Hoje na História: 1945 - Bombardeio britânico mata mais de 35 mil em Dresden

Centenas de aviões lançaram toneladas de bombas incendiárias em menos de 15 horas

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Max Altman (1937-2016), advogado e jornalista, foi titular da coluna Hoje na História da fundação do site, em 2008, até o final de 2014, tendo escrito a maior parte dos textos publicados na seção. Entre 2014 e 2016, escreveu séries especiais e manteve o blog Sueltos em Opera Mundi.

Atualizado em 07/02/2018 às 14:54


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Na madrugada do dia 13 de fevereiro de 1945, a cidade de Dresden sofre o mais brutal bombardeio aéreo da Segunda Guerra Mundial. O ataque só não foi mais agressivo do que os conduzidos por aviões britânicos e norte-americanos sobre Tóquio, Hiroshima e Nagasaki.

A cidade era considerada um centro de comando vital para a defesa da Alemanha contra as forças soviéticas que se aproximavam pelo leste. Era também o núcleo de uma rede ferroviária que ligava o leste e o sul do país com Berlim, Praga e Viena.

800 aviões da RAF (Royal Air Force) lançaram 600 mil bombas incendiárias e 16 toneladas de explosivos de grande potência. Mais além, em meio a pouquíssimo fogo anti-aéreo, também foram disparadas centenas de bombas de oito toneladas.

Tão logo uma parte da cidade ficou em chamas, os bombardeiros alvejaram outra região. Em pouco tempo, toda a cidade ficou em cinzas. O mesmo número de bombardeiros voou até Chemnitz, sudoeste de Dresden, para atacar ferrovias e fábricas. Uma grande ponte rodoviária que cortava o Reno foi destruída.

O jornal The Times contabilizou a perda de 19 aviões, 98 locomotivas e 185 vagões germânicos. A RAF atacou também refinarias de petróleo em Nuremberg, Bonn e Dortmund.

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Cidade de Dresden após o bombardeio britânico

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A operação era de tal proporção que Churchill, responsável pelo Comando Bombardeiro, tentou dissociar-se dela. Em 28 de março, enviou um memorando ao Estado Maior, denunciando o bombardeio de cidades como “meros atos de terror e destruição gratuitos”.

Entretanto, desde o começo do conflito, o primeiro-ministro britânico confiou ao comando da RAF a missão de destruir os lugares estratégicos do inimigo. Queria, dessa maneira, elevar a moral de seus concidadãos, duramente afetada pelos ataques aéreos sobre as cidades inglesas.

O Comando Bombardeiro havia lançado ataques apenas sobre locais estratégicos, isto é, zonas industriais e nós ferroviários e rodoviários. Esses ataques dirigidos se revelavam cada vez mais custosos e ineficazes.

O primeiro-ministro nomeia então o general Arthur Harris para a chefia do comando e, em fevereiro de 1945, autoriza o bombardeio maciço às zonas urbanas. Churchill esperava logo de início levantar a população alemã contra Hitler.

Seria lançado um total de 1,35 milhão de toneladas de bombas sobre a Alemanha pelos anglo-saxões. Um relatório norte-americano estimou em 305 mil o número de mortos e em 780 mil os feridos.

Dresden marcou o paroxismo dessa estratégia. A antiga capital do reino da Saxônia era conhecida como a "Florença do Elba" em razão de suas riquezas artísticas e culturais. Nas últimas semanas da guerra, o afluxo de refugiados elevou sua população de 600 mil a um milhão de habitantes.

O bombardeio de 13 e 14 de fevereiro sobreveio mesmo quando esses refugiados tentavam se esconder dos horrores e do caos terrível da guerra.

No total, em quinze horas, sete mil toneladas de bombas incendiárias caem sobre Dresden, destruindo mais da metade das habitações e um quarto das zonas industriais.

Uma grande parte da cidade ficou reduzida a cinzas, bem como cerca de 35 mil pessoas. Apenas 25 mil seriam identificadas. Muitas das vítimas desapareceram como fumaça sob o efeito de uma temperatura frequentemente superior aos 1000°C.

A estimativa atual de 35 mil mortos é resultado de um trabalho de uma comissão de historiadores nomeada pela cidade de Dresden. O pesquisador alemão Jörg Friedrich, que não era tendencioso em favor dos Aliados, estimou em 40 mil o número de mortos em seu Der Brand (O incêndio).

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