Trabalho

De problema à solução

domingo, 24 de setembro de 2017

 

 

 

A boliviana Jobana Moya, de 32 anos, mora em São Paulo desde 2007 e já passou por situações de preconceito nos serviços públicos, no metrô, em lojas e bares.

 

Não, ela não é trabalhadora em confecções clandestinas do bairro do Bom Retiro em São Paulo como as pessoas da foto acima. Jobana é webdesigner e casada com um brasileiro. Ela é discriminada em São Paulo como milhares de outros compatriotas seus, apenas por ser mulher, estrangeira, imigrante vinda de um país pobre.

 

 

O caso de Jobana é um dos exemplos de discriminação relatados na matéria “Desafios às fronteiras”, publicada no início de janeiro pela Revista da Cultura, revista eletrônica da Livraria Cultura. Assinada pela jornalista Adriana Marcolini, a matéria traz dados mais recentes da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o forte crescimento dos movimentos migratórios mundiais, questionando a dificuldade que essas pessoas ainda encontram para serem reconhecidas e aceitas nos países para onde se deslocaram.

 

Segundo a ONU, cerca de 232 milhões de pessoas, ou 3,2% da população mundial, residem atualmente fora de seus países de origem, um aumento expressivo se comparado aos 154 milhões registrados em 1990. Nesse período de 23 anos também se intensificou o movimento migratório dos países do Hemisfério Norte para o Hemisfério Sul e entre os próprios países do Hemisfério Sul.

 

 

As sociedades dos países para onde estas pessoas se dirigem raramente reconhecem a importância econômica deles e mesmo países que se fizeram com imigrantes como os próprios Estados Unidos, continuam levantando barreiras aos trabalhadores e refugiados, principalmente de países pobres.

 

Será que algum dia essa injustiça vai acabar?

 

Uma análise publicada no excelente dossiê “O mundo de cabeça branca”, tema de capa da Samuel número 10 (que você pode baixar no tablet agora por apenas 0,99 dólar), aponta que isso é possível e a chave está na dinâmica do crescimento populacional.

 

É que, como já foi amplamente divulgado, estudos e estatísticas realizados por governos e o meio acadêmico de quase todos os países comprovam que a população mundial está envelhecendo. E isso terá consequências econômicas no futuro. Idosos produzem menos que os jovens e necessitam mais cuidados de saúde. Isso representa mais custo para a sociedade que vai ter que encontrar uma forma de pagar.

 

Joseph Chamie, autor da matéria ”População em trânsito” publicada originalmente na revista eletrônica YaleGlobal (ligada à Universidade Yale), afirma que os países ricos – os que estão em processo de envelhecimento mais rápido – vão precisar de imigrantes para compensar a queda de suas populações e manter sua capacidade de produção.

 

Com a queda da taxa de natalidade, no futuro, estes países podem até vir a competir por imigrantes, simplesmente porque não terão alternativa.

 

Um exemplo é a Alemanha, onde calcula-se que o número total de imigrantes necessários para manter a atual população, de quase 82 milhões, ao logo da próxima década, seria de cerca de 200 mil por ano, o dobro do número previsto pelas atuais projeções da União Europeia.

 

Nesse momento em que o Brasil está atraindo cada vez mais imigrantes, não só refugiados, mas também em programas oficiais para suprimento do déficit de mão de obra – como médicos e profissionais da área de petróleo e gás – é bom ler e refletir sobre isso.

 

Mas sem perder o bom humor. Para quebrar um pouco a seriedade do tema, sugiro assistir, quando entrar em cartaz no circuito, o filme “Gaiola Dourada” (“La cage dorée”), primeiro longa do diretor português Ruben Alves. Conta a história de uma família imigrantes portugueses na França, divertidíssimo. Eu assisti em sessão de pré-estreia aqui na Maison de France, um centro cultural mantido pelo Consulado da França no Rio de Janeiro. Aqui vai um trailer, infelizmente sem legenda.

 

 

A primeira foto acima foi tomada emprestada do blog Ecotecendo; a segunda é de Arturo Rodrigues, da AP Photo.

O preço real da roupa barata

domingo, 24 de setembro de 2017

 

Trabalhadores analfabetos (ou quase), sem qualificação profissional, dos países mais pobres da Ásia estão pagando o preço das péssimas condições de trabalho impostas pelas grandes indústrias ocidentais que ali produzem suas mercadorias.

 

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Um velho dito popular  é que não existe almoço grátis. Grifes famosas a preços módicos, vendidas em lojas caras, enormes, cheias de funcionários e bem localizadas nas principais capitais do mundo, pode ter certeza que alguém está pagando a diferença (os custos e os lucros).

 

A impressionante foto acima e as que seguem abaixo são do site Periodismo Humano e ilustram uma matéria sobre as vítimas do desmoronamento do Rana Plaza, um edifício sede de várias indústrias de confecções em Daca, Bangladesh, em abril. Leia aqui a matéria no original em espanhol.

 

A matéria ressalta que as mulheres são a maioria entre as vítimas. Não só no Rana Plaza, mas em várias outras fábricas de confecções instaladas no país, elas costuram, lavam e empacotam as roupas por 30 a 40 dólares mensais, com uma jornada de dez horas diárias, sete dias por semana.

 

As peças são vendidas para marcas famosas como GAP, C&A, Walmart, JC Penney, El Corte Inglés. O preço que chega ao consumidor, na verdade, nem é tão barato assim. Imagine o lucro dessas empresas.

 

 

Grandes indústrias do Ocidente e dos países asiáticos mais ricos, como Japão e Coreia do Sul, começaram a transferir seus centros de produção para países como Bangladesh, Camboja e Paquistão.

 

O motivo é que os salários em velhos polos produtivos de mão de obra baratíssima, como China e Tailandia, começaram a aumentar, conta a revista eletrônica mexicana Desinformémonos.

 

A tragédia de Bangladesh se soma a outras tantas – por exemplo, em novembro, 100 trabalhadoras morreram num incêndio na fábrica Tazreen Fashion, na mesma cidade de Daca, e em 2011 cerca de 300 pessoas foram queimadas vivas em um incêndio na fábrica Ali Enterprises, no Paquistão.

 

Especialistas que acompanham o assunto de perto alertam que a próxima tragédia pode acontecer no Camboja, outro novo polo de trabalhadores pagos a preço menor que o de banana.

 

 

País paupérrimo na fronteira com a Tailândia, ainda minado de bombas da Guerra do Vietnã, o Camboja entrou para o time dos emergentes há uns 20 anos, atraindo o “investimento” de diversas empresas atrás da fartura de trabalhadores baratos.

 

Já pressionada pelas barbaridades cometidas contra os trabalhadores chineses e indianos, a comunidade internacional através da ONU criou um programa em parceria com a iniciativa privada para melhorar as condições das fábricas no Camboja. Lançado em 2001, o programa se chama  Better Factories Camboia (BFC) e seu objetivo é monitorar e relatar as condições de trabalho nas indústrias de vestuário daquele país.

 

Segundo o site South East Asia Globe, acadêmicos da Universidade de Stanford e membros da organização de defesa dos direitos trabalhistas WRC divulgaram um relatório questionando abertamente o BFC. O  programa, informa o relatório, é bem intencionado, mas na verdade está servindo apenas para encobrir a realidade atrás de uma fachada de responsabilidade social das empresas,  já que não tem poder nenhum de fiscalização ou mesmo de relato fiel da situação. A verdade é que no Camboja há dezenas de fábricas funcionando sem condições mínimas de higiene, conforto e segurança, além da excessiva carga de trabalho.

 

 

Garimpagem de profissionais

domingo, 24 de setembro de 2017

 

Fonte: Innovia (http://www.innovia.com.br/blog/2012/01/27/profissoes-ultrapassadas-talvez-nao)

 

Ter jogado a educação para escanteio durante décadas custa caro ao Brasil. Não apenas em termos de desenvolvimento econômico e social de seus cidadãos.

 

A falta de educação também vem provocando uma enorme deficiência em mão de obra preparada. Hoje o país está crescendo, gerando milhares de vagas de trabalho de todo tipo e, para muitas delas, não há brasileiros capazes de assumir a tarefa. Resultado: as empresas acabam “importando” trabalhadores de outros países.

 

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O colunista Thomas Wood Jr., da revista Carta Capital, lembra que este verdadeiro “apagão” de profissionais qualificados ameaça novamente nosso crescimento, resultando em serviços públicos de baixa qualidade, gestão privada ineficiente e falta de mão de obra em todos os setores, principalmente na indústria.

 

Como a demanda por bons profissionais é grande e a oferta menor, há também uma reversão no movimento de brasileiros qualificados que saem do país em busca de salários maiores. Muitos brasileiros estão voltando para casa por causa da crise econômica que afeta os países ricos.

Porém, algumas profissões mais populares no Brasil ainda fazem sucesso lá fora.

A revista Trip trouxe uma reportagem contando sobre uma categoria de trabalhadores brasileiros que está fazendo o maior sucesso na Europa – e ganhando um bom dinheiro.

 

São os “lanterneiros” ou “funileiros” de automóveis. Com a crise, os europeus não conseguem mais trocar o carro por um modelo novo com a frequência de antes, sendo obrigados a reformar o automóvel antigo. Daí porque o chamado “martelinho de ouro” – que, em geral, é um profissional com mais prática do que teoria – passou a ser cada vez mais procurado naqueles países.

 

De acordo com a matéria da Trip, um dos funileiros brasileiros que mais investiu em sua carreira internacional, Rogerio Carmieto, postou um video no You Tube mostrando um pouco de seu trabalho. Intitulado “Talentos Martelinho de Ouro”, o video entremeia imagens de carros de luxo passando pelos seus instrumentos de lanternagem, com visões de rua da França e uma típica musiquinha ao fundo. Propaganda, como se sabe, é a alma do negócio. Veja o vídeo abaixo.

A foto acima é do blog da Innovia (http://bit.ly/WlzC0e)

 

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