QUAL O PROBLEMA COM NOSSA PERSONALIDADE ESPORTIVA?

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Sob pressão, em condições desfavoráveis, nossos esportistas geralmente amarelam ou caem barbaramente de produção.

Reparem no jogo contra a Bélgica, no qual houve até valentia coletiva. Fernandinho, depois do primeiro gol adversário, errava até passe lateral. Neymar se atrapalhou em 95% das jogadas, daquelas que ele normalmente acertaria até com o pé amarrado nas costas.

Personalidades esportivas como Pelé, Romário, Eder Jofre e María Esther Bueno são exceções em nossa história.

Não me parece ser apenas uma questão específica: corresponde a um traço de nossa cultura, herança da fusão entre o escravismo, o catolicismo e a colonização portuguesa.

São raros, muito raros, os momentos em que nosso povo aceitou a lógica da guerra, do confronto e da batalha de vida ou morte.

Afinal, a principal forma de luta dos escravos, desde os hebreus no Egito, é a busca da liberdade através da fuga, muito excepcionalmente o caminho se marcou pela tentativa de se apoderar do monopólio econômico e político dos senhores das terras.

O catolicismo, em situações de extrema miséria e desespero, geralmente induziu à moral passiva, do sacrifício como pedágio de uma vida melhor após a morte, da imutabilidade das coisas por desígnio divino.

A colonização portuguesa nos trouxe a cultura do escapismo, dos pequenos truques, da busca de saídas sempre acordadas e conciliatórias, próprias de um gigantesco império sustentado por um pequeno país sempre amedrontado.

A mistura de tudo isso nos deu uma certa capacidade de sobrevivência em cenários tão trágicos como o da fome e da miséria, mas sempre foi um obstáculo para que nosso povo se transformasse, como outros o fizeram, em uma pátria guerreira e sublevada contra os males que a afligem.

No esporte não é diferente. Menos ainda no futebol. Somos talentosos e criativos. Quando essas qualidades se impõem, tendemos a ser imbatíveis.

Mas sofremos muito, não raro pisamos na bola, quando o cenário se põe desfavorável, demandando que se agregue, ao talento e à criatividade, um certo sentido ético de pátria ou morte.

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Breno Altman é diretor editorial do site Opera Mundi.