Hoje na História: 1895 - Morre o compositor austríaco Franz von Suppé

Algumas de suas obras são até hoje aproveitadas como trilha sonora de filmes, desenhos animados e propagandas

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Max Altman (1937-2016), advogado e jornalista, foi titular da coluna Hoje na História da fundação do site, em 2008, até o final de 2014, tendo escrito a maior parte dos textos publicados na seção. Entre 2014 e 2016, escreveu séries especiais e manteve o blog Sueltos em Opera Mundi.

Atualizado em 04/05/2018 às 15h18


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Franz von Suppé, compositor austríaco de óperas ligeiras e regente em um período romântico notabilizado por suas dezenas de operetas, morre em Viena em 21 de maio de 1895, tendo sido enterrado no cemitério Zentralfriedhof.

Os pais de Suppé deram-lhe o nome de Francesco Ezechiele Ermenegildo Cavaliere di Suppé-Demelli quando nasceu em 18 de abril de 1819, em Split, Dalmácia, no Império Austríaco (atual Croácia). Seus ancestrais belgas haviam emigrado para lá no século XVIII. Seu pai – de ascendência italiana e belga – era funcionário do Império Austríaco, como havia sido o avô. A mãe de Suppé era vienense de nascimento. Tinha parentesco distante com Gaetano Donizetti. Simplificou e germanizou seu nome em Viena e mudou o “Cavalieri di” para “Von”. Fora dos círculos germânicos, seu nome aparecia nos programas como Francesco Suppé-Demelli.

Passou a infância em Zadar, onde recebeu as primeiras lições de música, tendo começado a compor com pouca idade. Fora encorajado pelo pai para a música, porém quem o ajudou foi o maestro da banda local e o maestro do coro da catedral de Spalato.

Sua Missa dalmática data desse período inicial. Como adolescente em Cremona, Suppé estudou flauta e harmonia. Sua primeira composição foi uma Missa Católica Romana que estreou na igreja franciscana de Zadar em 1832. Aos 16 anos mudou-se para Pádua a fim de estudar direito – um campo de estudo não escolhido por ele – no entanto continuou a estudar música. Suppé foi também cantor, tendo feito sua estreia como ‘basso profundo’ no papel de Dulcamara na ópera “O Elixir do Amor”, de Donizetti, no teatro Sopron em 1842.

Foi convidado a ir a Viena por Franz Pokorny, diretor do Theater in der Josefstadt. Na capital austríaca, depois de estudar com Ignaz von Seyfried e Simon Sechter, chegou a reger a orquestra local, sem ser remunerado de início, mas tendo a oportunidade de apresentar suas próprias óperas.

Suppé compôs músicas para mais de cem produções no Theater in der Josefstadt bem como no Carltheater em Leopoldstadt e no Theater na der Wien. Encenou também algumas produções operísticas importantes como “Os Huguenotes”, de Meyerbeer, em 1846.
 

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Duas das operas cômicas de Suppé – “Bocaccio” e “Donna Juanita” – foram levadas ao palco do Metropolitan Opera em Nova York, mas não foi bem sucedido em incluí-las no repertório da casa. Compôs cerca de 30 operetas e 180 farsas, balés e outros trabalhos cênicos.

Embora a maior parte das óperas de Suppé tenha mergulhado numa relativa obscuridade, as aberturas “O Poeta e o Camponês” (1846) e a “Cavalaria Ligeira” (1866) sobreviveram com enorme sucesso e foram aproveitadas em todo tipo de trilha sonora para filmes, desenhos animados e propaganda, além de terem sido frequentemente executadas em concertos sinfônicos populares ao ar livre.

Algumas das óperas de Suppé ainda são regularmente encenadas na Europa. O crítico musical Peter Branscombe, escrevendo para o New Grove Dictionary of Music and Musicians, classificou a canção de Suppé “Das Ist Mein Österreich” (“Isto é minha Áustria”) como o segundo hino nacional do país.

Suppé manteve vínculos com sua nativa Dalmácia, visitando ocasionalmente Split, Zadar e Sibernik. Alguns de seus trabalhos estão ligados à Dalmácia, em particular sua opereta “O Regresso do Marinheiro”, cuja ação tem lugar em Hvar.

Após retirar-se da regência, Suppé continuou a escrever óperas, porém mudou seu foco para a música sacra. Compôs um requiém para o diretor Franz Pokorny, três missas, canções, sinfonias e aberturas.

A natureza descritiva das aberturas de Suppé foi trilha sonora de numerosos desenhos animados: “Manhã, Meio-dia e Tarde em Viena” era o tema central do desenho “Baton Bunny”, do Pernalonga. Pequeno fragmento dessa obra é reconhecido como inspiração para o tema musical de Dudley Do-Right. “O Poeta e o Camponês” aparece no desenho animado de Popeye, “A Abertura Espinafre” (1935) do estúdio Fleischer. A abertura de “Cavalaria Ligeira” foi usada por Disney em 1942 para o desenho de Mickey Mouse, “Hora Sinfônica”.

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