Mineração

Geração de saldos e buracos

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

 

 

O Plano Nacional de Mineração do governo federal pretende triplicar a exploração mineral do país até 2030. E pode multiplicar por cinco a atual produção, distribuída por cerca 3,4 mil minas, como mostra uma matéria publicada na revista Brasil de Fato.

 

Não só no Brasil, mas em toda a América Latina, a mineração tem sido uma das grandes apostas dos governos para gerar receitas de exportação e, com isso, financiar o desenvolvimento econômico e social.

 

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Porém, essa é uma aposta duvidosa, disse o geógrafo americano e diretor do curso de pós graduação de Geografia da Universidade de Clark (EUA), Anthony Bebbington, que questiona a relação custo-benefício da mineração.

 

É certo que gera muito dinheiro, mas a mineração tem um impacto ambiental enorme e pouco retorno em termos sociais. Ao contrário, em muitos casos a atividade desloca comunidades inteiras, produz muitos conflitos e poucos empregos.

 

De acordo com uma matéria do jornal UN Periodico, publicação ligada à Universidade Nacional da Colômbia (leia aqui o original em espanhol), Bebbington – que esteve no país convidado para um seminário em Bogotá, disse que depois de sete anos pesquisando a atividade mineradora na região, hoje se pergunta se ela realmente contribui com o desenvolvimento. Ou se, ao contrário, aumenta os conflitos, a degradação e a desigualdade.

 

A matéria do jornal colombiano traça um panorama da situação na Colômbia, Peru, Bolívia, Equador e El Salvador, países que têm grande dependência da exploração mineral para seu desenvolvimento. Mas o Brasil não é muito diferente. Segundo a matéria da revista Brasil de Fato, a mineração respondeu, em 2011, por 18% da pauta de exportações do país, com mais de US$ 40 bilhões, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

 

O grande mercado para nossos minérios (e dos países vizinhos) é a China.

 

Mas se de um lado, os minérios ajudam a fechar as contas externas do país, de outro, a participação na produção de riqueza nacional ainda é tímida, não alcança 4% do Produto Interno Bruto (PIB). O número de empregos gerados, cerca de 160 mil diretos, também é muito pequeno se comparado a outros setores da economia.

 

“Aumento do número de remoção de populações, geração de grandes buracos. Vale dizer, a exploração de um produto mineral requer uma movimentação gigantesca de milhões de toneladas de rejeitos”, lembrou à Brasil de Fato o advogado Guilherme Zagallo, da rede social Justiça nos Trilhos.

A foto acima é do site Mineração & Suprimentos.

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