Um em cada dez pilotos tem sinais de depressão, diz estudo

Deutsche Welle
Levantamento indica que muitos não procuram ajuda médica por temerem impacto na carreira

Centenas de pilotos podem estar sofrendo de depressão em todo o mundo, mas decidem não procurar ajuda por medo do impacto negativo em suas carreiras, aponta um estudo publicado nesta quinta-feira (15/12).


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Mais de um em cada dez pilotos que participaram do levantamento de forma anônima, realizado por meio da internet, mostraram sinais de depressão, de acordo com o estudo realizado pela Universidade de Harvard e publicado na revista científica Environmental Health.

picture alliance/dpa/D. Reinhardt

Levantamento mostrou que um em cada dez pilotos sofre de depressão

"Descobrimos que muitos pilotos atualmente em atividade apresentam sintomas de depressão, e pode ser que eles não estejam buscando tratamento devido ao medo de impactos negativos na carreira", frisa Joseph Allen, coautor do estudo. "Existe um véu de sigilo em torno de questões de saúde na cabine do piloto."

Pensamentos suicidas

De 1.850 pilotos de mais de 50 países que responderam a perguntas sobre sua saúde mental no estudo, 12,6% apresentaram sinais de depressão. Cerca de 4% dos entrevistados relataram ter tido pensamentos suicidas nas duas últimas semanas.

Apresentaram sinais de depressão especialmente aqueles que tomam elevadas doses de medicamentos para dormir ou sofreram assédio sexual ou moral.

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Os resultados do estudo surpreenderam até mesmo Markus Wahl, piloto e porta-voz do sindicato alemão de pilotos Cockpit. "Talvez os pilotos estejam mais expostos porque trabalham num ambiente de alto risco, onde cada decisão pode colocar em perigo vidas humanas", avalia. Além disso, eles estariam mais sujeitos a pressão. "Eles são pressionados a tomar decisões, o ambiente de trabalho fica cada vez mais cansativo. Quanto maior a pressão, maior o estresse. E estresse, claro, pode levar a doenças psíquicas", opina o sindicalista.

A pesquisa é mais um alerta, após queda de avião da Germanwings em março de 2015, causada por copiloto com problemas psíquicos. As 150 pessoas a bordo da aeronave morreram no desastre.

Entre família e carreira

Um importante fator de estresse para os pilotos são os longos tempos fora de casa. "A pessoa passa, às vezes, de 20 a 22 dias do mês em quartos de hotel, e isso representa um grande desafio para a vida privada – seja com amigos, família ou cônjuge", frisa Wahl. "Todos esses relacionamentos, que também são extremamente importantes para superação do estresse, não estão tão disponíveis como no caso de um funcionário de escritório."

Wahl afirma que no caso de brigas na família, o piloto pode ter mais dificuldades em superar as situações de conflito, por não estar tão presente, tendo que ficar vários dias angustiado com problemas pessoais que não pode solucionar pessoalmente, devido à ausência. E quando os períodos de descanso ficam mais curtos – como na alta temporada, durante as férias de verão – não resta mais tempo para discutir problemas na família.

Pausas mais curtas

Os pilotos de hoje também têm menos pausa no trabalho do que algumas décadas atrás, segundo Wahl. Os intervalos em que as aeronaves têm que voltar ao aeroporto de destino diminuíram, em parte, de 60 para 35 minutos. Caso ocorra algum imprevisto, o estresse é ainda maior.

"Antigamente, quando pousávamos havia sempre um técnico de aeronaves à disposição, que resolvia o problema que aparecesse. Hoje, por razões de custo, em muitos aeroportos não existem mais técnicos. Então, o trabalho acaba ficando com o piloto", lamenta. "No pouco tempo que resta antes do voo de regresso ele deve, então, pegar o telefone e encontrar uma solução rápida."

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