Venezuela acusa secretário-geral da OEA de 'intervenção' e diz que ele é 'líder da oposição ao diálogo'

Luis Almagro, secretário-geral da OEA, defendeu suspensão da Venezuela caso não fossem convocadas eleições gerais nos próximos 30 dias

O Ministério das Relações Exteriores da Venezuela publicou nesta terça-feira (14/03) uma nota de repúdio ao último relatório do secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), Luis Almagro, denunciando a “intervenção internacional” no país. Almagro defendeu na terça-feira a suspensão da Venezuela da entidade caso Caracas não convocasse eleições gerais em um prazo de 30 dias. Por sua vez, a chanceler Delcy Rodríguez afirmou nesta quinta (15/03) que Almagro lidera a oposição ao diálogo político em Caracas, além de atentar "contra a paz da Venezuela, a estabilidade e integridade" ao país.


Clique e faça agora uma assinatura solidária de Opera Mundi

“A República Bolivariana da Venezuela manifesta seu mais profundo repúdio ao ilegítimo e ilícito pretenso relatório sobre a Venezuela apresentado pelo Sr. Luis Almagro, que atua como Secretário-Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), desconhecendo os processos institucionais e princípios desta organização”, afirmou a chancelaria na nota.

Segundo Caracas, Almagro, considerado “inimigo do povo da Venezuela”, “forjou falsas suposições contra a República com o único objetivo de promover a intervenção internacional de nosso país e acentuar a guerra econômica contra a sociedade venezuelana”.

“É lamentável que o Sr. Almagro reanime as páginas mais sombrias da história intervencionista e golpista da OEA, mediante a imposição de mecanismos que violam de forma flagrante o ordenamento legal e constitucional da Venezuela e a Carta da OEA, seus princípios fundamentais e as normas rigorosas que regulam sua atuação”, declarou o Ministério das Relações Exteriores, que ressaltou que o governo “tomará as ações que correspondem” diante dos "ataques" da organização.

Agência Efe

Delcy Rodríguez: secretário-geral da OEA é o "líder contra o diálogo" na Venezuela, afirmou chanceler.

Cuba nega entrada de Almagro no país e acusa secretário-geral da OEA por 'ataques contra governos progressistas'

Venezuela vence ExxonMobil em demanda contra nacionalização de hidrocarbonetos

Venezuela critica declarações 'insolentes' de novo chanceler brasileiro Aloysio Nunes

 

No relatório publicado nesta terça, Almagro diz que, para evitar a suspensão venezuelana e "retomar o rumo institucional" no país, eleições gerais devem ser convocadas nos próximos 30 dias, além de outras condições. No documento de 75 páginas, o secretário-geral exige "a libertação dos presos políticos, a validação das leis que foram canceladas, assim como a eleição de um novo Conselho Nacional Eleitoral e um novo Tribunal Supremo de Justiça conforme os procedimentos estabelecidos na Constituição".

Para justificar o pedido de suspender a Venezuela caso esses passos não ocorram, Almagro lembrou que o artigo 20 da Carta, o que invocou em maio do ano passado, estipula que, se fracassarem as gestões diplomáticas ou perante um caso de urgência, o Conselho Permanente pode convocar imediatamente uma Assembleia Geral Extraordinária.

Além disso, o artigo 21 indica que se a Assembleia, o principal órgão da OEA com os chanceleres dos 34 países, constatar que houve "a ruptura da ordem democrática em um Estado-membro e que as gestões diplomáticas foram infrutíferas", o país pode ser suspenso de participar da OEA. Para isso, são necessários dois terços dos 34 países que formam a OEA e a suspensão entraria em vigor imediatamente.

Organizações de direitos humanos acusam OEA de violação de soberania nacional e pedem diálogo

Mais de 300 organizações de direitos humanos nacionais e internacionais entregaram um relatório nesta terça-feira ao Conselho Permanente da OEA, em que alertam sobre a intenção de setores da direita de solicitar a aplicação da Carta Democrática Interamericana, como um instrumento para “promover ações ingerencistas e de violação da soberania nacional”.

Após a entrega do documento na sede da OEA em Caracas, a representante da Fundação Latino-Americana para os Direitos Humanos e o Desenvolvimento Social, Virginia King, informou que as assinaturas foram coletadas em pouco tempo,"devido ao nível de credibilidade que temos e o nível de avidez que tem o povo venezuelano para que cessem as ameaças, de que se respeite de uma vez por todas a independência de nosso país, a autodeterminação de nosso país", afirmou.

Ela explicou que as organizações defensoras dos direitos humanos do Brasil, Argentina, Peru, Colômbia e Uruguai, entre outras nações da América Latina, também solicitam que a OEA apoie o diálogo entre todos os setores políticos da Venezuela.

A carta, dirigida ao embaixador Patrick Andrews, presidente do Conselho Permanente da OEA, alerta sobre a manipulação destes setores sobre temas importantes para o país, como o diálogo nacional, apoiado pelo papa Francisco, a Unasul (União de Nações Sul-Americanas) e os ex-presidentes Martín Torrijos, do Panamá; Leonel Fernández, da República Dominicana; e José Luis Zapatero, da Espanha.



Uma vez que você chegou até aqui...


…temos algo a sugerir. Cada vez mais gente lê Opera Mundi, mas a publicidade dos governos, com o golpe, foi praticamente zerada para a imprensa crítica, e a publicidade privada não tem sido igualmente fácil de conseguir, apesar de nossa audiência e credibilidade. Ao contrário dos sites da mídia hegemônica, nós não estamos usando barreiras que limitam a quantidade de matérias que podem ser lidas gratuitamente por mês. Queremos manter o jornalismo acessível a todos. Produzir um jornalismo crítico e independente custa caro e dá trabalho. Mas nós acreditamos que o esforço vale a pena, pois um jornalismo desse tipo é essencial num mundo que preza a democracia. E temos certeza de que você concorda com isso.


Torne-se um assinante solidário ou faça uma contribuição única.




(Este anúncio é diretamente inspirado numa solicitação feita pelo jornal britânico ‘The Guardian’. A imprensa independente de todo o mundo está buscando nesse tipo de apoio uma forma de existir e persistir.)


PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Outras Notícias

PUBLICIDADE
X

Assine e receba as últimas notícias

O melhor da imprensa independente

PUBLICIDADE

Diálogos do Sul

PUBLICIDADE

Últimas notícias

Milhares participam de Marcha pela Ciência

Protestos contra cortes na área científica propostos pela gestão Trump foram convocados em mais de 500 cidades; em Washington, cerca de 70 mil manifestantes se reúnem em frente à Casa Branca

 

À força, meu querer

Donald Trump e Kim Jong-un combinam guerra ao telefone: 'Duas ogivas de médio alcance. Assim acerta Tóquio, né?' 'Acho que devemos ter mais ousadia. Esse mundo tá muito chato. O Obama nem sabia fazer guerra direito. Coloca mais dois na Coreia, pode ser?'

 

Rafael Braga é condenado a 11 anos de prisão

Único condenado preso no contexto de junho de 2013, Braga estava em regime aberto com uso de tornozeleira quando foi preso por porte de 0,6 g de maconha, 9,3 g de cocaína e um rojão, que lhe foi atribuído pelos policiais que o prenderam

 

Mais Lidas