Hoje na História: 1977 - ONU proclama o Dia Internacional da Mulher

Após luta e demandas por igualdade de direitos, data comemorativa adquiriu no século 20 uma dimensão global

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Max Altman (1937-2016), advogado e jornalista, foi titular da coluna Hoje na História da fundação do site, em 2008, até o final de 2014, tendo escrito a maior parte dos textos publicados na seção. Entre 2014 e 2016, escreveu séries especiais e manteve o blog Sueltos em Opera Mundi.

Atualizada em 07/03/2018 às 13:36


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Em 1977, a ONU proclamou o 8 de março como o Dia Internacional pelos Direitos da Mulher e a Paz Internacional. A primeira convocatória, no entanto, foi no ano de 1911, em Alemanha, Áustria, Dinamarca e Suíça. 

O Dia Internacional da Mulher Trabalhadora, ou simplesmente Dia Internacional da Mulher, comemora a luta da mulher por sua participação, em pé de igualdade com o homem, na sociedade e em seu desenvolvimento integral como pessoa. É celebrado em 8 de março.

Luta feminista

A história das mulheres na antiguidade está em boa medida distorcida por quem as contava: os homens. Todavia, pode-se destacar a obra teatral Lisístrata de Aristófanes, ambientada na antiga Grécia, na qual se encontra uma referência literária da luta da mulher: a protagonista Lisístrata organiza uma greve sexual contra os homens para forçá-los a pôr fim à guerra.

A figura da astrônoma e matemática Hipatia de Alexandria (século 4-5 d. C. ), assassinada brutalmente, também é tida como paradigma da mulher cientista e livre, ícone da liberdade de pensamento e da autonomia da mulher.

Durante a Revolução Francesa a mulher tomaria pela primeira vez, coletivamente, consciência de sua situação social. Marchando, junto aos homens, em direção a Versalhes, elas reivindicaram a igualdade social sob o lema liberdade, igualdade, fraternidade. Foram então levantados os primeiros pedidos formais de direitos políticos e cidadania para a mulher. A Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã, texto redigido em 1791 por Olympe de Gouges, copiava em boa medida a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 26 de agosto de 1789.

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Em seus primórdios – final do século 18 e principio do século 19 –, o movimento operário mantinha uma posição tradicional de corte patriarcal com relação à igualdade da mulher. Seria em meados do século 19 que os movimentos reivindicatórios da mulher tomariam força: luta pelo sufrágio feminino, reivindicação de igualdade, denúncia da opressão social, familiar e laboral. Surgem então os chamados movimentos sufragistas, inicialmente de origem burguesa, com figuras como Flora Tristán.

Os primeiros grupos feministas no movimento operário teriam como grande aliado teórico o livro de Friedrich Engels, publicado em 1884, "A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado". Surgiriam dentro dos movimentos anarquistas que reivindicavam desde o neomaltusianismo, a procriação consciente do proletariado, a separação entre sexualidade e reprodução, a defesa da maternidade livre, a liberação feminina, a liberdade sexual, a promoção da planificação familiar, o cuidado com as crianças bem como o uso e difusão de métodos contraceptivos artificiais. 

Em 28 de fevereiro de 1909 se celebrou pela primeira vez nos Estados Unidos o Dia das Mulheres Socialistas após uma conclamação do Partido Socialista dos Estados Unidos. 

Em agosto de 1910 na Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, reunida em Copenhague, se reiterou a exigência do sufrágio universal para todas as mulheres e, por proposta de Clara Zetkin, foi proclamado o 8 de março como o Dia Internacional da Mulher Trabalhadora. 

Em consequência dessa decisão, o Dia Internacional da Mulher Trabalhadora foi celebrado pela primeira vez em 19 de março de 1911, em Alemanha, Áustria, Dinamarca e Suíça, com atos públicos assistidos por mais de um milhão de pessoas, em que se exigiu para as mulheres o direito de voto e de ocupar cargos públicos, o direito ao trabalho, à formação profissional e a não discriminação laboral. 

Em 8 de março de 1917 celebrou-se na Rússia, em Petrogrado e Moscou, uma série de atos e manifestações com motivo do Dia Internacional da Mulher que progressivamente alcançaram um forte tom político e econômico. Incidentes com donas de casa nas longas filas para conseguir pão se converteram em manifestações espontâneas contra a monarquia e a favor dio fim da guerra. 

Depois da Revolução de Outubro, a feminista Alexandra Kollontai conseguiu aprovar que o 8 de março fosse considerado feriado oficial na União Soviética, ainda que dia útil. Em 8 de maio de 1965, por decreto do Presidium do Soviet Supremo da União Soviética se declarou feriado  não útil o Dia Internacional da Mulher Trabalhadora. 

Em 1975 as Nações Unidas começaram a comemorar o 8 de março como Dia Internacional da Mulher. Em dezembro de 1977, a Assembleia Geral da ONU proclamou o 8 de março como Dia Internacional pelos Direitos da Mulher e da Paz Internacional.

O Dia Internacional da Mulher adquiriu ao longo do século 20 uma dimensão global. O movimento internacional em defesa dos direitos da mulher é crescente e respaldado pela ONU que celebrou 4 conferências mundiais sobre a mulher e contribuiu para que a comemoração do Dia Internacional da Mulher seja um ponto de convergência das atividades coordenadas em favor dos direitos da mulher e sua participação na vida política e econômica.

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