Canadá: Ativista negra será primeira mulher a estampar nota de 10 dólares canadenses

Empresária Viola Desmond foi presa em 1946 por sentar em área 'só para brancos' em cinema e passou a combater segregação racial em espaços públicos

A ativista pelos direitos da população negra Viola Desmond, que foi presa em 1946 por sentar na seção “para pessoas brancas” em um cinema, será a primeira mulher a estampar a nota de dez dólares canadenses a partir de 2018, informou o Banco Nacional do Canadá nesta quinta-feira (08/12).


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Desmond, conhecida como a “Rosa Parks canadense” (Rosa Parks foi uma ativista norte-americana que se impôs contra a segregação racial no transporte público) por combater a segregação racial em espaços públicos, irá substituir a imagem de John A. MacDonald, o primeiro premiê canadense.

Nova Scotia Archives/FlickrCC

Um dos produtos da linha de cosméticos de Viola Desmond, eleita para estampar nota de dez dólares canadenses

“É um grande dia para uma mulher estampar uma nota de dinheiro. É um dia realmente grande ter a minha irmã mais velha estampada numa nota”, disse a irmã de Desmond, Wanda Robson, durante o anúncio do novo bilhete.

A ativista foi escolhida a partir de uma lista de cinco finalistas decorrentes de um longo processo que envolveu votações por parte da população, que sugeriu 416 nomes de mulheres icônicas que poderiam estampar a nova nota.

Viola Desmond, nascida em 1914, foi uma empresária e esteticista, tendo fundado sua própria escola de beleza numa época em que a maioria das escolas de beleza não aceitavam alunas e alunos negros. Ela também criou sua própria linha de produtos para a pele e o cabelo, que passaram a ser vendidos na província de Nova Scotia, no Canadá, onde ela vivia.

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Durante uma viagem a trabalho em 1946, Desmond decidiu ir ao cinema, após seu carro quebrar e ela ter de deixa-lo para conserto numa oficina. O cinema, porém, era segregado: pessoas brancas sentavam-se próximas à tela e pessoas negras sentavam-se num balcão acima e atrás do local destinado aos brancos.

Na ocasião, Desmond tentou comprar o ingresso “para pessoas brancas”. Não lhe foi permitido, então ela comprou o ingresso “para pessoas negras”, que custava somente um centavo a menos, e sentou-se no local destinado a brancos, se recusando a trocar de lugar.

Ela acabou sendo presa, condenada a pagar uma fiança de 26 dólares canadenses (o equivalente a 270 dólares canadenses ou R$688 atualmente) por evasão de impostos — por somente um centavo.

Ela pagou a fiança e foi liberada após passar cerca de 12 horas detida, mas decidiu combater as acusações e lutar contra a segregação racial em espaços públicos.

Desmond recebeu perdão por parte do governo por ter sido condenada injustamente apenas em 2010, 45 anos depois de sua morte.



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