Hoje na História: 1863 - Morre Eugène Delacroix, um dos maiores mestres da pintura francesa

Pintor seria aceito pelo Instituto de Belas Artes somente em 1857, após 20 anos de trabalhos e exposições

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Max Altman (1937-2016), advogado e jornalista, foi titular da coluna Hoje na História da fundação do site, em 2008, até o final de 2014, tendo escrito a maior parte dos textos publicados na seção. Entre 2014 e 2016, escreveu séries especiais e manteve o blog Sueltos em Opera Mundi.

No dia 13 de agosto de 1863, Ferdinand Victor Eugène Delacroix, o mais importante representante do romantismo francês, morre em Paris.  Na sua obra convergem a voluptuosidade de Rubens, o refinamento de Veronese, a expressividade cromática de Turner e o sentimento patético de Gericault.


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Nascido em Saint-Maurice em 26 de abril de 1798, Delacroix não demonstrava na infância uma grande inclinação para a pintura. Após sólidos estudos no liceu Louis-le-Grand, exibia um dom geral para a arte, em especial a música. Em 1815, quando fazia da música seu estudo preferido, desejou adquirir algumas noções de pintura. Apresentado por um tio, recebeu aulas no ateliê do pintor Guerin. Uma de suas primeiras telas, Damas Romanas se Desnudando pela Pátria (1818), despertou algum interesse. Ganhava à época algum dinheiro em serviços diversos e, em 1819, tornando-se órfão, entrou em grandes dificuldades financeiras.

Em 1822, envia a um salão de exposições seu Dante e Virgílio, que conquista o maior sucesso que um artista poderia algum dia desejar. Mesmo cativando admiração entusiástica, o desencadear de críticas injustas o faz ficar em último lugar no concurso pelo prêmio de Roma, em 1822. Diante desse fracasso, não conseguiu parar de ganhar a vida com caricaturas e litografias, mas, ao mesmo tempo, permaneceu entregue à pintura com energia crescente. Em 1824, expõe O Massacre de Quios, que acentua a impressão causada em seu primeiro salão.

Theophile Gautier fala dele com grande admiração. No entanto, Delécluze, Beyle e Thiers apresentam restrições: para um, ele torna horrível a cena de horror; para outro, tem pouca preocupação com o belo; para o terceiro, a preocupação de evitar o acadêmico o fez fugir de uma linha simples e harmoniosa. Desta época, datam Tasso no Hospício, O Imperador Justiniano Compondo seus Institutos, Marino Faliero, além de litografias de Fausto que lhe renderam fervorosos elogios de Goethe.

Em 1828, com a apresentação de A Morte de Sardanapalo, as críticas voltam a se acentuar: “Eugène Delacroix tornou-se o centro dos escândalos das exposições” e “a maior parte do público acha esse quadro ridículo”, disse o crítico M. Vitet à época. () “Que o senhor Delacroix se lembre que o gosto francês é nobre e puro e que cultive antes Racine que Shakespeare”, acrescentou o jornal Moniteur universel.  “O olho não consegue destrinchar a confusão de linhas e cores. O Sardanapalo é um erro de pintor”, criticou Delécluze.

Enquanto isso, após uma desavença momentânea com o Diretor de Belas-Artes, é encarregado pelo ministro do Interior de pintar A Morte de Charles, o Temerário. O duque Louis-Philippe d'Orléans também lhe encomendaria Richelieu Oficiando a Missa. Do mesmo ano são A Batalha de Nancy e outras pinturas religiosas e retratos.

No Salão de 1831, O Bispo de Liege recupera as discussões com A Liberdade Guiando o Povo. Seja como for, esta exposição teve um resultado apreciável e Delacroix sai consagrado. Começa então a produzir uma série de telas representando batalhas, como Poitiers, Taillebourg (1831), seguida de quadros históricos como Charles V no Mosteiro de Saint-Just, Boissy d'Anglas e Mirabeau e Dreux-Brézé.

Em 1832, Delacroix deixa Paris buscando renovar inspiração. Atravessa o Marrocos, retorna à Espanha e é a essas viagens que se deve A Fantasia Árabe, Reencontro de Cavaleiros Mouros e Mulheres de Argel em Seu Apartamento. Nos anos que se seguem surge uma produção desenfreada, parecendo que Delacroix empreendera o sublime desafio de acumular obras primas. Somente em 1857, após 20 anos e centenas de telas, é que o Instituto de Belas Artes lhe abre as portas.

Delacroix permanence como um dos pintores mais prolíficos do século XIX. Esta fecundidade extraordinária tem sua analogia na própria natureza de sua obra que une a erudição de pintor histórico, a profundidade de psicólogo e a fogosidade das paixões humanas. A maestria com os efeitos de luz, a disposição harmoniosa das linhas, o esplendor da composição encobre aqui e ali uma pequena negligência, que aparece para nos lembrar que a perfeição absoluta não é possível. É com justiça que Delacroix é apontado como o mestre da escola francesa.

 

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