Hoje na História: 1917 - Finlândia obtém independência da Rússia

País permaneceu oito séculos dominado por vários países; hoje é referência em qualidade de vida e tecnologia
Max Altman (1937-2016), advogado e jornalista, foi titular da coluna Hoje na História da fundação do site, em 2008, até o final de 2014, tendo escrito a maior parte dos textos publicados na seção. Entre 2014 e 2016, escreveu séries especiais e manteve o blog Sueltos em Opera Mundi.

Atualizada em 06/12/2017, às 10h


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Em 6 de dezembro de 1917, a Finlândia se emancipa da Rússia e proclama a independência ao se aproveitar das desordens provocadas pela Grande Guerra (1914-1918) e as Revoluções Russas de 1917 (a de Fevereiro e a Bolchevique).

A data de 6 de dezembro torna-se a festa nacional da Finlândia, como recordação de uma independência caramente conquistada. Já o o 28 de fevereiro é a ocasião de celebrar a identidade finlandesa, em razão do aniversário da publicação do Kalevala: a epopeia nacional da Finlândia, escrita/compilada por Elias Lönnrot de uma extensa coleção de antigas canções populares que permaneceram vivas na tradição oral das populações finlandesas.

A Finlândia – em finlandês ‘‘Suomi’’ ou ‘‘País dos Mil Lagos’’ – foi inicialmente povoada pelos lapões, depois ocupada no começo da era cristã por nômades aparentados aos estonianos e húngaros. Legaram ao país um idioma bastante particular do grupo linguístico fino-úgrico, próximo do mongol e do turco.

Os suecos e seu rei Érico IX, o ‘‘Santo’’, ocuparam o país em 1157 e o evangelizaram. De início mostraram-se respeitosos dos direitos dos finlandeses mas tiveram dificuldades em mantê-los à distância da cobiça russa.

Na era napoleônica, a Suécia teve de ceder a Finlândia ao czar Alexandre I em virtude do Tratado de Hamina ou Fredrikshamm de 17 de setembro de 1809. O país tornou-se desde então um grão-ducado autônomo sendo os czares da Rússia seus titulares.

Helsinque, fundada em 1550 pelo rei sueco Gustavo Vasa, é erigida em 1812 capital do grão-ducado em lugar de Turku, antiga cidade medieval, ela também fundada pelos ocupantes suecos. O nome da atual capital é uma versão finlandesa do sueco Helsingfors que significa ‘‘a cascata de Helsingar’’.

Alexandre II, um csar com um destino emocionante, comprova em relação aos finlandeses assim como aos seus outros súditos uma notável abertura de espírito. Sob seu reinado, desenvolve-se uma literatura nacional.

Em 28 de fevereiro de 1835, um médico do interior do país, de 33 anos, Elias Lönnrot, publica uma coletânea de 32 cantos inspirados nos contos gtradicionais da Carélia sob o título de Kalevala, o País dos Herois. Esta coleção passa a ser a pedra fundamental da cultura finlandesa. Dois grandes artistas, o pintor Akseli Callen-Kallela (1865-1931) e o compositor Jean Sibelius (1865-1957) tiveram nela uma fonte de inspiração de boa parte de sua produção artística.

Como testemunho de reconhecimento ao ‘‘czar liberador’’ Alexandre II, os finlandeses erigiram uma estátua na praça do Senado, em Helsinque. Esta seria uma das raras estátuas do czar ainda em pé em todo o mundo. Uma outra estátua de Alexandre II pode ainda ser vista em Sofia, capital da Bulgária.

Otso Kivekäs/Wikimedia Commons


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Em 20 de julho de 1906, o neto de Alexandre II, o czar Nicolau II, às voltas com enormes dificuldades de governo, concede aos finlandeses algumas liberdades fundamentais, como o direito de voto para as mulheres. Foi uma das primeiras iniciativas neste campo no território europeu.

Tornando-se totalmente independente em 6 de dezembro de 1917, depois de oito séculos de tutelas as mais diversas, o país teve de se deparar com uma tentativa de tomada do poder pelos bolcheviques finlandeses, aliados dos russos. Seguiu-se uma guerra civil que durou vários meses. As tropas finlandesas, comandadas pelo general barão Carl Gustaf von Mannerheim, conseguiram impor-se aos guardas vermelhos bolcheviques em Vyborg em 30 de abril de 1918. A independência da Finlândia tornava-se definitiva.

Contudo, os finlandeses cometem a imprudência de coroar como seu rei um príncipe alemão, Frederic Charles de Hesse, um mês antes do armistício de 11 de novembro de 1918, que pôs termo à I Guerra Mundial com a derrota da Alemanha. Após a Grande Guerra, o rei foi obrigado a abdicar ante a forte reação dos Aliados. Mannerheim assumiu a regência em uma tentativa de solução de emergência. Finalmente, ele próprio teve de sair de cena em 17 de julho de 1919 com a Proclamação da República.

Em 1940, Stálin tira partido do Pacto de Não-Agressão Molotov-Ribbentrop para atacar a Finlândia sem prévia declaração de guerra.

Após a dolorosa e terrível ‘‘Guerra de Inverno’’, a Finlândia acaba por assinar o Tratado de Moscou de 12 de março de 1940, cedendo à União Soviética a província oriental do país, a Carélia, que até os dias de hoje faz ainda parte da Rússia.

Porém, nos meses que se seguiram, a Finlândia comete um outro grave erro de cálculo. Pretendendo uma revanche contra os soviéticos, alinha suas tropas às de Hitler durante a invasão da União Soviética em junho de 1941.

Após a derrocada do nazismo e o triunfo da União Soviética, a Finlândia escapa de uma anexação pura e simples à União Soviética. Por força do Tratado de Paris de 10 de fevereiro de 1947, ela recobra sua independência, amputada da península da Carélia, devendo, no entanto, se resignar a coordenar sua política exterior àquela de Moscou em troca da preservação de suas instituições democráticas, o que passou a se chamar, até o fim da Guerra Fria, como a política de ‘‘finlandização’’.

A partir de 1º de janeiro de 1995, a Finlândia passou a fazer parte da União Europeia. Pequeno, porém próspero país de 5,35 milhões de habitantes, com uma densidade populacional de 17 habitantes por quilômetro quadrado,  é o terceiro país mais escassamente povoado da Europa, depois da Noruega e da Islândia e um dos melhores índices de qualidade de vida. 

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