Hoje na História: 1911 - Morre compositor austríaco Gustav Mahler

Ele Soube sintetizar a lição de seus mestres – Beethoven, Wagner, Bruckner – levando a linguagem sinfônica clássica a um ponto de não retorn
Max Altman (1937-2016), advogado e jornalista, foi titular da coluna Hoje na História da fundação do site, em 2008, até o final de 2014, tendo escrito a maior parte dos textos publicados na seção. Entre 2014 e 2016, escreveu séries especiais e manteve o blog Sueltos em Opera Mundi.

Atualizado em 19.mai.2015, às 6h

Gustav Mahler, compositor, pianista e maestro austríaco, morre em Viena em 19 de maio de 1911, aos 50 anos. Está enterrado no cemitério de Grinzing.

Célebre como regente, seu nome permanece ligado hoje a sua obra como compositor, cuja dimensão orquestral e originalidade musical estendem uma ponte entre o fim do século XIX e o período moderno. É autor de dez sinfonias e diversos ciclos de lieder.

Mahler nasce em 7 de julho de 1860 numa modesta família judaica em pequena cidade da Boêmia. Muito cedo, já na Morávia, revela seus dons musicais. Em 1875, é admitido no conservatório e depois na Universidade de Viena. Estuda piano com Julius Epstein e ao mesmo tempo assiste às conferências ministradas por Anton Bruckner.

Desde a juventude, o misticismo católico atrai bastante a Mahler enquanto os ritos judaicos o deixam indiferente. Ele se faz batizar em Hamburgo no começo de 1897 mas a questão judaica o toca de perto quando Cosima Wagner lhe cria obstáculos enquanto reverencia e defende seu marido Richard Wagner, declaradamente antissemita. Sua música seria banida pelo III Reich nazista. “Eu sou três vezes apátrida. Como nativo da Boêmia na Áustria, como austríaco na Alemanha, como judeu em toda a parte”, dizia.

Em novembro de 1901, Mahler, então diretor da Ópera de Viena e compositor célebre, encontra Alma Schindler, 19 anos mais jovem. Saída de um meio culto e excelente pianista, a jovem era interessada na arte e estuda composição. Fascinada por sua beleza, Mahler com ela se casa em 1902. Alma metamorfeia a vida do compositor e graças a ela conhece artistas eminentes como o poeta Gerhart Hauptmann, os pintores Gustav Klimt e Kolo Moser e o líder da vanguarda musical vienense Arnold Schönberg.

Duas filhas nascem em 1902 e 1904, Maria e Anna. Em 5 de julho de 1907, a mais velha, Maria, enferma de escarlatina, vem a falecer. Em 1910 uma crise se estabelece entre o casal e Alma sucumbe ao charme do arquiteto Walter Gropius. Desorientado, Mahler chega a consultar Sigmund Freud.

Durante uma viagem aos Estados Unidos, onde dirigiu a Orquestra Filarmônica de Nova York, contrai em fevereiro de 1911 uma infecção generalizada. Gravemente doente, deixa Nova York para ser tratado em Paris. Pede para regressar a Viena onde morre de endocardite em 19 de maio de 1911, deixando inacabada sua 10ª Sinfonia.

A primeira composição importante de Mahler foi um fracasso. Esse revés o leva a reorientar a carreira para a regência orquestral. Dirige a Ópera Alemã de Praga, onde suas interpretações de Mozart, Beethoven e Wagner lhe valem os primeiros triunfos.
 

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Nomeado para a Ópera Imperial de Budapeste em 1888, compõe sua primeira sinfonia em 1889. A excepcional qualidade de suas interpretações provoca entusiasmo em Brahms para quem “tal nível é inconcebível em Viena”.

Em seguida, é nomeado regente titular da Ópera de Hamburgo em 1891 lá permanece até 1897, seu primeiro posto de longa duração.

Em 1897, Mahler, com a ajuda de Brahms, torna-se diretor artístico da prestigiosa Ópera de Viena, onde estreia com Lohengrin em 11 de maio de 1897.

Passa os dez anos seguintes em Viena e adquire a reputação de perfeccionista. Durante esse período alterna a regência com a composição.

Afetado pela doença cardíaca, perde seu emprego em Viena, depois de ter defendido suas próprias obras. Esse triplo golpe da fortuna, Mahler havia antecipado no final de sua 6ª Sinfonia, simbolizando três golpes do destino abatendo o heói e o mergulhando na desesperança. Foi preciso esperar até 1910 para encontrar um verdadeiro sucesso de público com sua 8ª Sinfonia, à qual assistem na estreia em Munique, em 12 de setembro, os maiores artistas e escritores da época, como Thomas Mann.
Mahler recebe uma oferta para dirigir a Metropolitan Opera em Nova York. Dirige a temporada de 1908 e é substituído a seguir por Arturo Toscanini. Volta a Nova York, rege a Orquestra Filarmônica, encontrando tempo para concluir a 9ª Sinfonia.

A música de Mahler está ancorada na tradição austro-alemã, aquela de Bach, da escola de Viena de Haydn, de Mozart, Beethoven e Schubert e na geração romântica de Schumann, Brahms e Mendelssohn, mas sobretudo em Liszt e Bruckner, cujas vastas sinfonias de temática metafísico-existenciais antecipam as suas. Entretanto, a influência decisiva veio de Wagner, a única música “que possuía realmente um ‘desenvolvimento’”.

A música de Mahler combina influências românticas com a utilização da música popular vienense ou austríaca e a arte contrapontista, empregando recursos de orquestra sinfônica.

Era obcecado em ser o herdeiro de Beethoven. Carregando a ideia obsessiva de escrever uma sinfonia que levasse o número 9, declarava que cada uma de suas sinfonias era uma ‘nona’, com tanto impacto e importância quanto a Ode à Alegria. Esses aspectos levaram os críticos a considerar sua música como excessivamente enfática.

Portanto, fosse qual fosse a duração de suas obras ou as exigências para a sua execução, constituem sempre uma demonstração de orquestração magistral que mesmo seus detratores eram obrigados a reconhecer. A delicadeza da orquestração, sua inventividade, o fato que os timbres eram parte integrante da composição fazem de Mahler um herdeiro direto de Hector Berlioz.

Mestre de um romantismo crepuscular que fez ingressar na modernidade, foi um compositor que sintetizou a lição de seus mestres – Beethoven, Wagner, Bruckner  – levando a linguagem sinfônica clássica a um ponto de não retorno.

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