Aula Pública Opera Mundi: por que precisamos analisar a ditadura militar na perspectiva de gênero?

No novo episódio da quarta temporada da Aula Pública, Amelinha Teles analisa a atuação de mulheres durante anos de chumbo

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Amelinha Teles discute a atuação de mulheres na ditadura militar


No nono episódio da quarta temporada da Aula Pública, Amelinha Teles analisa a atuação de mulheres durante a ditadura. A ativista social explica como a violência e a barbárie contra mulheres foi estruturada pelo regime militar nos anos de chumbo.


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"O ódio às mulheres era muito grande na ditadura. Os agentes do Estado acreditavam que elas queriam superar os homens. Para eles, as mulheres estavam pegando em armas para tomar o poder dos homens. Então, as militantes eram promíscuas e atentavam contra a moral e os bons costumes. Por isso, os militares tentavam fortalecer o estereótipo da mulher filha, esposa, amante. A mulher que fosse livre e que decidisse ir para a luta, inclusive a armada, era odiada pelos homens", explica Amelinha Teles.

Assista ao primeiro bloco da Aula Pública com Amelinha Teles: por que precisamos analisar a ditadura militar na perspectiva de gênero?


Na segunda parte da Aula Pública, Amelinha Teles responde perguntas do público na Universidade Metodista, em São Bernardo do Campo



Na Aula Pública, Amelinha Teles também explica como as mulheres romperam com esteriótipos e foram protagonistas da resistência ao regime de exceção.

"Na ditadura militar, as mulheres lutaram e batalharam, coordenaram aparelhos, fizeram imprensa clandestina, fizeram guerrilha e atiraram, muitas vezes, melhor do que os homens. Isso é pouco conhecido. Quando falamos em ditadura e resistência, sempre falamos sobre homens, sindicalistas, mas pouco se fala das mulheres e todo o esteriótipo que elas romperam naqueles anos", afirma.

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Amelinha Teles explica como a violência contra as mulheres foi estruturada pelo regime militar


Para Amelinha, é necessário entender as diferenças da tortura entre homens e mulheres. Pela atuação protagônica, mulheres sofreram com violência sexual e ataques aos filhos e à familia.

"Os militares cometeram crimes sexuais. São atos de lesa-humanidade. Todas as novas diferenças foram usadas pelos militares na hora da tortura. A gravidez foi uma motivação para os agentes do Estado torturassem mulheres. Tivemos crianças que foram torturadas antes de nascer. A amamentação e menstruação foram usadas como tortura. Com chutes na barriga e choques elétricos, tivemos também abortamentos forçados", relata Amelinha, que foi torturada no regime militar.

 

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