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Um ano depois do terremoto seguido de tsunami que atingiu o Japão em 11 de março de 2011, a energia nuclear ainda é um dos temas mais debatidos. Isso porque, mesmo com mais de 13 mil mortes e 16 mil desaparecidos, a tragédia japonesa ainda é associada ao acidente nuclear causado pelo colapso da Central de Fukushima, no nordeste do país.
Dos seis reatores da central, quatro foram atingidos pela onda gigantesca, causando o vazamento de material radioativo nas áreas próximas e trazendo o tema nuclear novamente às discussões internacionais.
Para Leonam dos Santos Guimarães, membro do Grupo Permanente de Assessoria em Energia Nuclear do AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), no entanto, o medo em torno da produção de energia nuclear foi maximizado, o que prejudica o debate.
Divulgação
Consultor da AIEA afirma que o caso de Fukushima não pode ser considerado um "desastre"
Em entrevista a Opera Mundi, o engenheiro Naval e Nuclear afirmou que não considera o acidente de Fukushima um desastre, já que ele não gerou, de fato, nenhuma vítima. Para ele, os japoneses que morreram por conta do terremoto e do tsunami “são as verdadeiras vítimas”.
Opera Mundi - O acidente nuclear de Fukushima abriu um novo debate sobre a energia nuclear?
Leonam Magalhães – Sem dúvidas. O acidente de Fukushima aconteceu num momento em que a discussão sobre a energia nuclear em vários países do mundo estava bem evoluída. Havia o crescimento da percepção, nessas discussões, de que a energia nuclear tem um papel importante a desempenhar para atender as necessidades futuras da própria humanidade. Ainda mais em um contexto de preocupação com as questões climáticas e a redução de CO2. O acidente de Fukushima, de certa forma, representou a interrupção dessa discussão.
OM - Ou seja, o terremoto foi um marco negativo não apenas para o Japão, obviamente, mas também para o debate sobre a energia nuclear.
LM – Foi um marco bastante negativo. Mas com o passar do tempo, o acidente de Fukushima trouxe uma notícia muito simples para a indústria nuclear: acidentes sérios acontecem. A indústria nuclear, depois dos acidentes de Three Mile Island (1979), nos Estados Unidos, e em Chernobil (1986), na Ucrânia, fez um esforço muito grande para evitar que as falhas se repetissem. [No entanto], o acidente de Fukushima é um choque de realidade que indicou que acidentes podem acontecer e, neste caso, originou-se de um fenômeno natural excepcionalmente severo.
Wikicommons
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Imagem feita por satélite mostra a situação da Central logo após o incidente
OM - O Sr. considera que o acidente foi atípico ou o Japão não estava mesmo preparado para eventos desse tipo?
LM – O que foi atípico foi a severidade do fenômeno natural que aconteceu. Não existe registro histórico anterior de um fenômeno daquela intensidade ocorrendo em áreas densamente povoadas. É um caso único.
OM – Então, mesmo com as lições extraídas com os acidentes dos EUA e de Chernobil, não se poderia prever o acidente em Fukushima?
LM – Exatamente, porque esses acidentes foram causados essencialmente pelo homem, por falhas humanas. O caso de Fukushima, no entanto, foi um fenômeno natural muito acima daquilo para o qual a usina havia sido projetada. Essa lição de que acidentes acontecem está sendo implementada em todo o mundo, com uma preocupação maior em tentar identificar caso a caso quais seriam os eventos naturais extremamente severos que poderiam acontecer. Medidas de segurança adicionais estão sendo pensadas para fazer frente a essas situações.
OM - Mesmo diante de um cenário de catástrofe natural, o Sr. identifica erros das autoridades japonesas?
LM – Durante a gestão da crise é possível apontar uma série de deficiências que ocorreu na comunicação e também sobre decisões tomadas. Alguns pequenos detalhes [...] evitariam levar a central àquela situação. Por exemplo, Fukushima tem seis usinas e quatro delas foram atingidas. As outras duas não foram atingidas porque, como foram construídas depois, estavam em uma área um pouco mais alta e tinham geradores resfriados a ar.
O acidente de Fukushima mostrou que, quando os acidentes acontecem em reatores à água – característica de 80% do parque nuclear mundial –, as consequências não são tão catastróficas como se imagina. Não houve nenhuma vítima de radiação no acidente de Fukushima. As áreas que foram degradadas por contaminação superficial em longo prazo são mínimas.
OM - Mas e os trabalhadores que ficaram na usina?
LM – Morreram três trabalhadores por acidentes industriais. Um porque estava operando um guindaste no momento do terremoto e outros dois afogados quando o tsunami chegou. Não houve nenhum empregado que tenha sofrido os efeitos da radiação.
Não foi um desastre. O desastre aconteceu em relação aos 15 mil japoneses [N.R. mais de 13 mil confirmados] que morreram por conta do terremoto e do tsunami. Estas são as verdadeiras vítimas.
OM – Houve uma preocupação excessiva?
LM – Existe uma pré-disposição ao tema energia nuclear. É um assunto que tem um impacto psicológico enorme na sociedade. E houve uma superexposição desse tema durante o acidente que foi desproporcional ao estrago que ocorreu. [...] O problema é que o tema nuclear desperta o medo. E isso acontece por conta também do mimetismo em que as pessoas confundem usina nuclear com arma nuclear.
OM - A pressão que está sendo feita sobre o Irã por causo do programa nuclear aumentou após Fukushima?
LM – As pressões políticas e todo o contexto do Irã estão bem distantes desse problema. Mas, sem dúvidas, entre a população em geral, o tema nuclear, amplamente explorado em relação ao Irã, é naturalmente associado às armas, às usinas, ao acidente de Fukushima e sempre no sentido de causar medo. Esse medo decorre de uma política que foi desenvolvida durante décadas na Guerra Fria para fazer as pessoas temerem as bombas. [...]
[No entanto], o mundo não está abandonando a energia nuclear. Das dez maiores plantas nucleares do mundo, oito possuem previsão de crescimento.
OM - À época do acidente, falou-se sobre a possibilidade de cidades como Tóquio serem atingidas pela radioatividade...
LM – Isso é uma bobagem! As pessoas associam o acidente com Chernobyl, onde aconteceu espalhamento de material radioativo por longas distâncias. Nos reatores à água, caso de Fukushima, não há energia para espalhar esse material dessa forma. O pior cenário para este tipo de reator é que sua contenção vaze, mas isso ocorreria em uma área já conhecida. Tanto que o governo japonês atuou a tempo, aplicou seu plano de emergência e evacuou as áreas que poderiam ser afetadas.
OM - O atual primeiro-ministro japonês, Yoshihiko Noda, disse que o governo falhou, pois acreditavam no "mito da segurança nuclear".
LM – Nenhum país do mundo está preparado para enfrentar um fenômeno natural desse porte. Nem para um acidente nuclear envolvendo simultaneamente quatro usinas na mesma central. Entretanto, o fato de o acidente nuclear não ter gerado nenhuma vítima por radiação, demonstra que, mesmo não estando previamente preparado, o governo japonês teve uma atuação que propiciou esse fato.
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