Hoje na História: 1945 - Pilotos japoneses receberam primeira ordem para se tornar um kamikaze

Blitz dos kamikazes revelavam o desespero do Japão nos meses finais da Segunda Guerra Mundial no Pacífico
Max Altman (1937-2016), advogado e jornalista, foi titular da coluna Hoje na História da fundação do site, em 2008, até o final de 2014, tendo escrito a maior parte dos textos publicados na seção. Entre 2014 e 2016, escreveu séries especiais e manteve o blog Sueltos em Opera Mundi.

Em 5 de janeiro de 1945, pilotos japoneses receberam a primeira ordem para se tornar um kamikaze – Vento Divino, em japonês. A blitz dos kamikazes revelava o desespero do Japão nos meses finais da Segunda Guerra Mundial no Pacífico. A maior parte dos pilotos de ponta havia morrido, e pilotos jovens precisavam de pouco treinamento para fazer explodir seus aviões carregados de explosivos contra navios aliados. Em Okinawa conseguiram afundar 30 navios em que morreram cerca de 5 mil marinheiros norte-americanos.


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O termo kamikaze foi utilizado originalmente pelos estadunidenses para referir-se aos ataques suicidas efetuados por pilotos de uma unidade especial da Armada Imperial Japonesa contra embarcações da frota dos Aliados no final da Segunda Guerra Mundial. Os ataques pretendiam deter o avanço dos aliados no Oceano Pacífico e evitar que chegassem às costas japonesas. Aviões carregados com bombas de 250 quilos impactariam contra os objetivos com o fim de afundá-los ou avariá-los severamente.

A origem do mito kamikaze data do século 13, quando uma frota procedente da Mongólia, sob o comando de Kublai Kahn, se aproximou da costa japonesa com o fim de invadir o país. Afortunadamente, um tufão arrasou a frota invasora. Dito tufão foi chamado de Vento Divino, como sinal de que o Japão era o eleito pelos deuses a garantir sua segurança e sobrevivência.

O Japão viveu um crescimento acelerado durante a dinastia Meiji, pasando de país agrário a uma potência industrializada, enfocado no desenvolvimento da tecnologia. Criou um exército forte e moderno, o que levou a uma forte militarização do país. Baseado no modelo colonialista europeu, empreendeu uma quantidade de conflitos armados no continente asiático como a Primeira Guerra Sino-Japonesa de 1894, a Guerra Russo-Japonesa de 1904-1905 e a Segunda Guerra Sino-Japonesa de 1937.

Durante o verão de 1941, Estados Unidos, Reino Unido e Holanda exerceram embargo petroleiro como protesto contra a ocupação japonesa da China. Fracassados os esforços diplomáticos, o Imperador deu ordem para atacar Pearl Harbor em 7 de dezembro. No dia seguinte os Estados Unidos declararam guerra ao Japão.

Nos 6 meses seguintes, o Japão havia conseguido quase todos os seus objetivos navais, tendo afundado ou danificado seriamente importante quantidade de barcos inimigos.

Porém, em 5 de junho de 1942, bombardeiros estadunidenses avistaram uma poderosa  força japonesa e afundaram 4 de seus melhores porta-aviões, um encouraçado e 275 aviões durante a Batalha de Midway, a um custo de um só porta-aviões, o Yorktown. Foi uma vitória decisiva e marcou o ponto de inflexão na Guerra do Pacífico.

Depois de Midway, as forças dos Estados Unidos iniciaram um avanço implacável. Rapidamente os aviões de combate japoneses se viram superados tanto em número como em características técnicas pelos novos aviões norte-americanos. Somente durante a Batalha do Mar das Filipinas, os japoneses perderam mais de 400 aviões e pilotos.

Wikicommons

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Desde 1942, vozes dentro do exército japonés defenderam o recurso a táticas suicidas para tratar de reverter a situação. Um dos principais opositores era o vice-almirante Yokoi. Eram 3 os motivos fundamentais: alto custo para adestrar um piloto e destruir o avião em uma única missão; os aviões não teriam força para destruir um porta-aviões a menos que se estrelasse contra a pista coalhada de aviões; dificuldade de analisar os resultados.

Finalmente, em meados de 1944, o primeiro-ministro Hideki Tojo deu instruções para que os Corpos de Ataque Aéreo organizassem uma unidade especial, que daría nascimento aos kamikazes.

Os japoneses estavam profundamente influenciados por sentimentos ultra-nacionalistas. Em outubro de 1944, o Nippon Times citou o comandante Sekio Nishina: “O espírito da Unidade de Ataque Especial é o grande espírito que corre pelo sangue de todo japonês. A ação de espatifar-se que simultaneamente mata o inimigo e o piloto é chamado Ataque Especial [...] Todo japonês é capaz de converter-se em membro dessa unidade.”

Antes da saída do piloto eram levadas a cabo cerimônias nas quais se lhe entregava a bandeira do sol nascente – insignia da frota naval – com inscrições espirituais, uma pistola e geralmente era oferecido uma taça de sakê ou de chá antes de decolar.

Um grupo especial de ataque suicida formado por caças Zero, carregados com bombas de 250 kg, realizou a primeira missão oficial bem-sucedida, quando a Unidade Shikishima localizou a noroeste da ilha de Suluan uma esquadra norte-americana. O primeiro avião impactou contra um porta-aviões, o mesmo com o segundo, e o navio afundou. O terceiro piloto atirou-se contra outro porta-aviões e o incendiou. O quarto piloto alvejou um cruzador e o afundou.

Desde começos de 1945, os chefes militares discutiam como deter o implacável avanço dos aliados. Após a queda de Iwo Jima, a invasão do territorio nipônico era questão de tempo. As operações suicidas então não só se incrementaram como se coordenou pela primeira vez ataques conjuntos das forças navais e aéreas. Pelo menos 1450 kamikazes saíram das bases japonesas, causando baixa de pelo 5 mil combatentes aliados, as baixas mais numerosas das forças norte-americanas em uma só batalha, Okinawa.

Depois dos dramáticos bombardeios atômicos sobre Hiroshima (6 de agosto) e Nagasaki (9 de Agosto) e a entrada da União Soviética na Guerra do Pacífico, o alto comando começou a preparar a rendição incondicional do Japãp.

Na madrugada de 15 de agosto, o vice-almirante Matome Ugaki convocou 11 bombardeiros para efetuar o último ataque suicida contra a frota inimiga. Quatro desses aviões não conseguiram decolar.

Não há um consenso quanto as cifras definitivas de barcos afundados debido a ação dos kamikazes. Alguns historiadores incluem navios afundados debido aos ataques kaiten (torpedos), pelo que os números vão desde os 34 até os 57 barcos afundados. Uma das listas mais completas e documentadas são as do historiador norte-americano Bill Gordon, quem asegura que a cifra mais exata é de um total de 49 navios afundados.

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