Energia

De dia falta água, de noite falta luz

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Jornal GGN

 

 

Circulou nas redes sociais um desabafo do respeitado economista Luiz Carlos Bresser-Pereira sobre o “apagão” de energia elétrica que afetou São Paulo. Em sua conta no Twitter, Bresser-Pereira disse: “Estou em São Paulo, mais uma vez na escuridão. Esse é o resultado da privatização da Eletropaulo”.

 

Seria só mais um cidadão queixoso, não fosse Bresser-Pereira um ex-ministro do governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2003), durante o qual a distribuição de energia foi privatizada.

 

Para quem, como eu, duvida que empresas privadas sejam capazes de colocar o interesse público em primeiro lugar, principalmente quando se trata de prestação de serviço em áreas de grande demanda social, como água e esgoto, é forte a tentação de culpar a privatização pelo fracasso na gestão desses serviços.

 

Praticamente todas as concessionárias de distribuição de eletricidade são empresas privadas, mas o responsável pelo apagão de segunda-feira (19/1) foi o governo federal. O ONS, autoridade gestora do setor elétrico, mandou as concessionárias reduzirem o fornecimento para evitar um colapso iminente.

 

São Paulo também tem sido o estado mais afetado pela falta de água. A Sabesp, a empresa de água e saneamento paulista é privatizada.

 

E de fato, a Sabesp deixou a desejar em termos de planejamento e cuidado com os recursos que foram colocados sob sua gestão. Não se encontra muita informação sobre a responsabilidade da Sabesp e do governo estadual, controlador da empresa, na grande imprensa. Mas na imprensa alternativa há boas matérias críticas, por exemplo esse artigo do Correio da Cidadania e a cobertura do Diário do Centro do Mundo.

 

Porém é preciso cuidado com conclusões apressadas. A Cedae, a empresa de água e saneamento do estado do Rio de Janeiro, é estatal. Como tem sido amplamente divulgado, está faltando água nos subúrbios cariocas das zonas Norte e Oeste e na Baixada Fluminense.

 

A forma como serviços essenciais à vida da população – água, luz e transportes – tem sido tratada no Brasil varia de estado para estado, mas o resultado tem sido muito parecido, principalmente nas capitais: péssima qualidade e escassez.

 

Não faz muito tempo, o Brasil era elogiado pela sua matriz energética limpa, concentrada em energia hidráulica que poderia ser obtida a baixo custo de uma reserva de água que parecia interminável. Os governos Lula e Dilma colocaram bilhões de reais na construção de várias hidrelétricas, o que hoje pode ser altamente questionável, dado o efeito devastador dessas obras na vida dos índios e populações ribeirinhas.

 

 

Greenpeace: Linhas Minissérie

 

E nem começamos a falar ainda em desvio de dinheiro: as empreiteiras que tocam as hidrelétricas são as mesmas da operação Lava-Jato, como lembra a ativista socioambiental Telma Monteiro nesse esclarecedor artigo, também no Correio da Cidadania.

 

Hoje, com o aquecimento global, a água evaporou, paralisando as usinas hidrelétricas. Todos sabiam que isso poderia acontecer algum dia, mas qual foi o plano B? A construção de usinas térmicas, movidas a combustíveis fósseis, que geram uma energia cara e poluente. Por causa do alto custo de acionamento das térmicas em 2014, os consumidores brasileiros vão pagar 40% mais na conta de energia em 2015.

 

Sobre essa questão, a ONG ambiental Greenpeace realizou uma série de documentários que, em resumo, defende que o Brasil deveria dar mais peso a fontes renováveis (solar, eólica) em sua matriz energética, ao invés das térmicas.

 

 

 

 

O que realmente está escasso no Brasil é algum poder público ou privado que se interesse em priorizar as necessidades da população.

 

A tarifa mais cara do mundo

quarta-feira, 26 de abril de 2017

 

Fonte: Cultura Mix (http://meioambiente.culturamix.com/projetos/hidreletricas-no-brasil)

 

Depois de uma queda de braço entre o governo e algumas empresas privadas de energia elétrica, em fevereiro entrará em vigor uma nova política energética no Brasil.

 

O objetivo é reduzir o custo deste importante insumo, tanto para as famílias quanto para as empresas. Uma boa reportagem do site IBAS mostra bem o que significa essa redução para a economia. No entanto, algumas empresas geradoras não aceitaram a proposta de renovação antecipada das concessões com tarifas diminuídas e, no fim, o percentual de redução será menor que o esperado, como explica essa matéria da Agência Brasil.

 

O brasileiro enfrenta o absurdo de ter a geração de energia elétrica mais barata e menos poluente e as tarifas mais caras do mundo, como mostrou uma matéria publicada na edição 64 da Revista O Retrato do Brasil (página 16), intitulada “A presidente corrige a ex-ministra” (acessível só para assinantes). De acordo com a reportagem, foi justamente na gestão de Dilma Roussef como ministra de Minas e Energia do governo Lula, em 2004, que as tarifas atingiram seu patamar mais alto, pulando para US$ 150, vindo de US$ 80 em média nos anos 1999-2004.

 

Os números são surpreendentes. Mais de 80% da produção de energia elétrica vêm de 204 usinas hidráulicas, o que nos torna o terceiro país do mundo em geração de energia hidrelétrica, uma das formas mais baratas e menos poluentes de produção de eletricidade.

 

Porém, estudos realizados pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) apontam que a tarifa média de energia industrial no Brasil, de R$ 329 o megawatt-hora (MWh) – aproximadamente US$ 162 – é muito superior à tarifa internacional média, equivalente a R$ 215 o MWh, e 131% superior à média dos países com os quais o Brasil mantém relações comerciais.

 

Você não tem a impressão de que tudo no Brasil custa mais caro? Um dos motivos é esse: o custo da energia.

 

Fica difícil entender (e aceitar) que o país invista bilhões em energia hidrelétrica, derrubando florestas e desalojando os povos originários como está sendo feito no Norte, e não ter em contrapartida uma energia mais barata.

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