ONU responde a Trump e diz que solução de dois Estados é 'único caminho' para paz entre Palestina e Israel

Nickolay Mladenov, enviado da ONU para o Oriente Médio, reafirmou nesta quinta-feira (16/02) em reunião do Conselho de Segurança o compromisso da organização com Estado palestino independente

A ONU defendeu nesta quinta-feira (16/02) que a "solução de dois Estados é o único caminho" possível para a paz entre israelenses e palestinos, um dia após o presidente norte-americano, Donald Trump, abandonar o compromisso de duas décadas dos EUA com tal saída para a crise na região.


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"A solução de dois Estados continua sendo o único caminho para conseguir as legítimas aspirações nacionais dos dois povos", disse o enviado das Nações Unidas para o Oriente Médio, Nickolay Mladenov, durante uma sessão a portas fechadas do Conselho de Segurança da organização para debater o tema.

“Alguns podem ter a ilusão de que o conflito pode ser ‘administrado’ indefinidamente”, disse Mladenov. “Que a ausência de uma estratégia clara para avançar a paz é uma estratégia em si.” O enviado da ONU pediu que lideranças israelenses e palestinas “contemplem cuidadosamente o futuro”, que, segundo ele, pode se construir com base em “conflito perpétuo, extremismo crescente e ocupação”.

Antes da reunião, embaixadores de França, Suécia e Reino Unido presentes na reunião do Conselho de Segurança expressaram à imprensa presente o apoio de seus países à criação de um Estado palestino.

Em entrevista coletiva junto ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, na Casa Branca nesta quarta-feira (15/02), Trump afirmou que a paz no Oriente Médio não passa necessariamente pela criação de um Estado palestino.

Agência Efe / Arquivo

Conselho de Segurança da ONU em reunião; enviado das Nações Unidas para o Oriente Médio reitera compromisso da organização com solução de dois Estados

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“Estou olhando para [a solução de] dois Estados e do Estado único. E eu vou gostar daquela que as duas partes gostarem. Ficarei feliz com a solução que as duas partes preferirem”, disse o presidente dos EUA.

A chamada solução de dois Estados conta com o respaldo praticamente unânime da comunidade internacional e foi a opção defendida por Washington desde a presidência de Bill Clinton.

Horas antes de Trump anunciar oficialmente esta mudança, o secretário-geral da ONU, António Guterres, já tinha defendido que a criação de um Estado palestino é "a única solução".

"É preciso fazer todo o possível para realizar esta solução", afirmou na quarta-feira o diplomata português, em visita ao Cairo.

Agência Efe

Benjamin Netanyahu, premiê de Israel, e Donald Trump, presidente dos EUA, durante entrevista coletiva na Casa Branca na quarta-feira (15/02)

Hoje, seu enviado para o conflito reiterou a postura das Nações Unidas e ressaltou que, para avançar, é necessário que Israel detenha a expansão dos assentamentos e que os palestinos atuem face à violência e incitação.

"Os palestinos e os israelenses encaram outro período de incerteza e preocupação sobre o que vai acontecer. Peço aos líderes das duas partes que contemplem cuidadosamente o futuro que querem para seu povo", disse Mladenov.

Em um comunicado oficial, o presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina), Mahmoud Abbas, reafirmou seu “compromisso contínuo com a solução de dois Estados, a lei internacional e a legitimidade, que teriam que garantir o fim da ocupação israelense”. Abbas também declarou que deseja estabelecer “um Estado palestino independente com Jerusalém Oriental como capital, que viva em paz e segurança junto ao Estado de Israel, segundo as fronteiras de junho de 1967”, mas também disse estar pronto para "trabalhar pela paz" com o presidente norte-americano.

 

*Com Agência Efe

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