Preconceito

De problema à solução

terça-feira, 24 de outubro de 2017

 

 

 

A boliviana Jobana Moya, de 32 anos, mora em São Paulo desde 2007 e já passou por situações de preconceito nos serviços públicos, no metrô, em lojas e bares.

 

Não, ela não é trabalhadora em confecções clandestinas do bairro do Bom Retiro em São Paulo como as pessoas da foto acima. Jobana é webdesigner e casada com um brasileiro. Ela é discriminada em São Paulo como milhares de outros compatriotas seus, apenas por ser mulher, estrangeira, imigrante vinda de um país pobre.

 

 

O caso de Jobana é um dos exemplos de discriminação relatados na matéria “Desafios às fronteiras”, publicada no início de janeiro pela Revista da Cultura, revista eletrônica da Livraria Cultura. Assinada pela jornalista Adriana Marcolini, a matéria traz dados mais recentes da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o forte crescimento dos movimentos migratórios mundiais, questionando a dificuldade que essas pessoas ainda encontram para serem reconhecidas e aceitas nos países para onde se deslocaram.

 

Segundo a ONU, cerca de 232 milhões de pessoas, ou 3,2% da população mundial, residem atualmente fora de seus países de origem, um aumento expressivo se comparado aos 154 milhões registrados em 1990. Nesse período de 23 anos também se intensificou o movimento migratório dos países do Hemisfério Norte para o Hemisfério Sul e entre os próprios países do Hemisfério Sul.

 

 

As sociedades dos países para onde estas pessoas se dirigem raramente reconhecem a importância econômica deles e mesmo países que se fizeram com imigrantes como os próprios Estados Unidos, continuam levantando barreiras aos trabalhadores e refugiados, principalmente de países pobres.

 

Será que algum dia essa injustiça vai acabar?

 

Uma análise publicada no excelente dossiê “O mundo de cabeça branca”, tema de capa da Samuel número 10 (que você pode baixar no tablet agora por apenas 0,99 dólar), aponta que isso é possível e a chave está na dinâmica do crescimento populacional.

 

É que, como já foi amplamente divulgado, estudos e estatísticas realizados por governos e o meio acadêmico de quase todos os países comprovam que a população mundial está envelhecendo. E isso terá consequências econômicas no futuro. Idosos produzem menos que os jovens e necessitam mais cuidados de saúde. Isso representa mais custo para a sociedade que vai ter que encontrar uma forma de pagar.

 

Joseph Chamie, autor da matéria ”População em trânsito” publicada originalmente na revista eletrônica YaleGlobal (ligada à Universidade Yale), afirma que os países ricos – os que estão em processo de envelhecimento mais rápido – vão precisar de imigrantes para compensar a queda de suas populações e manter sua capacidade de produção.

 

Com a queda da taxa de natalidade, no futuro, estes países podem até vir a competir por imigrantes, simplesmente porque não terão alternativa.

 

Um exemplo é a Alemanha, onde calcula-se que o número total de imigrantes necessários para manter a atual população, de quase 82 milhões, ao logo da próxima década, seria de cerca de 200 mil por ano, o dobro do número previsto pelas atuais projeções da União Europeia.

 

Nesse momento em que o Brasil está atraindo cada vez mais imigrantes, não só refugiados, mas também em programas oficiais para suprimento do déficit de mão de obra – como médicos e profissionais da área de petróleo e gás – é bom ler e refletir sobre isso.

 

Mas sem perder o bom humor. Para quebrar um pouco a seriedade do tema, sugiro assistir, quando entrar em cartaz no circuito, o filme “Gaiola Dourada” (“La cage dorée”), primeiro longa do diretor português Ruben Alves. Conta a história de uma família imigrantes portugueses na França, divertidíssimo. Eu assisti em sessão de pré-estreia aqui na Maison de France, um centro cultural mantido pelo Consulado da França no Rio de Janeiro. Aqui vai um trailer, infelizmente sem legenda.

 

 

A primeira foto acima foi tomada emprestada do blog Ecotecendo; a segunda é de Arturo Rodrigues, da AP Photo.

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