FARC rejeitam 'falsas acusações' de ligação com facção envolvida no massacre em presídio de Manaus

Guerrilha colombiana cita 'suposto informe' do MPF divulgado na imprensa brasileira e classifica acusação como 'mentira': 'Baseados nessa mentira, agora pretendem responsabilizar nossa organização guerrilheira pelo espantoso massacre', dizem as FARC

As FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) classificaram nessa sexta-feira (06/01) como "falsas acusações" as informações divulgadas por vários veículos da imprensa brasileira de que a guerrilha tem ligações com a facção FDN (Família do Norte), apontada pelas autoridades como a responsável pelo massacre de 56 presos no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus, entre os dias 1 e 2 de janeiro.


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Segundo divulgou o site UOL Notícias, a suposta conexão entre a FDN e as FARC foi apontada pelo MPF (Ministério Público Federal) do Amazonas e pela Polícia Federal em denúncias contra lideranças da facção brasileira à Justiça Federal no âmbito da Operação La Muralla, que atingiu integrantes da FDN em 2014.

Em comunicado divulgado em seu site oficial, a guerrilha colombiana cita o "suposto informe" do MPF e classifica a acusação como "mentira". "Baseados nessa mentira, agora pretendem responsabilizar nossa organização guerrilheira pelo espantoso massacre", dizem as FARC.

Agência Efe

Enterro de alguns dos 56 presos mortos durante rebelião no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj)

A organização também diz rechaçar e condenar os atos ocorridos em Manaus, "porque ferem a consciência dos povos civilizados do mundo". Cabe às autoridades brasileiras estabelecer os responsáveis pelas mortes, acrescentam as FARC, que manifestam ao povo brasileiro e aos familiares dos presos mortos em Manaus "nossa solidariedade e voz de alento na exigência para que se conheça toda a verdade."

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Leia a seguir a íntegra do comunicado:

Desmentimos falsas acusações que nos vinculam com máfias brasileiras

Diversos meios de comunicação do Brasil e agências internacionais de notícias têm difundido profusamente um suposto informe da Promotoria de Manaus, capital do Estado do Amazonas, de 2014, que trata de vincular as FARC-EP com organizações mafiosas vinculadas ao narcotráfico.

Baseados nessa mentira, agora pretendem responsabilizar nossa organização guerrilheira pelo espantoso massacre de 56 pessoas, ocorrido no complexo carcerário Anísio Jobim, na cidade de Manaus.

Deve ser grande a ignorância ou enorme a má-fé do correspondente da agência de notícias Efe, em Manaus, que sem contrastar fontes se atreve a insinuar a responsabilidade das FARC-EP em atos que rechaçamos e condenados porque ferem a consciência dos povos civilizados do mundo.

Nos resta recordar que, desde 2012, iniciamos diálogos públicos com o governo colombiano, em busca de uma solução política ao conflito social e armado que padece nosso país há mais de 60 anos, os quais se encerraram positivamente com a assinatura do Acordo Final de Paz, em novembro de 2016. Agora entramos na etapa de implementação do acordo.

Devem ser as autoridades do povo irmão do Brasil quem investiguem as causas do ocorrido, quem são os responsáveis e tomem as medidas necessárias para impedir a repetição destes acontecimentos lamentáveis. A esse mesmo povo do Brasil, aos familiares e amigos dos mortos no massacre, nossa solidariedade e voz de alento na exigência para que se conheça toda a verdade.

Havana, Cuba



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