SPD confirma Schulz como rival de Merkel nas eleições alemãs

Deutsche Welle
Ex-presidente do Parlamento Europeu é declarado candidato pelo Partido Social Democrata da Alemanha e novo líder da legenda. Com guinada à esquerda e aumento de popularidade, Martin Schulz representa ameaça à chanceler

O ex-presidente do Parlamento Europeu Martin Schulz foi confirmado neste domingo (19/03) como candidato do (SPD) às eleições legislativas marcadas para setembro. Schultz passa a ser o principal rival da chanceler federal alemã, Angela Merkel, que disputa um quarto mandato.


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"O SPD está de volta, nós estamos de volta. Essa é uma boa mensagem para as pessoas no país", afirmou durante congresso da legenda em Berlim, em que também foi nomeado líder do partido no lugar do ministro das Relações Exteriores, Sigmar Gabriel, que desistiu da candidatura.

Schulz destacou que, nas últimas décadas, a legenda superou a ditadura e a guerra e lutou por democracia e liberdade. Em fevereiro, o novo líder do SPD sinalizou uma guinada à esquerda no partido, sugerindo estender o pagamento do seguro-desemprego e oferecer melhores aposentadorias.

Justiça social é o principal tema da campanha. O político pretende fazer mudanças na Agenda 2010, reforma implementada em 2003 para flexibilizar as leis trabalhistas, mas que resultou no aumento de desigualdades na Alemanha.

Reuters/A. Schmidt

Martin Schulz discursou em congresso da legenda em Berlim

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"Efeito Schulz"

Desde que Schulz foi indicado como candidato pelo SPD em janeiro, o partido alcançou cerca de 30% das intenções de voto, tecnicamente empatado com a União Democrata Cristã (CDU), de Merkel. As duas legendas formam a atual coalizão de governo de Merkel, junto com a União Social Cristã (CSU).

Nos últimos anos, as sondagens oscilavam entre 20 e 25% para os sociais-democratas. Além disso, o SPD alcançou o maior número de novos membros em 20 anos. Mais de 10 mil pessoas se juntaram ao partido. Na Alemanha, fala-se num "efeito Schulz" na política.

Durante o discurso, o ex-presidente do Parlamento Europeu criticou o partido populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD), que detém 10% das intenções de voto.

"É uma vergonha para República Federal da Alemanha", afirmou ao se referir a uma declaração de Björn Höcke, membro da cúpula do partido. Em janeiro, ele disse que o Memorial do Holocausto, em Berlim, em homenagem aos judeus mortos durante o nazismo, é um "monumento da vergonha".

O novo líder do SPD também fez críticas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por insistenmente falar em "fake news" (notícias falsas), ao se referir ao trabalho da imprensa americana. "Quem classifica reportagens independentes como mentirosas e trata a mídia de forma seletiva coloca um machado sobre a raiz da democracia", afirmou.

Schulz também falou sobre a Turquia. O candidato disse que a estratégia diplomática do presidente turco, Recip Tayyip Erdogan, contra a Alemanha irá falhar "mais cedo ou mais tarde".

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