Coletivo boliviano faz instalação na Bienal de São Paulo contra criminalização do aborto

Organização que ocupou o evento com "casulos" contando a história de mulheres que abortaram quer combater o patriarcado sobre o corpo feminino

“Nem boca fechada, nem útero aberto”. Com esse slogan, o coletivo boliviano de arte Mujeres Creando, uma organização feminista autônoma, organizou, em torno do aborto, sua participação na 31ª Bienal de Arte de São Paulo – que acontece no Pavilhão da Bienal até 7 de dezembro.

Leia também: Contra mortes por abortos inseguros, mulheres latinas pedem descriminalização da prática

A mensagem que querem passar se dá no contexto subjetivo da arte, mas é bastante clara: "Além do apelo aos governos e igrejas de nosso continente, queremos abrir um espaço para falar sobre aborto em primeira pessoa: como o vivenciamos e o que significa em nossas vidas?”, diz o coletivo. Neste domingo (28/09), uma data torna a exposição ainda mais simbólica: é o Dia Mundial da Luta pela Despenalização do Aborto.

Divulgação

Instalação do Mujeres Creando está na Bienal de São Paulo

Na exposição, o público pode ouvir, dentro de “casulos” depoimentos de mulheres que fizeram aborto. Elas não são identificadas em nenhum momento. Ainda é possível ver um vídeo, o "Uteros Ilegales", sobre uma intervenção similar na Bolívia.

No dia 6 de setembro, foi organizada também uma passeata-performance que percorreu o espaço da Bienal e o parque do Ibirapuera com uma espécie de “útero ambulante”. A marcha, com a participação de mulheres contando em alto e bom som sobre abortos que fizeram, foi suficiente para causar “incômodo” entre os frequentadores do parque.

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Maria Galindo, do Mujeres, não se intimidou: “A Bienal é um espaço muito político. Por isso, devemos aproveitá-lo para difundir nossa luta com uma ação direta”, disse a fundadora e uma das líderes do grupo, cuja missão – ela explica – é "desdramatizar o discurso religioso oficial sobre o aborto, desafiar e instigar”.

Uma pesquisa da Universidade de Brasília revela que uma em cada cinco brasileiras com menos de 40 anos já fez pelo menos um aborto ilegal. “Nós estamos falando de 7,4 milhões de mulheres. O mais alarmante da pesquisa nacional do aborto é certamente a magnitude da prática no Brasil”, afirma a pesquisadora Débora Diniz. O trabalho já se tornou referência para a Organização Mundial de Saúde.

Divulgação

Coletivo fez uma marcha ainda na Bolívia com um "útero ambulante"

Houve reações indignadas ao trabalho, principalmente de grupos religiosos. O coordenador do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira (IPCO), Daniel Martins, de 28 anos, iniciativa como “um acinte à religião” que “depaupera a família”. O grupo vem distribuindo panfletos “alertando” contra seis obras que consideram inadequadas para serem vistas por “seu filho, sobrinho ou neto”.

Enquanto isso, uma pesquisa da Universidade de Brasília revela que uma em cada cinco brasileiras com menos de 40 anos já fez pelo menos um aborto ilegal. “Nós estamos falando de 7,4 milhões de mulheres. O mais alarmante da pesquisa nacional do aborto é certamente a magnitude da prática no Brasil”, afirma a pesquisadora Débora Diniz. O trabalho já se tornou referência para a Organização Mundial de Saúde.

Serviço

31ª Bienal de São Paulo
Pavilhão da Bienal - Av. Pedro Álvares Cabral, s.n
Parque do Ibirapuera, Portão 3
Até 7 de dezembro de 2014
Ter, qui, sex, dom e feriados: 9h - 19h (entrada até 18h)
Qua, sáb: 9h - 22h (entrada até 21h)
Seg: fechado
Entrada gratuita



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