Justiça da Turquia acusa 17 jornalistas de 'envolvimento com grupo terrorista'

Profissionais são acusados de ligação com Fethullah Gülen, a quem governo Erdogan acusa de estar por trás de tentativa fracassada de golpe militar no dia 15

A Justiça da Turquia acatou neste sábado (30/07) a acusação de “envolvimento com grupo terrorista” contra 17 jornalistas presos esta semana em mais uma ação no contexto da tentativa de golpe militar contra o governo de Recep Tayyip Erdogan no dia 15 de julho.


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Eles são parte do grupo de 89 jornalistas cuja detenção foi determinada esta semana pela Justiça turca, dos quais cerca de 40 estão presos. Em audiência realizada em uma corte em Istambul, 21 jornalistas foram acusados pela promotoria turca e o tribunal acatou a decisão contra 17 deles, que permanecem detidos, liberando os outros quatro.

Além da prisão dos jornalistas, o governo Erdogan se utilizou do estado de emergência imposto após a tentativa de golpe para ordenar nesta semana o fechamento de pelo menos 131 grupos de mídia no país, entre agências de notícias, emissoras de televisão e rádio, jornais, revistas e editoras.

O governo acusa profissionais e publicações de terem tomado parte na tentativa de golpe militar e de terem ligações com Fethullah Gülen, clérigo muçulmano autoexilado nos EUA a quem Erdogan acusa de estar por trás da tentativa de destituí-lo. Gülen e o movimento Hizmet, do qual o clérigo é líder e que foi classificado por Ancara como grupo terrorista em maio, negam as acusações.

Fotis Filippou, vice-diretor para a Europa da organização pró-direitos humanos Anistia Internacional, afirmou que este é “o mais recente ataque a uma mídia já enfraquecida por anos de repressão governamental”. “As autoridades estão determinadas a silenciar críticas sem qualquer consideração para com leis internacionais”, disse Filippou.

Nazli Ilicak, ex-deputada e conhecida colunista turca, está entre os jornalistas cuja detenção foi ordenada. Ilicak foi demitida do jornal pró-governo Sabah em 2013 por criticar o governo e defender a investigação anticorrupção promovida por promotores simpatizantes de Gülen.

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A escalada do governo turco contra jornalistas e profissionais de mídia se intensificou nas últimas semanas, mas não é novidade. No início de março, a polícia turca invadiu a sede do jornal Zaman, um dos principais do país e então crítico ao governo. Dias após a invasão, o Zaman mudou a linha editorial, que passou a ser pró-Erdogan.

Em maio, a Justiça da Turquia condenou a cinco anos de prisão, após julgamento a portas fechadas, os jornalistas turcos opositores Can Dündar e Erdem Gül, do jornal Cumhuriyet, ao considerar que eles “revelaram segredos de Estado” em uma reportagem. Dündar e Gül publicaram em maio de 2015 imagens de um suposto carregamento de armas enviado à Síria em janeiro de 2014 sob proteção do serviço secreto turco, transação classificada oficialmente por Ancara como “ajuda humanitária”.

Erdogan declarou estado de emergência no país no dia 20. Segundo o presidente, a medida durará três meses e foi convocada para facilitar a prisão daqueles que tomaram parte no golpe. Na prática, ela pode ser usada como pretexto para suspender direitos e liberdades individuais — o mandatário até cogitou a pena de morte para os militares que participaram do levante e suspendeu, no dia seguinte à declaração, a Convenção Europeia de Direitos Humanos.

O jornalista turco Mahir Zeynalov, ex-correspondente da versão em inglês do jornal Zaman baseado em Washington, postou em seu perfil no Twitter fotos dos jornalistas presos a caminho da audiência em Istambul.

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