Erdogan acusa Alemanha de 'práticas nazistas'

Deutsche Welle
Presidente turco critica cancelamento de comícios em que ministros fariam campanha sobre reforma constitucional, a ser decidida em referendo. Milhares de cidadãos turcos residentes no país estão aptos a votar no pleito

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O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, afirmou neste domingo (05/03) que o cancelamento de comícios na Alemanha com ministros turcos por autoridades do país se assemelha a práticas do período nazista.

"Alemanha, você não tem qualquer relação com a democracia e você deveria saber que suas práticas atuais não são diferentes das do período nazista", disse o presidente em Istambul, num evento de campanha para o referendo constitucional marcado para 16 de abril.

"Eu pensava que a Alemanha havia abandonado práticas nazistas há muito tempo. Estávamos enganados", afirmou.

Autoridades alemãs cancelaram eventos políticos marcados para esta semana no país, nos quais ministros do governo de Erdogan fariam campanha a favor da reforma constitucional que visa introduzir o sistema presidencialista no país, ampliando os poderes do presidente. A Alemanha abriga a maior diáspora turca, e em torno de 1,4 milhão de pessoas poderão votar no referendo de abril.

O cancelamento dos comícios provocou críticas por parte do governo turco, que acusou Berlim de atuar contra a campanha a favor da reforma constitucional por não querer uma Turquia estável.

"Vocês nos falam sobre democracia e então não permitem que nossos ministros falem no país", disse Erdogan.

Já na sexta-feira, o presidente turco havia criticado as autoridades alemãs por terem impedido a realização dos comícios em que ministros turcos pretendiam dirigir-se à comunidade turca residente no país, mas permitirem que dirigentes curdos falem livremente. Por tal motivo, as autoridades alemãs deveriam ser levadas a julgamento por "apoiar e abrigar o terrorismo".

Reuters/M. Sezer

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Tentativa de acalmar os ânimos

Para tentar acalmar os ânimos, a chanceler federal alemã, Angela Merkel, telefonou para o primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, neste sábado, o qual descreveu a conversa como "produtiva". Os ministros do Exterior de ambos os países devem se reunir nesta semana.

As tensões já haviam se acirrado nos últimos dias com a prisão do jornalista teuto-turco Deniz Yücel na Turquia, que gerou uma onda de indignaçãopor parte do governo, políticos e intelectuais na Alemanha. Erdogan acusou o correspondente do jornal Die Welt de ser um agente alemão e integrante do banido Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).

Neste domingo, o ministro do exterior alemão, Sigmar Gabriel, alertou em um artigo publicado pelo jornal Bild am Sonntag sobre uma piora das relações entre Alemanha e Turquia, pedindo que não se desfaça a amizade entre ambos os países.

"A amizade teuto-turca é mais profunda que as tensões diplomáticas que vivemos atualmente", escreveu o ministro. "Alemães e turcos são amigos demais para permitir que, por diferenças quanto a opiniões políticas, se estabeleçam no longo prazo o ódio e a falta de compreensão."

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