hugo Carvana. Também estou curiosa para ver o cearense “Cine Holliúdy”, de Halder Gomes, que brinca com o idioma – falado em “nordestinês” com legenda em “português”.

 

No entanto, mesmo com tão bons números e resultados, o cinema nacional está muito longe de fazer frente ao estrangeiro. Filmes gringos levam mais de 80% do público e da renda do cinema no Brasil – como de resto em toda a indústria audiovisual. Do lado brasileiro, a quase onipresença das Organizações Globo é incômoda: em quase todos os filmes e produções audiovisuais de sucesso tem alguma presença da Globo Filmes.

 

Também tenho sérias restrições ao papel do grupo pertencente à família Marinho – altamente questionável em termos de poderio cultural -, mas a verdade é que a Globo tem sido importantíssima no apoio à produção e distribuição de filmes brasileiros. Sua capacidade de divulgação através dos horríveis enlatados e novelas nacionais, levam milhares de pessoas aos cinemas. É uma publicidade que dificilmente as produtoras e distribuidoras independentes teriam como pagar se não estivessem associadas à Globo Filmes.

 

Mal ou bem, é um aliado na concorrência com o “rolo compressor” norte-americano. Como nos conta a história, Hollywood vem sendo azeitada desde meados do século passado com bilhões e bilhões de dólares e apoio político da Casa Branca para dominar o cenário cultural e impor a ideologia capitalista. Não só lá nos EUA, mas em todo mundo – em especial na América Latina.

 

E por falar em Globo, imperdível o comentário do jornalista Gustavo Gindre sobre os grupos de comunicação no Brasil, publicado no Observatório da Imprensa e reproduzido na revista Forum.

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