Hoje na História: 1825 - Morre o economista e filósofo francês Saint-Simon

Pensador lançaria as sementes do pensamento socialista moderno

 

No dia 19 de maio de 1825, morre em Paris Claude Henri de Rouvroy, economista e filósofo francês mais conhecido como conde de Saint-Simon. Suas ideias influenciariam a maioria dos filósofos do século XIX.

Foi ele o pensador da sociedade industrial francesa que estava em vias de substituir o antigo regime. Segundo o historiador André Piettra, ele foi “o último dos fidalgos e o primeiro dos socialistas”.

Jovem inquieto, recebeu ensinamentos do enciclopedista d’Alembert e do filósofo Rousseau. Adepto das ideias novas, o jovem aristocrata se alista aos 17 anos no exército de libertação dos EUA ao lado de Lafayette e de Rochambeau.

Durante a Revolução Francesa, enriquece com a venda dos bens da Igreja. Em1798, com o dinheiro ganho, instala-se num apartamento em frente à Escola Politécnica. Sob a influência de Jean Burdin, frequenta o curso de física. Mais tarde, muda-se para as proximidades da Escola de Medicina, onde cursa disciplinas de biologia e fisiologia.

Saint-Simon desejava, na realidade, dar um sentido comum à ciência e unificar os princípios científicos. Em 1803, escreve a Carta de um habitante de Genebra aos seus contemporâneos – um elogio à ciência, colocada quase como uma nova religião.

Dono de saber eclético, imerso em seus contatos com cientistas, mas, sobretudo, com ideólogos, elabora uma filosofia pregando o progresso da humanidade pela indústria. Em 1817, publica A Indústria, que já levanta a questão da política positiva. Nesse mesmo ano, Auguste Comte, recém-formado na Escola Politécnica, torna-se seu secretário particular e o auxilia na redação de obras filosóficas e artigos de imprensa.

Herdeiro do Iluminismo e de Rousseau, Saint-Simon encontra-se entre os grandes utopistas do século XIX. Autor de numerosas obras, entre as quais O Novo Cristianismo (1825), se apresenta como o profeta de uma nova religião fundada na fraternidade e na fé em meio ao progresso e à industrialização. No primeiro número de sua revista O Organizador (1819), publica uma célebre parábola em que opõe a utilidade social dos produtores e dos sábios à inutilidade dos dirigentes políticos, religiosos e militares.

O saintsimonismo iria exercer uma profunda influência sobre a elite francesa do Segundo Império. Dessa filosofia partiriam o próprio Comte, fundador do positivismo, os banqueiros Jacob e Isaac Pereire, organizadores do crédito na França, o politécnico Michel Chevalier, redator do Tratado de Livre Mercado de 1860, e Prosper Enfantin, outro politécnico que convenceu Ferdinand de Lesseps a construir o Canal de Suez.

Saint-Simon desenvolveu uma teoria de classes sociais em que opõe uma maioria explorada de trabalhadores a uma minoria de exploradores, que são os ociosos, os proprietários rentistas e, de modo geral, aqueles que não empreendem.

Expõe sua concepção social em diversas publicações, particularmente em Le Système Industriel, em 1821, e em Le Catéchisme des industriels, em 1823. Considerava que a idade de ouro estava por vir e se assentaria na perfeição da ordem social de um capitalismo de abundância e de riqueza em proveito de todos.

Era favorável a um “Conselho de Luizes” constituído de sábios, artistas, artesãos, donos de empresas capazes de privilegiar os fatos e o fundo em detrimento dos princípios e da forma. De outra parte, entendia que governar não era uma particularidade e que a política deveria se limitar a aspectos do sistema econômico.

A proximidade socialista de Saint-Simon notava-se pela tendência à organização e à planificação, em especial no seu projeto de “melhoria geral do território da França” voltado a enriquecer o país e a levar, em seguida, a uma melhoria das condições de vida de todos. Seu objetivo era a elevação moral do proletariado graças a uma organização das riquezas pelos próprios capitalistas. As concepções de Saint-Simon prenunciaram os temas fundamentais do socialismo moderno.

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Foto:

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