Dilma se reúne com Bloco de Esquerda em Lisboa e diz que reforma da Previdência de Temer 'é um absurdo e um crime'

Líder brasileira se encontrou com Marisa Martins, coordenadora da legenda, e deputada Joana Mortágua; em conferência sobre neoliberalismo e democracia, Dilma se solidarizou com 'milhões que foram às ruas contra a reforma da Previdência'

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A ex-presidente Dilma Rousseff esteve nesta quinta-feira (16/03) na sede do Bloco de Esquerda, partido político português, em Lisboa. Marisa Martins, coordenadora do Bloco, e a deputada Joana Mortágua participaram da reunião com a líder brasileira. Martins falou a jornalistas após o encontro e salientou que Dilma foi "vítima de um golpe parlamentar" por parte de "um governo ilegítimo" com um "projeto neoliberal".


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“Houve um golpe parlamentar que derrubou de forma ilegítima a presidenta Dilma Rousseff. Temos o povo brasileiro em amplas manifestações na rua contra o que o governo ilegítimo está a fazer de destruição do Estado social”, afirmou Martins em referência aos protestos realizados nesta quarta-feira (15/03) em todo o país contra a reforma da Previdência proposta pelo governo de Michel Temer.

A dirigente do Bloco de Esquerda também expressou “enorme revolta por se saber hoje que aqueles que fizeram o impeachment estão presos ou acusados de corrupção".

“Desde a primeira hora que o Bloco denunciou o golpe parlamentar e a sua ilegitimidade tendo-se solidarizado com Dilma e com todos aqueles que no Brasil querem respeitar a vontade democrática do povo”, notou Martins, que destacou a situação de “enorme instabilidade” que se vive no país atualmente.

Agência Efe

Dilma Rousseff entre Marisa Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda, e deputada Joana Mortágua na sede do partido, em Lisboa

Sobre os temas analisados na reunião, a dirigente portuguesa disse aos jornalistas que se discutiu um pouco a situação internacional, a crise financeira e econômica e a forma como esta chegou à Europa e ao Brasil em tempos diferentes.

Para Martins, as políticas neoliberais estão destruindo as economias e o emprego “um pouco por todo o mundo”. Por isso o projeto econômico que está por detrás do golpe no Brasil visa atacar as funções sociais do Estado por um lado e por outro privatizar os setores estratégicos e as principais empresas do país, disse a coordenadora do Bloco.

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Segundo ela, essa situação vulnerabiliza e torna o Brasil incapaz de fazer face à sua crise, o que é perigoso porque pode vir a destruir as possibilidades de sobrevivência econômica de um país que tem riquezas imensas.

'Mulheres serão as mais prejudicadas' por plano proposto em reforma da Previdência, diz Dilma

Durante sua fala em uma conferência sobre neoliberalismo e democracia, realizada em Lisboa nesta quarta-feira (15/03), Dilma Rousseff alertou os espectadores que as mulheres serão as mais prejudicadas pela reforma da Previdência. Ela também classificou como "um absurdo e um crime" as mudanças previstas no plano do governo de Michel Temer.

Agência Efe

Dilma Rousseff durante conferência no Teatro da Trindade, em Lisboa, nesta quarta-feira (15/03)

"Estudos mostram que no Brasil, em média, uma pessoa ao longo da sua vida de trabalho passa sete anos desempregado ou em trabalhos precários, sem recolher", afirmou Dilma. "Isso quer dizer que aos 49 anos deve-se acrescentar mais sete, que dá um total de 56 anos – 65 menos 56 dá 9 anos, significa que é a idade que a pessoa teria que começar a trabalhar no Brasil, o que é um absurdo e um crime contra aquilo que pode significar uma transformação para o Brasil, que é garantir aos jovens e às crianças a única coisa necessária para que o país se transforme em uma nação desenvolvida: a educação."

As vagas para a conferência de Dilma Rousseff, intitulada "Neoliberalismo, desigualdade, democracia sob ataque" esgotaram-se em 20 minutos. Como os 450 lugares do teatro Trindade, na capital portuguesa, não foram suficientes, a organização do evento instalou um telão no lobby do teatro com transmissão simultânea para que os demais interessados pudessem acompanhar sua fala, que durou cerca de uma hora. 

"As mulheres serão as mais prejudicadas. Se os homens enfrentam esse problema de sete anos de trabalho interrompidos, imaginem a mulher em um país onde a divisão sexual do trabalho ainda é extremamente cruel com as mulheres. Então milhões de pessoas foram às ruas hoje se solidarizar com todos eles", concluiu.

 

*Com informações de Esquerda.net e Rede Brasil Atual

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