Organizações de direitos humanos criticam decreto que impede distribuição de comida para refugiados em Calais

Prefeita Natacha Bouchart proibiu reuniões públicas, alegando aumento de tensões e multidões ‘massivas’; voluntários continuam com atividades à noite para escapar de polícia

Organizações de direitos humanos manifestaram nesta sexta-feira (03/03) sua indignação com a ordem da prefeita de Calais, Natacha Bouchart, de impedir a distribuição de alimentos para refugiados. O decreto, publicado nesta quinta-feira (02/02), proíbe reuniões públicas e tem como objetivo evitar o estabelecimento de um novo campo de refugiados na cidade portuária francesa, principal porta de entrada ao Reino Unido.


Clique e faça agora uma assinatura solidária de Opera Mundi

Segundo o documento, “a regular, persistente e grande presença de indivíduos distribuindo refeições a migrantes” nas proximidades do antigo campo de refugiados, destruído há três meses, representa um risco à paz e segurança na área. Bouchart, do partido conservador Les Républicains, proibiu reuniões públicas, alegando que a distribuição de comida causava multidões “massivas” e o aumento de tensões.

O ministro do Interior da França, Bruno Le Roux, disse durante visita a Calais nesta quarta-feira (01/03) que a abertura de um novo campo de refugiados atrairia mais pessoas à cidade, mas descartou a possibilidade de banir a distribuição de alimentos. “Nós não vamos impedir a distribuição de refeições”, declarou. Bouchart, no entanto, discordou, afirmando que implementaria medidas para banir o fornecimento de comida.

Apesar da ordem e do policiamento, sete grupos de auxílio humanitário declaram que vão continuar distribuindo refeições, mudando os locais e realizando as entregas à noite, caso necessário, para escaparem do controle policial. Em um comunicado conjunto, os grupos de voluntários afirmaram que realizam este trabalho porque o Estado e outros organismos públicos ‘não respeitam’ as suas próprias obrigações legais e humanitárias para com os migrantes.

Reprodução/Twitter Natacha Bouchart

Prefeita de Calais proibiu reuniões públicas, impedindo distribuição de alimentos para refugiados

Milhares exigem que Espanha acolha mais refugiados

Governo alemão propõe lei que endurece fiscalização e acelera expulsão de refugiados sem visto

Mais de 360 refugiados morreram tentando chegar à Europa pelo Mediterrâneo só neste ano

 

Segundo a organização Utopia 56, policiais dispersaram voluntários com bombas de gás lacrimogêneo na manhã desta quinta-feira. A ONG distribuía refeições para cerca de 30 adolescentes em um campo na periferia da cidade. Outros adolescentes também foram detidos por terem visitado o centro religioso Secours Catholique, que disponibiliza chuveiros para refugiados em Calais, segundo Sarah Arrom, voluntária do Utopia 56.

Sue Jex, chefe de operações para o Reino Unido da organização de apoio a refugiados Care4Calais, também manifestou sua preocupação com a situação dos refugiados após a ordem da prefeitura. "Estamos consternados com a proibição de distribuir alimentos aos refugiados em Calais, que priva as pessoas mais vulneráveis - incluindo os menores não acompanhados - do direito humano básico à alimentação".

“Refugiados fugindo da violência impensável em casa continuam chegando em Calais todos os dias, desesperados por comida e abrigo, mas forçados a viver em condições desumanas”, criticou. “Apelamos às pessoas em posições de autoridade para revogarem a proibição de distribuição de alimentos e agirem agora para garantir a vida dos refugiados urgentemente”, afirmou Jex.

As organizações Utopia 56 e L’Auberge des Migrants distribuíram 200 refeições na noite de quinta-feira, ignorando o decreto. Segundo Renke Meuwese, voluntário dos grupos Refugee Community Kitchen e Help Refugees, são feitas em torno de 400 refeições por dia para os refugiados, um aumento de 50 refeições em relação ao mês passado.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Outras Notícias

PUBLICIDADE
X

Assine e receba as últimas notícias

Destaques

Publicidade

Um livro fundamental para a luta das mulheres brasileiras

Um livro fundamental para a luta das mulheres brasileiras

Este livro traz de volta, depois de anos esgotado, o texto "Breve Histórico do Feminismo no Brasil", da pesquisadora e militante Maria Amélia de Almeida Teles. E acrescenta seis ensaios da autora, que tratam de temas como o aborto, a luta pela creche, a violação dos direitos humanos das mulheres durante a ditadura militar, a repressão contra as crianças no período e ainda o feminicídio.

Leia Mais

O melhor da imprensa independente

PUBLICIDADE

A revista virtual
desnorteada

Mais Lidas

Últimas notícias