Marrocos proíbe venda e produção de burcas no país por 'motivos de segurança'

Autoridades alegam que véu que cobre corpo da cabeça aos pés estaria sendo usado para esconder identidade de criminosos; maioria das mulheres no país preferem hijab ou niqab à burca

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O Marrocos proibiu a venda, fabricação e importação de burcas por motivos de segurança, alegando que o véu que cobre o corpo da cabeça aos pés está sendo usado para esconder a identidade de criminosos, segundo divulgou a imprensa local nesta terça-feira (10/01).


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Segundo os meios de comunicação locais, produtores e comerciantes receberam comunicados do Ministério do Interior informando a proibição, com um prazo de 48 horas para se desfazerem dos estoques, com o risco de terem suas mercadorias confiscadas e seu comércio fechado caso desobedeçam à ordem.

"Proibiremos totalmente a importação, fabricação e comercialização desta peça de vestuário em todas as cidades e vilarejos do país", disse um alto funcionário do Ministério do Interior ao site de notícias Le360.

Agência Efe

A burca é pouco utilizada no Marrocos, sendo mais comum principalmente no Afeganistão e no Paquistão

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A proibição não deixa claro se englobará o uso da peça. A burca não é muito utilizada no país – a maioria das mulheres no Marrocos utiliza o hijab, véu que cobre apenas a parte de trás da cabeça, o cabelo, o pescoço e os ombros, com uma abaya - túnica comprida que cobre todo o corpo com exceção da cabeça, das mãos e dos pés - ou outras roupas compridas.

Mesmo em regiões mais conservadoras do país, as mulheres preferem usar o niqab, véu islâmico que deixa apenas os olhos à mostra, parecido com a burca, que tem uma tela na altura dos olhos.

Nouzha Skalli, ex-ministro de Desenvolvimento Familiar e Social, considerou a medida “um passo importante na luta contra o extremism religioso”, Segundo a Al Jazeera. O monarca do país, rei Mohammed VI, luta há tempos contra o extremismo religioso e a radicalização islâmica no Marrocos, nação que prega um islamismo "moderado".

O Observatório Nacional de Desenvolvimento Humano do Marrocos, no entanto, afirmou que a medida é uma “decisão arbitrária e uma violação indireta da liberdade de expressão das mulheres” e defendeu o uso de vestimentas que “refletem suas identidades ou crenças religiosas, políticas ou sociais”.

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