Desemprego

Os novos descartados

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Occupywallstreet.net

 

 

 

Os jovens são os novos descartados da economia. A observação é do Papa Francisco. Ele usou essa expressão em uma entrevista aos jornalistas italianos Andrea Tornielli e Giacomo Galeazzi, divulgada pelo site Vatican Insider e reproduzida em vários jornais pelo mundo. Uma versão em português pode ser lida no site Carta Maior (aqui).

 

A entrevista é parte de um livro que Tornielli e Galeazzi estão lançando, intitulado “Papa Francisco: essa economia mata”. Nela, o Papa critica o que chama de “cultura do descarte” que sustenta o processo de globalização. E defende a construção de uma economia na qual o bem das pessoas, e não o dinheiro, seja o centro.

 

“Quando já não é o homem, senão o dinheiro, o que ocupa o centro do sistema, quando o dinheiro se transforma em um ídolo, os homens e as mulheres são reduzidos a meros instrumentos de um sistema social e econômico caracterizado, e dominado por profundos desequilíbrios. E assim se ‘descarta’ o que não serve a esta lógica: é essa atitude que descarta as crianças e os anciãos, e que agora também afeta os jovens. Impressionou-me saber que, nos países desenvolvidos, existem muitos milhões de jovens menores de 25 anos que não têm trabalho. Às vezes, me pergunto qual será o próximo descarte”.

 

As estatísticas dão razão a Jorge Bergoglio.

 

Foto do site No Amazonas É Assim (http://noamazonaseassim.com)

 

De acordo com o último informe do Escritório de Estatísticas Europeu (Eurostat) divulgado em 7 de janeiro, o desemprego atinge 24,423 milhões de pessoas na Europa, dois quais 5,1 milhões são jovens com menos de 25 anos. A situação é mais dramática na Espanha onde mais da metade (53,5%) dos desempregados estão nessa faixa de idade, depois vem a Grécia (49,8%). Na França, 10,7% dos desempregados são jovens. As menores taxas estão na Alemanha (7,4%), Áustria (9,4%) e Holanda (9,7%).

 

Sem emprego e sem perspectivas, os jovens são os mais atingidos pela crise econômica europeia, gestada e parida em 2008 dentro dos mercados financeiros americano e europeu. O esforço dos governos para salvar os bancos – causadores do desastre – levou à lona as economias em todo mundo, aumentando a pobreza e a desigualdade, principalmente nessa faixa da população.

 

São eles mesmos, os jovens, à frente dos protestos populares – que diminuíram em tamanho, mas seguem por toda parte, por fora da pauta e das manchetes dos jornais, rádios e TVs. São eles que impulsionam o renascimento de movimentos de esquerda (e de direita também) que, por sua vez, lideram a reação aos programas de austeridade impostos pelos governos europeus para renegociar a dívida criada com os programas de salvamento de bancos. Estes movimentos acabam de obter sua primeira conquista, com a vitória do partido Syriza, considerado radical de esquerda, nas eleições de domingo na Grécia.

 

Atentos aos passos do novo governo grego com o Syriza à frente, outros movimentos como o espanhol Podemos e o francês Obras para o futuro, já se mobilizam para rever fundamentos dos programas de austeridade (leia aqui uma boa análise sobre isso no jornal argentino Página 12).

 

Quem sabe o Papa, com a postura de verdadeiro estadista que vem demonstrando desde que tomou o lugar de Bento XVI, poderá ser um apoio para esta nova corrente.

Condenados a descansar nos jardins de suas mansões

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

 

 

 

Eles “quebraram” os bancos que comandavam e detonaram a maior crise econômica desde o “crash” de 1929, causando o desemprego e a miséria de milhões de pessoas pelo planeta, especialmente na Europa e nos Estados Unidos. Mas os banqueiros responsáveis pela quebra daquelas instituições em 2007 e 2008 não sofreram qualquer punição e hoje flanam em seu patrimônio milionário construído às custas do desemprego mundial.

 

A Samuel número 10 está nas bancas com um sensacional dossiê sobre longevidade. Assine já e apoie a imprensa alternativa. 

 

Você pensava que nos Estados Unidos a Justiça sempre funciona? Eu também. Engano nosso. Reportagem publicada no site The Center for Public Integrity (leia aqui) revela o que aconteceu com aqueles executivos (ir)responsáveis pela bancarrota mundial: nada! Ao contrário, estão nadando na grana, depois de terem causado um desemprego recorde em vários países. Richard Fuld (foto acima) que comandava o Lehman Brothers Holdings Inc., o banco que disparou a crise ao entrar em bancarrota exatamente há cinco anos (em 15 de setembro de 2008), está tranquilo. Veja a foto da mansão dele em Greenwich, no estado de Connecticut:

 

 

 

 

Fuld tem também um sítio em Sun Valley, no estado de Idaho e uma casa de cinco quartos na Flórida. Só não tem mais um apartamento em Manhattan, na Park Avenue, porque vendeu por US$ 25,87 milhões em 2009. Coitado…

 

Os outros banqueiros também reponsáveis pela crise – Jimmy Cayne (Bear Stearns), Stanley O’Neal (Merrill Lynch), Chuck Prince (Citigroup) and Ken Lewis (Bank of America) também continuam vivendo no luxo.

 

 

O enigma do emprego

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

 

“Crise profunda” na indústria, atividade econômica em baixa. Ainda assim, o Brasil registrou em 2012 o menor desemprego da história. Como pode?

Este é um dos principais assuntos entre os economistas dentro e fora do governo hoje em dia, tentando entender como o país produz empregos se a atividade econômica em geral está fraca.

 

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Segundo dados do IBGE, órgão responsável pelas estatísticas oficiais, a produção do país (PIB) cresceu apenas 0,6% no fim de 2012. De acordo com o Insitututo de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), a indústria brasileira fechou o ano passado com queda de 2,7%.

 

Ao mesmo tempo, a taxa de desocução média dos 12 meses de 2012 ficou em 5,5%, a menor média anual da história do país (leia aqui o informe do IBGE).

 

 

Podemos comemorar a menor taxa de desemprego. Mas a queda da atividade industrial é preocupante. Em entrevista ao Instituto Humanitas Unisinos, o jovem economista Leandro Horie, explicou que o fim da inflação e a melhor distribuição de renda foram fundamentais para o dinamismo econômico que, por sua vez, impulsionou a criação de postos de trabalho.

 

Essa também é, em essência, a explicação dos economistas do Partido dos Trabalhadores (que está no comando), segundo a análise “O enigma do crescimento”, publicada no site Teoria e Debate.

 

Mestre em Economia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), especialista em dinâmica setorial e a questão ocupacional no Brasil, Horie alerta, porém, que o crescimento da atividade econômica e do mercado de trabalho dos últimos anos aconteceu sem grandes modificações na condução do regime macroeconômico que vem desde a década de 1990.

 

“Se por um lado esse modelo proporcionou o fim da inflação, o que é positivo, por outro nos colocou em uma ‘camisa de força’ justamente porque ele limita as possibilidades de maior sustentabilidade do crescimento econômico a partir de um maior dinamismo da indústria, seus encadeamentos setoriais e os efeitos positivos de seu investimento”, afirmou Horie ao IHU.

 

Horie lembra que este aspecto começa a ficar claro a partir de 2011, quando a economia brasileira, mesmo com estímulos (redução de impostos, benefícios tributários, crédito farto), não consegue melhores resultados.

 

A primeira das fotos acima é uma reprodução da obra “Operários”, de Tarsila do Amaral, e foi emprestada do site Aos Mestres da Educação.

 

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