Peru pede ativação de Carta Democrática contra Venezuela na OEA devido a 'quebra do Estado de Direito'

Para chanceler Ricardo Luna, invocar documento 'não significa suspender e isolar um país'; secretário-geral da OEA defendeu suspensão da Venezuela caso Caracas não convocasse eleições

O governo peruano defende a ativação da Carta Democrática Interamericana da OEA (Organização dos Estados Americanos) contra a Venezuela, afirmou nesta quinta-feira (16/03) o ministro das Relações Exteriores do Peru, Ricardo Luna. Segundo o chanceler, há 'quebra do Estado de Direito' no governo de Nicolás Maduro.


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Em declarações divulgadas pela agência oficial Andina, Luna disse que o Peru considera que na Venezuela há uma alteração da ordem democrática porque falta separação entre os poderes. Segundo o chanceler, isso permite que o governo da Venezuela trave o funcionamento do parlamento. "Invocar essa carta não significa suspender e isolar um país, mas utilizar as diversas opções que ela oferece para comprometê-lo com a solução do problema", ressaltou.

Luna disse que é necessário contribuir para superar a crise política venezuelana e evitar a deterioração da situação humanitária. Ele observou que até o processo de diálogo e mediação papal em curso, os países da OEA devem ter um papel eficaz ativando a Carta Democrática, e não respondendo a iniciativas intempestivas e insensatas.

Durante uma visita que fez na última quarta-feira ao Chile, Luna tinha pedido que não fossem tomadas "medidas como as sugeridas pelo secretário-geral da Organização dos Estados Americanos", Luis Almagro, sobre a situação da Venezuela na OEA. No dia anterior, Almagro tinha pedido a suspensão da Venezuela da OEA como última medida de pressão para que o presidente Nicolás Maduro convoque eleições, depois do "fracasso" de todas as tentativas de diálogo.

Para justificar o pedido de suspender a Venezuela caso esses passos não ocorram, Almagro lembrou que o artigo 20 da Carta, o que invocou em maio do ano passado, estipula que, se fracassarem as gestões diplomáticas ou perante um caso de urgência, o Conselho Permanente pode convocar imediatamente uma Assembleia Geral Extraordinária.

Agência Efe

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"Para chegar a uma situação que convirja à vontade dos países-membros da OEA, é preciso uma consulta (...), não podemos nos adiantar a uma posição como a que sugere o secretário-geral enquanto não houver consultas", disse o ministro peruano à Agência Efe.

As relações entre Peru e Venezuela estão em um ponto crítico, depois que o governo peruano enviou uma nota de protesto e chamou seu embaixador em Caracas por "expressões insolentes" de Maduro, contra seu colega Pedro Pablo Kuzcynski.

Tanto o presidente venezuelano, como sua ministra das Relações Exteriores, Delcy Rodríguez, criticaram as declarações de Kuczynski, feitas no dia 25 de fevereiro, na Universidade de Princeton (Estados Unidos), onde ele afirmou que os americanos não se preocupam com a América Latina porque é como um cachorro dormindo que não causa problemas, com a exceção da Venezuela.

"É como um cachorro simpático que está dormindo no tapete e não gera nenhum problema, mas, no caso da Venezuela, esse sim é um grande problema", disse Kuczynski. Posteriormente, a chanceler venezuelana afirmou que Kuczynski "é o único cachorro simpático que abana o rabo para o império".

O presidente venezuelano Nicolás Maduro, por sua vez, pediu que Kuczynski se retratasse pelas declarações, que considerou ofensivas, e exigiu que o líder peruano se retificasse da sua “política intervencionista equivocada sobre a revolução bolivariana”.

Na semana passada, o chanceler peruano afirmou que Kuczynski usou uma "figura de linguagem" ao dizer em Princeton que a América Latina não apresenta problemas e nem representa perigo para os EUA.

 

(*) Com Agência Efe

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